O que começou como uma experiência artística no quintal acabou virando um conjunto incomum de construções feitas com milhares de garrafas, formas geométricas e um pequeno farol funcional que ainda chama atenção mais de uma década depois.
Algumas pessoas passam a aposentadoria cuidando do jardim.
Leon Wiesener escolheu um caminho bem diferente.
Em 2012, no quintal de casa em Carrabelle, pequena cidade da Flórida, o ex-professor de arte começou a encaixar garrafas de cerveja, vinho e outras bebidas em camadas de cimento.
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Onze meses e mais de 6 mil garrafas depois, havia uma construção pentagonal inteira onde antes existia apenas o terreno da família.
A história voltou a circular internacionalmente em agosto de 2026, mais de uma década depois da obra original, justamente porque Wiesener não encerrou a experiência quando terminou a casa.
O quintal ganhou um farol de aproximadamente 4,6 metros de altura, também revestido de garrafas e equipado com uma luz giratória funcional, além de grandes estruturas geométricas que transformaram a propriedade em uma espécie de exposição particular ao ar livre.
O caso foi retomado pelo Times of India em 25 de agosto de 2026.
A ideia da casa de garrafas surgiu dentro de casa
Wiesener havia se mudado com a esposa para Carrabelle em 2000, depois de trabalhar como professor de arte e pintor de cenários.
A vontade de construir com garrafas apareceu anos mais tarde.
Em um relato publicado pelo Roadside America ainda em fevereiro de 2013, ele contou que simplesmente acordou certo dia e avisou à esposa que queria construir uma casa feita de garrafas.
O projeto começou em 2012 e foi concluído em dezembro daquele mesmo ano, após aproximadamente 11 meses de trabalho.
O formato escolhido foi um pentágono.
Segundo o registro do Atlas Obscura, as paredes têm aproximadamente 3,7 metros de comprimento e 2,4 metros de altura, enquanto o ponto mais alto do telhado chega a cerca de 4,3 metros.
Apesar de ser chamada de Bottle House, a construção funciona mais como um pequeno pavilhão artístico do que como uma residência convencional.
Ainda assim, tem dimensões suficientes para que visitantes entrem e caminhem em seu interior.

Mais de 6 mil garrafas vieram de amigos, lixeiras e centros de reciclagem
Conseguir milhares de garrafas exigiu outro tipo de trabalho.
Wiesener contou à emissora WTXL, afiliada da ABC na região, que chegou a publicar um anúncio no jornal pedindo garrafas, procurou recipientes descartados e fez um acordo com um centro de reciclagem de Eastpoint.
Amigos, moradores e visitantes também passaram a deixar garrafas junto à propriedade.
“Eu coloquei um anúncio no jornal. Revirei lixeiras. Fui ao centro de reciclagem em Eastpoint e fiz um acordo com eles”, contou Wiesener à emissora.
As peças não foram trituradas para virar agregado de construção.
As garrafas permaneceram inteiras e foram cimentadas horizontalmente, deixando suas bases coloridas expostas do lado de fora e os gargalos voltados para o interior.
Quando a luz atravessa vidros verdes, azuis, marrons e transparentes, as paredes mudam de aparência ao longo do dia.
O efeito fez com que algo originalmente destinado à reciclagem também passasse a funcionar como parte visual da obra.
Casa pentagonal ganhou vitrais, lentes e objetos reaproveitados
As 6 mil garrafas não são os únicos materiais incomuns escondidos na construção.
O Atlas Obscura registra a presença de vitrais alemães feitos à mão e lentes redondas coloridas retiradas de ônibus escolares e caminhões de bombeiros, utilizadas para criar novos pontos de luz.
Há também recipientes de boca larga incorporados horizontalmente às paredes.
Eles podem funcionar como pequenos nichos para guardar objetos.
Do lado de fora, Wiesener acrescentou elementos decorativos ainda menos previsíveis, incluindo mãos de manequins, ovos de avestruz, peças de antigos equipamentos agrícolas, tubos de cobre e bolas de madeira.
A construção acabou se tornando uma mistura de arquitetura experimental, reaproveitamento de materiais e escultura.
Depois da casa, Leon Wiesener construiu um farol de garrafas
Terminar o pentágono não significou encerrar o projeto.
Wiesener decidiu construir no mesmo quintal um farol de aproximadamente 15 pés, cerca de 4,6 metros de altura, utilizando novamente garrafas como elemento predominante.
A referência veio de um símbolo conhecido de Carrabelle, o Crooked River Lighthouse.
O farol verdadeiro, inaugurado no fim do século XIX, faz parte da paisagem histórica da região costeira.
A versão construída no quintal é muito menor, mas não ficou apenas na aparência.
“Eu sei que é um grande símbolo de Carrabelle, então simplesmente construí o meu. E funciona. Ele gira e brilha à noite”, afirmou Wiesener à WTXL.
No alto da estrutura, uma luz realmente gira quando o sistema é ligado, aproximando a peça artística da função visual de um pequeno farol.

Uma grande esfera geodésica também apareceu no quintal
A casa e o farol foram acompanhados por esculturas geométricas de grande porte.
Entre elas está uma grande esfera geodésica estática, formada por diferentes camadas de esferas conectadas.
Wiesener chegou a descrevê-la como uma espécie de autorretrato abstrato de sua própria vida.
Outra estrutura tem aproximadamente 2,4 metros de largura e funciona de maneira diferente.
Trata-se de uma esfera geodésica cinética com painéis de vidro colorido e espelhos.
Quando se movimenta sobre sua base, as superfícies refletem a luz em diferentes direções.
O uso do vidro, portanto, deixou de estar limitado à construção original.
A propriedade passou a reunir formas, cores e objetos reaproveitados em diferentes experiências visuais.

Nem todas as estruturas resistiram ao tempo
A sequência de experimentos também produziu estruturas que não resistiram ao tempo.
Segundo o Atlas Obscura, uma grande torre retorcida feita com garrafas e coberta por fragmentos de vidro começou a se deteriorar na base.
Outra obra, um arco de garrafas com aproximadamente 4,9 metros de altura, caiu pouco depois de ser concluído.
Esses episódios mostram que o quintal funciona mais como um espaço de experimentação artística contínua do que como um conjunto de construções projetadas segundo um único padrão.
Mesmo com peças que precisaram ser abandonadas ou modificadas, a Bottle House e o pequeno farol permaneceram como as estruturas mais conhecidas.
Construção custou mais de US$ 3 mil
Usar milhares de recipientes que seriam jogados fora não tornou a construção gratuita.
Wiesener informou à WTXL que, quando cimento, materiais do telhado e outros componentes foram incluídos, a Bottle House custou mais de US$ 3 mil para ser construída.
A motivação, segundo ele, também envolvia reaproveitamento.
“Eu estava tentando economizar dinheiro e salvar um pouco o mundo. Esta é apenas uma pequena contribuição”, afirmou na entrevista.
A obra acabou ganhando uma função que não estava presente no plano inicial.
Pessoas começaram a encontrar fotografias nas redes sociais, viajar até Carrabelle e entrar no quintal para conhecer as estruturas.
Reportagens posteriores registraram visitantes vindos de outras partes dos Estados Unidos e até de outros países.
Em 2018, Wiesener disse ao Spectrum News que gostaria que sua criação durasse e se tornasse um símbolo da cidade.
Mais de uma década depois do primeiro saco de cimento, o quintal ainda aparece em guias de viagem e voltou às páginas internacionais em 2026.
O que começou com garrafas destinadas ao descarte acabou ocupando paredes inteiras, subindo por um farol com luz giratória e se espalhando por grandes formas geométricas em um terreno da costa da Flórida.

