Um ciclone extratropical que se forma na costa da Patagônia neste sábado (25) vai impulsionar um corredor de ar gelado das Ilhas Malvinas em direção ao Rio Grande do Sul a partir de domingo. A MetSul prevê ventos com rajadas de 50 a 90 km/h, geada generalizada entre terça e quarta-feira com mínimas abaixo de 0°C na Serra, e risco de ressaca no litoral gaúcho durante a semana.
O ciclone extratropical que se forma sobre o Atlântico Sul neste fim de semana não vai atingir o Rio Grande do Sul diretamente, mas seus efeitos serão sentidos com força. O sistema vai criar um corredor de ar frio que transporta massas geladas da região das Ilhas Malvinas e Geórgia do Sul para o Sul do Brasil, derrubando as temperaturas a partir do final do domingo (26). A entrada do frio será acompanhada por ventos com rajadas de 50 a 70 km/h no Sul e no Leste do estado, podendo alcançar 80 a 90 km/h em pontos do Litoral Sul gaúcho.
O ciclone se forma a partir de um centro de baixa pressão que começa a se aprofundar neste sábado na costa da Patagônia argentina. Na sequência, o sistema se desloca para Norte e Nordeste até a foz do Rio da Prata, onde ganha intensidade e passa rente ao litoral da província de Buenos Aires com rajadas que podem superar 100 km/h. Os impactos mais severos sobre a Argentina e o Uruguai devem ocorrer entre hoje, amanhã e segunda-feira, enquanto para o Rio Grande do Sul os efeitos se concentram entre domingo e quarta-feira, com as madrugadas mais frias na terça e na quarta.
Como o ciclone vai criar o corredor de ar gelado que atinge o Sul do Brasil

O mecanismo que traz o frio ao Rio Grande do Sul é a circulação do ciclone no Atlântico Sul. À medida que o sistema gira em sentido anti-horário, ele puxa ar gelado das latitudes extremas do continente em direção ao norte, formando o que os meteorologistas chamam de “língua de ar frio” que se estende das Ilhas Malvinas até o Sul do Brasil. O modelo do Centro Meteorológico Europeu mostra essa configuração com clareza nos mapas de previsão.
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O ar frio começa a ingressar no estado entre a tarde e a noite de domingo pelo Oeste e pelo Sul, avançando para as demais regiões na segunda-feira (27). A pressão central do ciclone deve atingir 970 hPa em mar aberto, valor muito baixo para as latitudes médias, o que indica um sistema intenso capaz de manter o corredor de frio ativo por vários dias. Embora o ciclone se distancie do continente no início da semana, seus efeitos sobre o Rio Grande do Sul persistem até quarta-feira.
Quais dias serão os mais frios e quanto pode cair a temperatura
As madrugadas mais geladas devem ocorrer entre segunda e quarta-feira, com o pico de frio na terça (28) e na quarta (29). A grande parte do Rio Grande do Sul deve registrar mínimas de 5°C a 10°C, com várias cidades marcando valores abaixo dos 5°C, especialmente em localidades de maior altitude. A Serra do Sudeste, os Campos de Cima da Serra e o Planalto Sul Catarinense podem ter temperaturas ao redor de 0°C e até negativas.
A geada terá abrangência significativa. Diversas regiões do Rio Grande do Sul e parte de Santa Catarina devem registrar formação de geada, especialmente na terça e na quarta-feira, exceto a Grande Porto Alegre e o Litoral Norte, onde a umidade marítima impede que as temperaturas caiam o suficiente para a cristalização do gelo. As tardes, no entanto, não serão rigorosas: as máximas devem ficar entre 15°C e 20°C na segunda e na terça, indicando que o frio se concentra nas madrugadas e no início da manhã.
Os ventos de até 90 km/h e o risco de ressaca no litoral gaúcho
O ciclone não traz apenas frio. Os ventos se intensificam no Sul e na Campanha gaúcha no final do domingo com a chegada do ar frio, soprando com rajadas de 50 a 70 km/h na segunda-feira no Sul e no Leste do estado. Em alguns pontos do Litoral Sul, os ventos podem atingir 80 a 90 km/h, velocidade suficiente para derrubar árvores, causar destelhamentos e provocar falta de energia elétrica.
Em mar aberto, o vento forte gerado pelo ciclone deve provocar ressaca na costa gaúcha ao longo da semana. A elevação das ondas pode afetar áreas costeiras e dificultar a navegação, exigindo atenção de moradores de regiões próximas ao mar e de quem trabalha com pesca ou atividades portuárias. A combinação de ventos fortes, frio e mar agitado cria um cenário de instabilidade que merece monitoramento constante nos próximos dias.
O que acontece na Argentina e no Uruguai antes de o frio chegar ao Brasil
Antes de atingir o Rio Grande do Sul, o ciclone causa estragos na Argentina e no Uruguai. O litoral da província de Buenos Aires deve ser o mais atingido, com chuva, baixa temperatura e ventos muito fortes que podem registrar rajadas perto e acima de 100 km/h entre Bahia Blanca e Mar del Plata no final do domingo e na segunda-feira.
No Uruguai, os departamentos de Montevidéu, San José, Canelones e Maldonado devem enfrentar temporal com rajadas de 75 a 100 km/h, com possibilidade de ventos isolados acima de 100 km/h na Costa del Oro e na área de Punta del Este. Quedas de árvores e falta de luz são esperadas no final do domingo e na segunda-feira, evidenciando a intensidade do sistema que, mesmo se distanciando do continente, mantém força suficiente para impactar três países simultaneamente.
Quanto tempo o frio vai durar e quando a temperatura volta a subir
O episódio de frio não será prolongado. A partir da tarde de quarta-feira (29), o ar já começa a aquecer, e na quinta-feira as mínimas devem ser mais altas que nos dias anteriores, embora a madrugada ainda guarde resquícios de frio. O encerramento rápido do evento é característico de massas de ar frio de outono, que não possuem a mesma persistência das ondas de frio típicas do inverno.
Entre quinta e sexta-feira, as temperaturas voltam a patamares mais amenos antes de um novo episódio de chuva previsto para o final da semana. Para quem vive no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, a recomendação é aproveitar os próximos dias para se preparar, garantindo agasalhos, protegendo culturas sensíveis à geada e verificando a fixação de telhas e estruturas que possam ser afetadas pelos ventos fortes do início da semana.
Você está na rota desse ciclone ou já sentiu os primeiros sinais do frio chegando? Conte nos comentários como está o tempo na sua cidade e se você acredita que o casaco pesado vai sair do armário antes do esperado neste ano.

Com certeza o frio veio pra Taio sc
Estou em Goiás.
Ola boa noite, a ilustração do inicio esta completamente errada, ao contrário do que relata a notícia, mostra o ar frio vindo do norte. A representação do vento também esta ao contrário, ali foi colocado um anticiclone, no qual o vento gira no sentido anti-horário no hemisfério sul.