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Poucos conhecem, mas a Índia tem uma muralha de 36 km que cerca um forte nas montanhas e é considerada a segunda maior do mundo, atrás da Muralha da China

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Escrito por Ana Alice Publicado em 12/05/2026 às 23:56
Assista o vídeoForte de Kumbhalgarh, no Rajastão, tem muralha de 36 km, templos, palácios e sistema defensivo nas montanhas Aravalli. (Imagem: Ilustrativa)
Forte de Kumbhalgarh, no Rajastão, tem muralha de 36 km, templos, palácios e sistema defensivo nas montanhas Aravalli. (Imagem: Ilustrativa)
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Fortaleza no Rajastão reúne muralha extensa, templos, palácios e sistemas de água em uma construção de montanha associada à engenharia militar Rajput e ao patrimônio histórico reconhecido pela Unesco.

O Forte de Kumbhalgarh, no estado do Rajastão, no noroeste da Índia, é conhecido por uma muralha que percorre cerca de 36 quilômetros pelas montanhas Aravalli.

Construída no século XV, a fortificação aparece com frequência em publicações de turismo e patrimônio como uma das maiores muralhas contínuas associadas a um forte, embora a comparação com a Muralha da China envolva obras de escala, finalidade e contexto histórico diferentes.

Erguido sob o comando de Rana Kumbha, governante do reino de Mewar, o complexo não foi planejado apenas como barreira militar.

A estrutura reunia funções defensivas, administrativas, religiosas e de abrigo, com palácios, templos, áreas de moradia, reservatórios e caminhos internos distribuídos dentro da área fortificada.

O forte integra o conjunto dos Fortes de Colina do Rajastão, reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco em 2013.

A inscrição reúne seis fortificações do estado indiano e destaca a arquitetura associada aos principados Rajput, que exerceram poder político e militar na região entre os séculos VIII e XVIII.

Muralha de Kumbhalgarh acompanha as montanhas Aravalli

A muralha de Kumbhalgarh acompanha encostas, cumes e curvas naturais das Aravalli, uma das cadeias montanhosas mais antigas da Índia.

Essa adaptação ao terreno tinha função defensiva: ampliava o campo de visão, dificultava o avanço de tropas inimigas e protegia os acessos ao núcleo do forte.

Ao contrário de muralhas lineares erguidas para marcar fronteiras, Kumbhalgarh cercava uma cidadela de montanha.

O objetivo era permitir resistência em períodos de guerra e oferecer refúgio em uma área protegida por barreiras artificiais e obstáculos naturais.

A secretaria de turismo do Rajastão descreve o local como uma cidadela relevante para os governantes de Mewar e destaca a posição isolada do forte em terreno montanhoso.

Esse fator, segundo materiais oficiais de turismo, contribuía para reforçar a capacidade defensiva da construção.

A espessura das paredes varia conforme o trecho.

A medida de 15 metros aparece em relatos turísticos e textos de divulgação, mas fontes patrimoniais consultadas indicam com mais segurança paredes frontais de cerca de 4,5 metros, equivalentes a aproximadamente 15 pés.

Por esse motivo, a dimensão em metros deve ser tratada com cautela.

Ainda assim, a extensão da muralha é um dos elementos mais citados sobre Kumbhalgarh.

Em alguns trechos, a estrutura também servia como via elevada de circulação, permitindo o deslocamento de guardas, mensageiros e soldados ao longo das defesas.

Imagem: Reprodução/Gettyimages
Imagem: Reprodução/Gettyimages

Defesa do Forte de Kumbhalgarh usava portões e altitude

A construção do forte no século XV combinou uso de pedra local, aproveitamento do relevo e controle dos principais acessos.

Rampas, bastiões, passagens estreitas e muros sucessivos ajudavam a organizar a defesa em diferentes pontos do complexo.

Os portões fortificados, chamados de pols, tinham papel central nesse sistema.

Mais do que entradas, eles funcionavam como pontos de controle, nos quais o avanço de invasores podia ser retardado e observado pelas tropas posicionadas em áreas superiores.

Entre os portões mais citados em descrições do forte estão Ram Pol, Hanuman Pol e Vijay Pol.

A disposição desses acessos, em caminhos inclinados e sucessivos, obrigava qualquer força atacante a avançar por rotas previsíveis e com menor velocidade.

Em uma fortaleza de montanha, essa combinação de altitude, barreiras físicas e controle das passagens era parte essencial da estratégia defensiva.

O ponto mais alto do conjunto fica a mais de 1.100 metros acima do nível do mar, o que ampliava a observação sobre a região ao redor.

A topografia também ajudava a reduzir a efetividade de ataques diretos.

Tropas em deslocamento precisavam lidar com subidas, curvas, estreitamentos e áreas expostas antes de alcançar os pontos internos do forte.

Templos e palácios dentro da fortaleza indiana

A muralha de Kumbhalgarh protegia um complexo amplo, e não apenas uma construção isolada.

O interior reunia estruturas religiosas, áreas residenciais, palácios, caminhos internos e sistemas de abastecimento.

Registros turísticos oficiais da Índia citam 360 templos dentro da fortaleza, entre construções hindus e jainistas.

Esse dado aparece com frequência em descrições do local e ajuda a explicar por que o forte é analisado também como paisagem cultural.

A presença de templos, palácios e reservatórios mostra que a fortificação concentrava funções militares, religiosas e administrativas.

Em vez de servir apenas como posto de defesa, Kumbhalgarh abrigava diferentes atividades ligadas ao poder de Mewar.

O local também é associado ao nascimento de Maharana Pratap, governante Rajput lembrado na história regional por sua resistência ao Império Mughal.

Essa relação reforça o peso simbólico do forte para o Rajastão e para a memória política de Mewar.

Entre as construções internas, o Badal Mahal, conhecido como “Palácio das Nuvens”, está localizado na parte superior do complexo.

A edificação é citada em materiais turísticos como uma das estruturas mais visitadas dentro do forte.

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Reservatórios de água sustentavam a resistência

Em uma região marcada por clima seco e variações na disponibilidade de água, o abastecimento era um ponto decisivo para a sobrevivência de uma fortaleza.

Por isso, Kumbhalgarh incorporava reservatórios, tanques e sistemas de captação de água da chuva.

Essas estruturas reduziam a dependência de fontes externas durante períodos de cerco.

Em fortes de montanha, a capacidade de resistir não dependia apenas da muralha, mas também da disponibilidade de água, alimentos e rotas internas de circulação.

Relatos populares afirmam que uma queda temporária do forte no século XVI teria sido favorecida por contaminação ou sabotagem do abastecimento de água.

No entanto, essa versão não aparece confirmada de forma segura em fontes oficiais consultadas, por isso não deve ser apresentada como fato comprovado.

O dado histórico mais documentado é que forças ligadas ao imperador Akbar, sob comando de Shahbaz Khan, capturaram Kumbhalgarh após um cerco entre 1577 e 1578.

Essa informação situa o episódio no contexto das disputas entre Mewar e o Império Mughal.

Depois desse período, o forte voltou a aparecer na história regional de Mewar.

A trajetória da fortificação mostra que, apesar da fama de resistência, seu controle também dependia de fatores políticos, militares e estratégicos que iam além da arquitetura.

Comparação com a Grande Muralha da China exige cautela

A comparação com a Grande Muralha da China se tornou comum por causa da extensão contínua da muralha de Kumbhalgarh.

No entanto, as duas estruturas têm propósitos distintos e pertencem a categorias diferentes de construção militar.

A Muralha da China é um sistema de fortificações de fronteira que, somados seus trechos, ultrapassa 21 mil quilômetros, segundo levantamentos oficiais amplamente divulgados.

Já Kumbhalgarh é uma fortaleza de colina, com uma muralha que cerca um conjunto defensivo específico.

Por esse motivo, a expressão “segunda maior muralha do mundo” deve ser usada com ressalva.

Ela aparece em materiais turísticos e reportagens, mas não equivale a uma classificação universal aplicada a todos os tipos de muralhas, muros e sistemas defensivos do planeta.

Mesmo com essa observação, os 36 quilômetros atribuídos à muralha de Kumbhalgarh colocam o forte entre as obras defensivas mais extensas associadas a uma cidadela.

A construção segue o relevo das montanhas e delimita uma área fortificada que combinava defesa, moradia, religião e administração.

A leitura histórica da obra exige diferenciar impacto turístico, tradição local e documentação patrimonial.

Essa distinção evita transformar uma comparação popular em afirmação absoluta sem critério técnico definido.

Patrimônio do Rajastão ainda é menos conhecido fora da Índia

Apesar do reconhecimento da Unesco, Kumbhalgarh permanece menos conhecido internacionalmente do que destinos indianos como o Taj Mahal, os palácios de Jaipur e os ghats de Varanasi.

A localização em área montanhosa e a distância dos roteiros turísticos mais populares ajudam a explicar essa menor visibilidade.

O acesso costuma ocorrer a partir de cidades como Udaipur, no Rajastão.

A visita atrai interessados em história, arquitetura, arqueologia e turismo cultural, especialmente pela combinação entre paisagem de montanha e estruturas fortificadas.

Para pesquisadores de patrimônio e conservação, Kumbhalgarh é um exemplo de integração entre defesa militar, gestão de água, arquitetura religiosa e ocupação do território.

A muralha chama atenção pela extensão, mas o conjunto interno também explica a importância histórica da fortaleza.

O caso de Kumbhalgarh mostra como sociedades pré-modernas usavam relevo, materiais locais e sistemas de abastecimento para sustentar grandes complexos defensivos.

Em vez de depender apenas de muros altos, a proteção envolvia planejamento territorial, controle de acessos e administração de recursos.

A muralha indiana segue associada à ideia de grandiosidade por causa de sua escala e de sua implantação nas Aravalli.

Ao mesmo tempo, sua história exige cautela com comparações diretas e números repetidos sem padronização.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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