Projeto da Celesc e da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) usa baterias recicladas em sistema móvel para reforçar a infraestrutura energética e reduzir apagões
A parceria entre a Celesc e a Universidade Federal de Santa Catarina está desenvolvendo uma solução inédita no Brasil para evitar interrupções de energia durante manutenções na rede elétrica. O projeto, chamado Energia Celesc a Bordo, utiliza baterias recicladas de veículos elétricos em um sistema móvel montado sobre um caminhão semirreboque, funcionando como um grande “Power Bank”.
Segundo a Notícias da UFSC no dia 20 de maio, a iniciativa foi aprovada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) e busca manter o fornecimento temporário de energia para hospitais, escolas, farmácias, delegacias e residências enquanto equipes técnicas realizam reparos ou melhorias na rede. Além da inovação tecnológica, o projeto também ajuda a enfrentar o desafio ambiental do descarte de baterias de íons de lítio.
Celesc e UFSC transformam baterias recicladas em solução para a rede elétrica
O projeto surgiu a partir de estudos realizados com baterias utilizadas anteriormente em um ônibus elétrico da própria UFSC. Segundo os dados divulgados pela universidade, o veículo percorreu aproximadamente 120 mil quilômetros, distância equivalente a cerca de três voltas ao redor do planeta.
-
Adeus cortinas e persianas: vidro inteligente fica opaco com um toque, bloqueia olhares sem tecido e transforma janelas comuns em parte da casa conectada, com controle por aplicativo, comando de voz e mais privacidade
-
Jovens baianos transformam garrafas, frascos e canos descartados em tijolos ecológicos com fibra de coco e mostram como o plástico reciclável pode sair do lixo para virar alternativa mais sustentável na construção civil
-
Com brasileiros entre os autores, cientistas querem transformar 4 km de profundidade no oceano em uma bateria gravitacional gigante usando navios cargueiros, guindastes submarinos e escavadeiras de caçamba para mover milhões de toneladas entre a plataforma continental e o fundo do mar
-
Chile tentou ligar sua costa a Hong Kong com cabo submarino de 20 mil km, mas pressão dos EUA travou o projeto chinês, derrubou vistos de autoridades e expôs a guerra silenciosa pelo controle dos dados na América Latina
Mesmo após anos de uso automotivo, essas baterias recicladas ainda preservam entre 70% e 80% da capacidade original. Isso permite que os equipamentos sejam reaproveitados em aplicações estacionárias ligadas à infraestrutura energética.
Na prática, o sistema móvel atua como uma fonte temporária de eletricidade durante desligamentos programados. Antes do início da manutenção, o caminhão é conectado à rede local. Assim, enquanto a rede principal permanece desligada por segurança, moradores e estabelecimentos continuam recebendo energia normalmente.

Como o “Power Bank” gigante mantém energia ativa durante manutenções
O chamado “Power Bank” desenvolvido pela Celesc e pela UFSC utiliza um STAEB, sigla para Sistema Transportável de Armazenamento de Energia em Baterias.
O conjunto reúne:
- 300 kWh em baterias de primeira vida;
- 100 kWh em baterias recicladas de segunda vida;
- gerador a diesel de 150 kVA para backup;
- conexão com redes de baixa tensão de 220/380 V;
- integração com redes de média tensão de 13,8 kV.
Todo o sistema móvel foi instalado em um semirreboque especialmente desenvolvido para transportar e operar o conjunto de armazenamento energético.
A estrutura mecânica ficou sob responsabilidade da empresa Truckvan, enquanto a tecnologia embarcada foi desenvolvida pela WEG. Já a UFSC, por meio do Laboratório Fotovoltaica, conduz os estudos técnicos e as validações acadêmicas do projeto.
Crescimento dos veículos elétricos acelera demanda por baterias recicladas
A criação do sistema móvel também acompanha o crescimento acelerado dos veículos elétricos no Brasil. Dados da consultoria NeoCharge mostram que a frota nacional saltou de 2.875 veículos para 613.389 unidades na última década.
Em Santa Catarina, os números passaram de 223 veículos elétricos para 40.487 automóveis eletrificados registrados. Esse avanço amplia a preocupação com o descarte adequado das baterias após o fim da vida útil automotiva.
Especialistas alertam que o reaproveitamento desses equipamentos será fundamental para reduzir impactos ambientais nas próximas décadas. Estimativas internacionais apontam que o mundo poderá acumular mais de 20 milhões de toneladas de baterias descartadas até 2040.
Nesse cenário, projetos como o desenvolvido pela Celesc e pela UFSC ganham importância estratégica para o setor energético brasileiro.
Sistema móvel pode reduzir impactos em hospitais, escolas e comércios
Um dos principais diferenciais da iniciativa é a possibilidade de reduzir os transtornos causados por desligamentos temporários da rede elétrica.
Em situações tradicionais de manutenção, regiões inteiras podem ficar sem energia durante horas. Com o novo sistema móvel, serviços essenciais conseguem continuar funcionando normalmente.
Entre os locais que podem ser beneficiados estão:
- hospitais e postos de saúde;
- farmácias;
- escolas;
- supermercados;
- delegacias;
- pequenos comércios;
- áreas urbanas com alta circulação.
Além da continuidade dos serviços, a solução também aumenta a segurança operacional das equipes da Celesc durante os reparos na infraestrutura energética.
UFSC lidera pesquisas tecnológicas do projeto Energia Celesc a Bordo
A participação da UFSC é considerada uma das bases centrais do desenvolvimento tecnológico da solução. O Laboratório Fotovoltaica da universidade coordena estudos relacionados à eficiência energética, integração elétrica e desempenho das baterias recicladas.
A professora Helena Flávia Naspolini acompanha o projeto desde o início das pesquisas, em 2023, atuando na coordenação técnica dos estudos acadêmicos e das validações do sistema.
Segundo os responsáveis pela iniciativa, o objetivo é criar uma tecnologia capaz de unir sustentabilidade, segurança energética e reaproveitamento inteligente de resíduos eletrônicos.
A parceria entre universidade, concessionária e empresas privadas também fortalece a pesquisa aplicada no setor elétrico brasileiro.
Infraestrutura energética ganha alternativa sustentável para emergências
Além das manutenções programadas, o “Power Bank” da Celesc pode futuramente atuar em situações emergenciais causadas por acidentes ou eventos climáticos extremos.
Tempestades, quedas de árvores e rompimentos de cabos frequentemente deixam bairros inteiros sem energia elétrica. Nessas situações, o sistema móvel pode funcionar como uma solução temporária até o restabelecimento completo da rede.
O projeto acompanha uma tendência internacional de modernização da infraestrutura energética baseada em armazenamento distribuído e reaproveitamento de baterias recicladas.
Em vários países, tecnologias semelhantes já vêm sendo estudadas para:
- apoio a redes elétricas urbanas;
- armazenamento temporário de energia;
- integração com fontes renováveis;
- suporte emergencial em eventos climáticos;
- estabilização de sistemas elétricos locais.
No Brasil, porém, iniciativas desse porte ainda são raras, o que coloca o projeto da Celesc e da UFSC em posição de destaque.
O que torna o “Power Bank” da Celesc um projeto estratégico para o futuro
O avanço da mobilidade elétrica deve aumentar significativamente o número de baterias disponíveis para reutilização nos próximos anos. Com isso, soluções de segunda vida tendem a ganhar espaço na infraestrutura energética global.
Ao transformar baterias recicladas em um sistema móvel capaz de abastecer trechos inteiros temporariamente, a Celesc e a UFSC criam uma alternativa sustentável para um problema crescente do setor elétrico.
O projeto também demonstra como resíduos tecnológicos podem se tornar ferramentas importantes para aumentar a estabilidade da rede elétrica, reduzir impactos de apagões e ampliar a eficiência operacional das distribuidoras.
Mais do que uma solução temporária para manutenções, o Energia Celesc a Bordo surge como exemplo de inovação aplicada à sustentabilidade e à modernização energética brasileira.
Com informações de Notícias da UFSC
