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Um finlandês pagou uma pechincha por uma ilha que ninguém queria havia 42 anos, fez o piso de “sete árvores” e o telhado por 400 euros, e hoje mora com a família sem luz nem água encanada, a 35 graus negativos

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Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 07/07/2026 às 15:03 Atualizado em 07/07/2026 às 15:07
Assista o vídeoUm finlandês comprou uma ilha abandonada há 42 anos, reergueu à mão uma casa de tronco e vive fora da rede, em autossuficiência, a 35 graus negativos. Veja.
Um finlandês comprou uma ilha abandonada há 42 anos, reergueu à mão uma casa de tronco e vive fora da rede, em autossuficiência, a 35 graus negativos. Veja.
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Há cerca de dez anos, o finlandês Klaus comprou por uma pechincha uma ilha abandonada havia 42 anos, a 63° de latitude norte, na Finlândia. Com a companheira, Johanna, ele reergueu à mão uma casa de tronco centenária e hoje vive fora da rede, em plena autossuficiência, sem energia elétrica nem água encanada, encarando invernos de 35 graus negativos. O documentário é de setembro de 2025.

Existe quem compre um apartamento e quem compre uma ilha inteira. O finlandês Klaus escolheu a segunda opção: adquiriu uma ilha abandonada havia mais de quatro décadas na Finlândia e a transformou em lar, como mostrou o documentário do canal Kirsten Dirksen. Ali, ele e a família vivem em total autossuficiência.

A história tem números que impressionam. Segundo o site faircompanies, Klaus e a companheira, Johanna, reconstruíram uma casa de tronco de mais de cem anos numa ilha abandonada de 1,5 hectare, vivendo fora da rede elétrica, a 63° de latitude norte, onde o inverno chega a 35 graus negativos.

O feito não é sobre sofrimento, e sim sobre engenho. Em vez de comprar tudo pronto, Klaus derrubou as próprias árvores da ilha abandonada, serrou a madeira e reergueu a casa de tronco peça por peça, provando que dá para construir um lar completo na Finlândia com pouco dinheiro e muita autossuficiência.

A seguir, veja quem é o casal, o que Klaus encontrou na ilha abandonada, como ele reergueu a casa de tronco com as árvores da própria terra, como funciona viver fora da rede e por que essa história de autossuficiência na Finlândia conversa diretamente com o Brasil.

Quem é o casal e a ilha que ninguém queria

Os protagonistas são Klaus e Johanna. Ele saiu de Helsinque em busca de outro ritmo de vida e encontrou na ilha abandonada o projeto de uma vida; ela o acompanha na rotina de autossuficiência, e juntos criam o primeiro filho nesse cantinho isolado da Finlândia.

A compra foi quase um acaso feliz. Klaus fez uma oferta “muito baixa” pela ilha abandonada, e o vendedor aceitou na hora, num negócio que, segundo ele, “esvaziou” sua conta bancária, mas lhe deu um pedaço inteiro de terra cercado de água na Finlândia.

O vendedor tinha suas razões. Filho único, ele havia nascido na sauna daquela mesma ilha abandonada, em 1946, e a vendeu por não ter herdeiros, encerrando uma história de família e abrindo espaço para a nova vida de autossuficiência do casal.

A ilha é pequena, mas suficiente. Com 1,5 hectare, a ilha abandonada oferece madeira, espaço e sossego, tudo o que Klaus precisava para erguer sua casa de tronco e montar um lar fora da rede, longe do barulho e das contas da cidade.

Chegar até lá já é uma aventura. A travessia é feita de barco, em cerca de cinco minutos, ou de moto de neve quando o lago congela, o que dá à ilha abandonada um isolamento que reforça a necessidade de autossuficiência para viver na Finlândia.

A ilha abandonada há 42 anos: o que Klaus encontrou

a casa de tronco reconstruída por Klaus à beira do lago, na pequena ilha finlandesa, cercada de floresta e água. Crédito: Kirsten Dirksen / faircompanies (YouTube).
a casa de tronco reconstruída por Klaus à beira do lago, na pequena ilha finlandesa, cercada de floresta e água. Crédito: Kirsten Dirksen / faircompanies (YouTube).

O cenário inicial era desolador. Quando comprou a ilha abandonada, Klaus encontrou uma casa de tronco de mais de cem anos com o telhado desabado, metade dos troncos apodrecidos e a floresta tomando conta de tudo, depois de 42 anos sem ninguém morar ali na Finlândia.

Sobravam apenas fragmentos do passado. Restavam a base da antiga casa de tronco, os troncos escuros de uma sauna de 1946 e uma extensão do fim do século XIX, ruínas que a maioria das pessoas veria como perda total, mas que Klaus enxergou como ponto de partida para sua autossuficiência.

O abandono tinha explicação. Como tantas propriedades em regiões remotas da Finlândia, a ilha abandonada ficou décadas sem uso porque não havia herdeiros nem interesse do mercado, um destino comum para imóveis isolados e difíceis de acessar fora da rede.

Klaus, porém, viu potencial onde outros viam problema. Em vez de demolir e recomeçar do zero, ele decidiu aproveitar o que dava da velha casa de tronco e reconstruir sobre a história daquela ilha abandonada, unindo respeito ao passado e engenhosidade de autossuficiência.

Foi assim que começou o projeto. Com a ilha abandonada nas mãos e uma ruína pela frente, Klaus arregaçou as mangas para transformar aquele lugar esquecido da Finlândia em um lar fora da rede, feito quase inteiramente com recursos da própria terra.

Reerguer à mão: a casa de tronco feita das próprias árvores

O coração do projeto é a madeira. Sócio de uma pequena serraria, Klaus derruba árvores da própria ilha abandonada e da floresta ao redor, serra os troncos “como queijo” e os empilha para secar por cerca de dois anos, antes de erguer a casa de tronco peça por peça.

O método é tradicional e manual. Klaus reconstrói a casa de tronco no sistema finlandês de encaixe, talhando cada tronco à mão com machado, um trabalho que leva cerca de uma hora e meia por peça e exige paciência, técnica e muita autossuficiência na Finlândia.

Ele reaproveita quase tudo. Segundo o relato, sete árvores da ilha abandonada viraram 70 metros quadrados de piso; o telhado saiu por cerca de 400 euros, uma devolução empoeirada de cliente; e janelas e móveis vieram de segunda mão, mantendo a casa de tronco barata e fora da rede do consumo.

Até o reboco vem do chão. As paredes internas são cobertas com argila e areia que o próprio Klaus tirou da terra da ilha abandonada, um material que veda frestas, equilibra a umidade e ainda funciona como massa térmica, reforçando a autossuficiência da casa de tronco.

O resultado é um lar quase pronto. Depois de anos de trabalho, a casa de tronco está praticamente concluída, provando que é possível reerguer uma ruína centenária numa ilha abandonada da Finlândia usando madeira local, material reaproveitado e vida fora da rede.

Sete árvores viraram o piso: a economia radical do projeto

Klaus trabalhando na serraria, cortando os troncos tirados da própria ilha para reerguer a casa, no método manual finlandês. Crédito: Kirsten Dirksen / faircompanies (YouTube).
Klaus trabalhando na serraria, cortando os troncos tirados da própria ilha para reerguer a casa, no método manual finlandês. Crédito: Kirsten Dirksen / faircompanies (YouTube).

A lógica do projeto é gastar o mínimo. Em vez de financiar uma casa, Klaus transformou a ilha abandonada em fonte de matéria-prima, tirando dali a madeira da casa de tronco e economizando fortunas com uma autossuficiência que começa na própria floresta.

Os números do reaproveitamento surpreendem. Além do telhado de 400 euros, Klaus conseguiu um fogão de ferro fundido premium novo na caixa por cerca de 150 euros, quando o preço cheio passaria de cinco mil, mostrando como a casa de tronco fora da rede foi erguida quase sem dinheiro.

O transporte é parte do desafio. Tudo o que não sai da ilha abandonada precisa atravessar o lago de barco, e Klaus levou milhares de quilos de tijolos e argamassa em dezenas de viagens para construir a lareira, um esforço logístico que só a autossuficiência justifica na Finlândia.

Essa economia radical tem um significado maior. Ao provar que dá para ter uma casa de tronco confortável gastando pouco, Klaus mostra que morar bem não depende de crédito nem de consumo, e sim de engenho, trabalho e vida fora da rede numa ilha abandonada.

É essa mensagem que fascina o público. Mais do que a paisagem, o que chama atenção na ilha abandonada de Klaus é a autossuficiência: a ideia de que uma família pode se abrigar, se aquecer e se alimentar na Finlândia com recursos da própria terra.

Viver fora da rede: sol no verão, lenha no inverno

A energia é toda própria. A casa de tronco funciona fora da rede elétrica: no verão, painéis solares dão energia de sobra na ilha abandonada, alimentando geladeira e fogão de indução, com uma bateria guardada no único cômodo aquecido para não congelar na Finlândia.

No inverno, a lenha assume. Quando o sol some, o calor da casa de tronco vem de um aquecedor de massa de cerca de três mil quilos, que Klaus acende de manhã, queima por algumas horas e mantém o ambiente quente por dois dias, garantindo autossuficiência térmica fora da rede.

A água segue a mesma filosofia. A ilha abandonada não tem água encanada: o casal busca água potável em uma fonte ou na cidade, usa a água do lago em baldes para lavar e está perfurando um poço, uma rotina de autossuficiência que a vida fora da rede na Finlândia exige.

Nada se desperdiça. A água de lavar escorre para um poço de pedra que infiltra no solo, e o casal usa apenas sabão puro, sem químicos, respeitando o ambiente da ilha abandonada e mantendo a casa de tronco em harmonia com a natureza fora da rede.

Esse sistema é engenhoso e simples. Combinando sol, lenha e água do lago, Klaus criou na ilha abandonada um lar que funciona o ano inteiro sem depender de nenhuma concessionária, o retrato de uma autossuficiência completa no coração gelado da Finlândia.

Comida da ilha: floresta de alimentos, mel e pão de centeio

A despensa também nasce da terra. No quintal da ilha abandonada, o casal mantém uma “floresta de alimentos” com arbustos de frutas vermelhas e plantas comestíveis que resistem ao frio extremo da Finlândia, mais um pilar da sua autossuficiência fora da rede.

O pão é feito em casa. Como o trigo comum não cresce tão ao norte, Klaus cultiva centeio, base do pão escuro finlandês, e assa seus próprios pães de fermentação natural no forno a lenha da casa de tronco, fechando o ciclo da comida na ilha abandonada.

Há também mel e remédios da floresta. O casal cuida de colmeias na ilha abandonada e colhe chaga, um cogumelo medicinal que cresce nas bétulas, para fazer chá, aproveitando ao máximo os recursos naturais que a Finlândia oferece a quem vive em autossuficiência.

Até a geladeira é natural. Para conservar alimentos, o casal usa um porão de terra enterrado, que se mantém fresco o ano todo, e no inverno a própria entrada gelada da casa de tronco vira uma câmara fria, soluções típicas de quem vive fora da rede numa ilha abandonada.

E o peixe chega de brinde. Um vizinho idoso pesca em excesso e divide o lúcio com o casal, um gesto de comunidade que mostra que nem a vida mais isolada na ilha abandonada da Finlândia é totalmente solitária, mesmo em plena autossuficiência.

Como se vive a 35 graus negativos numa ilha?

O inverno é o grande teste. Na ilha abandonada, o frio chega a 35 graus negativos, e a casa de tronco precisa estar bem vedada e aquecida pela lenha para que a família viva com conforto fora da rede, mesmo no auge do inverno finlandês.

O isolamento aumenta na estação fria. Quando o lago está entre líquido e congelado, sem permitir nem barco nem moto de neve, o casal fica temporariamente ilhado na ilha abandonada, por isso a autossuficiência e o estoque de comida são questão de sobrevivência na Finlândia.

A casa foi pensada para o frio. A massa térmica das paredes de argila e o aquecedor de três mil quilos mantêm a casa de tronco quente por dias, enquanto o quarto aquecido protege a bateria e o casal, tudo calibrado para a vida fora da rede na ilha abandonada.

O escuro também desafia. No inverno, os dias são curtíssimos, e a energia solar quase some, obrigando o casal a depender da lenha e a planejar cada recurso, uma rotina de autossuficiência que ensina a respeitar os limites da natureza na Finlândia.

Ainda assim, há beleza no extremo. O mesmo lugar que congela no inverno vive o sol da meia-noite no verão, e é esse contraste que torna a ilha abandonada tão especial, recompensando quem escolhe a autossuficiência e a vida fora da rede.

O que essa ilha abandonada tem a ver com o Brasil

A história fala direto ao brasileiro. Enquanto comprar ou construir casa fica cada vez mais caro nas cidades do Brasil, Klaus mostra o extremo oposto: adquiriu uma ilha abandonada por uma pechincha e ergueu a casa de tronco quase sem dinheiro, só com autossuficiência.

O contraste com o endividamento é gritante. O brasileiro que financia um imóvel por décadas se surpreende ao ver um telhado de 400 euros e um piso feito de sete árvores, provas de que a vida fora da rede na Finlândia pode custar uma fração de um apartamento.

Há também o apelo do “faça você mesmo”. O movimento de autossuficiência e vida no campo cresce no interior do Brasil, e a ilha abandonada de Klaus inspira quem sonha em produzir a própria comida, energia e moradia, longe da dependência das grandes cidades.

Por fim, fica a lição sobre o essencial. A casa de tronco de Klaus mostra que abrigo, calor e comida podem vir do engenho, e não do crédito, uma reflexão valiosa para o Brasil sobre consumo, moradia e a beleza de viver com menos, mesmo longe de uma ilha abandonada na Finlândia.

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A história de Klaus prova que uma ruína esquecida pode virar um lar dos sonhos. Ao transformar uma ilha abandonada havia 42 anos numa casa de tronco aconchegante, ele mostrou o poder da autossuficiência e da vida fora da rede no coração gelado da Finlândia.

Mais do que a paisagem, o que fica é o método. Reerguer uma casa com as próprias árvores, viver de sol e lenha e comer o que a terra dá é uma forma de morar que desafia tudo o que a cidade ensina sobre consumo e dependência.

E você, teria coragem de morar numa ilha abandonada como a de Klaus, encarando 35 graus negativos e a vida fora da rede, ou acha a autossuficiência na Finlândia radical demais? Conta nos comentários a sua opinião e compartilhe com quem sonha em largar a cidade.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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