Modelo de cinco lugares marca nova fase da Ferrari, divide opiniões nas redes sociais e expõe os desafios dos elétricos de luxo.
A Ferrari apresentou seu primeiro carro totalmente elétrico, o Luce, na segunda-feira, 25 de maio. O modelo custa US$ 640 mil, cerca de R$ 3,2 milhões, e marca uma virada importante na história da montadora italiana.
O lançamento chamou atenção porque rompe parte da tradição da marca. O Luce é o primeiro Ferrari de cinco lugares e foi criado em colaboração com a LoveFrom, agência fundada por Jony Ive, ex-chefe de design da Apple.
Segundo o diretor-executivo Benedetto Vigna, o projeto levou cerca de cinco anos para ser desenvolvido. O nome Luce significa “luz” em italiano e reforça a tentativa da Ferrari de apresentar uma nova identidade elétrica.
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Projeto elétrico marca mudança de rota da Ferrari

A Ferrari havia descartado inicialmente a ideia de lançar um carro totalmente elétrico. A montadora priorizava modelos híbridos, movidos por gasolina e eletricidade.
O Luce, porém, mudou esse caminho. O modelo usa um motor elétrico fabricado pela Ferrari em cada roda e pode atingir 96 km/h em cerca de 2,5 segundos, segundo a própria empresa.
A Ferrari também afirmou que todos os componentes são produzidos internamente. Dessa forma, a marca busca facilitar reparos futuros e proteger o valor de revenda do veículo.
Redes sociais transformam lançamento em debate

O lançamento provocou reações intensas nas redes sociais. Uma pessoa escreveu no X que a Ferrari teria “matado sua marca”, comparando o caso ao reposicionamento visual da Jaguar.
Outra publicação questionou o rumo das montadoras europeias de luxo. A crítica citou primeiro a Jaguar e depois a Ferrari como exemplos de mudanças consideradas arriscadas.
Parte do público, no entanto, reagiu de forma positiva. Um usuário classificou o Luce como “uma verdadeira aula de design” e chamou o conceito de divisor de águas.
Concorrentes recuam nos carros elétricos de luxo
A estreia do Luce ocorre em um momento delicado para os elétricos de alto padrão. Marcas rivais reduziram seus planos diante da baixa demanda e da concorrência chinesa.
A Lamborghini abandonou a ideia de lançar carros totalmente elétricos e passou a priorizar modelos híbridos. A Porsche também diminuiu suas ambições no segmento.
A montadora alemã enfrenta demanda fraca, vendas menores na China e tarifas nos Estados Unidos. Fabricantes chinesas, por sua vez, produzem veículos com mais rapidez e custos menores.
Ferrari tenta equilibrar tradição e futuro
A Ferrari informou que continuará vendendo carros a gasolina e híbridos. Assim, a marca tenta avançar na eletrificação sem abandonar seus clientes tradicionais.
Atualmente, a Ferrari é a fabricante de carros mais valiosa da Europa. Sua estratégia depende de modelos altamente exclusivos, o que ajudou a empresa a enfrentar melhor a pressão do setor.
As ações da Ferrari, porém, caíram mais de 25% no último ano. Essa queda acompanhou um movimento maior nas marcas de luxo, pressionadas pela inflação global e pela menor demanda por produtos de alto padrão.
O desafio do Luce para a imagem da marca
O diretor de design Flavio Manzoni afirmou que críticas fazem parte do processo de inovação. Ele reconheceu que uma Ferrari elétrica com novo desenho é uma proposta polarizadora.
A marca acredita que o público poderá apreciar melhor o conceito nos próximos meses. O Luce, portanto, nasce como uma aposta cara, ousada e simbólica.
A grande dúvida agora é simples: a Ferrari conseguirá levar sua tradição para os carros elétricos sem perder a essência que tornou a marca um símbolo mundial?

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