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Produtores rurais da Caatinga se unem para criar mercado de créditos de carbono e impulsionar economia do bioma

17 de julho de 2022 às 18:05
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Com o levantamento do estoque do recurso para o desenvolvimento de créditos de carbono, os produtores rurais da Caatinga poderão colocar em prática a criação desse mercado e atrair mais investimentos para o crescimento da economia nordestina.
Foto: Ius Natura

Com o levantamento do estoque do recurso para o desenvolvimento de créditos de carbono, os produtores rurais da Caatinga poderão colocar em prática a criação desse mercado e atrair mais investimentos para o crescimento da economia nordestina.

Para esse domingo, (17/07), pequenos produtores rurais e lideranças locais dos estados da Caatinga estão reunidos em uma associação para desenvolver um mercado de créditos de carbono na região. Assim, a Associação de Produtores de Crédito de Carbono Social do Bioma Caatinga foi criada com o objetivo de fomentar o desenvolvimento da economia nordestina, ao passo onde as áreas preservadas contribuirão para a criação de um estoque do recurso, mitigando os impactos ambientais da região.

Mercado de créditos de carbono pode ser o futuro da Caatinga quanto ao desenvolvimento da economia e a redução de impactos ambientais 

O Cânion de São Francisco acaba de receber a primeira iniciativa voltada para o mercado de créditos de carbono na região, a Associação de Produtores de Crédito de Carbono Social do Bioma Caatinga, formada por produtores rurais e lideranças locais da área. Assim, a associação formada por representantes dos estados da Bahia, Sergipe, Alagoas e Pernambuco visam aproveitar as áreas preservadas para levantar um estoque de carbono a fim de criar créditos futuros nesse segmento. 

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Dessa forma, a associação dos produtores rurais procura não só contribuir com a redução dos impactos ambientais, mas fomentar um mercado de créditos de carbono que irá colaborar com a economia da Caatinga, reduzindo os níveis de pobreza na região do bioma. Assim, o foco principal é a criação de uma economia regenerativa, ou seja, que contribua com a questão ambiental, uma vez que estimulará a preservação de áreas ambientais, mas que também colabore para promover um sistema de proteção às pessoas da região. 

O projeto dos produtores rurais da região faz parte da iniciativa do Laboratório de Economia Regenerativa do São Francisco, resultado do trabalho do Centro Brasil no Clima (CBC) em parceria com o Instituto Clima e Sociedade (iCS), que visa adaptar projetos socioeconômicos voltados ao bioma da Caatinga.

A ideia de reunir produtores rurais, lideranças locais e cooperativas em torno dessa iniciativa surgiu há quatro anos e, desde então, esses representantes vêm buscando formas de preservar esse bioma tão importante e desenvolver a economia dos estados que ele engloba. 

Mercado de créditos de carbono deve crescer 15 vezes até 2030 e produtores rurais buscam aproveitar potencial do bioma para gerar economia 

A necessidade de não só preservar o bioma da Caatinga, mas também impulsionar o desenvolvimento econômico e diminuir a pobreza no nordeste são os principais motivos que levaram à criação da iniciativa.

Assim, Sérgio Xavier, representante do CBC e ex-secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco, destacou: “Estamos trabalhando no Nordeste, especialmente na Caatinga, porque entendemos que há uma grande e rápida degradação, além da pobreza. Com os problemas de desertificação e com o aquecimento global isso vai piorar”.

Além disso, a consultoria McKinsey está prevendo que a demanda no mercado voluntário de carbono pode multiplicar 15 vezes até 2030 e 100 vezes até 2050, tornando esse um mercado que pode chegar a valer US$ 50 bilhões até 2030. E, desse potencial, o Brasil abriga 20%, focando na geração de créditos de carbono a partir de soluções baseadas na natureza, mas os empreendimentos estão voltados prioritariamente para a região da Floresta Amazônica. 

Por isso, a união dos produtores rurais para atrair investimentos para o mercado de créditos de carbono na Caatinga poderá contribuir para uma desconcentração dos empreendimentos na região norte e voltar os olhares do segmento para o potencial do nordeste do Brasil.

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