A visita ao centro industrial da BYD em Zhengzhou revela produção totalmente integrada, tecnologia avançada e ambição global em um momento decisivo para a expansão dos veículos elétricos e para a consolidação da liderança chinesa no setor
A visita a megafábrica da BYD em Zhengzhou revela um cenário difícil de comparar com qualquer outra fábrica do setor. O espaço lembra uma cidade inteira voltada à mobilidade elétrica, porque tudo ali funciona em escala monumental. A planta cobre 10,67 km², área similar a dezenas de estádios somados. Esse tamanho chama atenção e reforça a ambição do grupo.
Jornalistas e influenciadores de vários continentes foram convidados para conhecer a megafábrica. Mais de 250 profissionais circularam pelos galpões com o objetivo assumido de causar impacto.
A estratégia foi confirmada por Stella Li, vice-presidente executiva responsável pelas vendas internacionais.
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Ela conduz a expansão global da marca ao lado de Wang Chuanfu, fundador da empresa. Ambos apostam em visibilidade internacional num momento de desaceleração do mercado doméstico.
A competição interna aumentou muito com mais de 40 fabricantes de elétricos disputando clientes na China.
Integração total na produção na megafábrica
O complexo de Zhengzhou funciona como o principal centro produtivo para o mercado chinês. A dimensão do local tem relação direta com o nível de verticalização.
A BYD fabrica 70% das peças internamente, portanto controla motores elétricos, módulos eletrônicos, baterias, amortecedores, tetos solares e sistemas de ar-condicionado.
Além disso, a megafábrica reúne 57 mil trabalhadores. As linhas são altamente flexíveis e utilizam automação superior a 98%.
Quase dois mil robôs operam na soldagem, permitindo que até 12 modelos sejam montados na mesma linha. Song Pro, Seal 07, Shark e Denza B8 fazem parte do portfólio produzido ali.
Outro destaque é o Power Battery Park, onde nasce a Blade Battery. A bateria é reconhecida por segurança e densidade energética. Os galpões chamam atenção pelo silêncio.
As prensas ficam isoladas em cabines acústicas e poucos operadores aparecem no chão de fábrica. Essa cena reforça a combinação de eficiência e automação típica da indústria chinesa.
A transformação do mercado chinês
O setor automotivo da China vive uma mudança profunda. Entre 2009 e 2023, o governo investiu mais de US$ 230 bilhões em subsídios voltados ao desenvolvimento dos veículos elétricos.
O impulso gerou efeitos diretos porque o país se tornou o maior exportador de automóveis em 2023, ultrapassando o Japão.
Hoje são 46 montadoras dedicadas a elétricos em território chinês. O consumo doméstico também subiu. Foram 31,4 milhões de carros vendidos em 2023, com 41% do total formado por elétricos ou híbridos.
O modelo chinês combina incentivos fiscais, mão de obra barata, estrutura de baterias e tecnologia própria.
Portanto, os preços caíram e a adoção cresceu rapidamente. Para analistas, existe uma motivação estratégica clara: ampliar presença internacional mesmo com margens menores no mercado interno.
A liderança global da BYD
A BYD aparece no centro desse avanço. Em 2024, a fabricante superou a Tesla em produção de elétricos puros.
A empresa começou em 1994 como produtora de baterias e hoje está presente em mais de 100 países e 400 cidades. Seus negócios incluem energia limpa e transporte ferroviário.
Carregamento em cinco minutos
A montadora estreia agora a tecnologia Flash Charging. O sistema carrega um veículo em cinco minutos e oferece 400 km de autonomia. A potência chega a 1 megawatt.
O Han L foi o primeiro modelo equipado com a solução. A empresa instalou as primeiras unidades na China e planeja exportar. Do total previsto de 6.000 carregadores, 800 devem chegar ao Brasil.
A expansão no Brasil
A estratégia global também passa pela América do Sul. Em outubro de 2025, a BYD iniciou a produção nacional em Camaçari, na Bahia, com presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O investimento de R$ 5,5 bilhões deve gerar 20 mil empregos diretos e indiretos.
A meta inicial era de 300 mil unidades por ano até 2030. O novo plano dobra essa previsão para 600 mil veículos anuais.
Além disso, a empresa pretende ocupar posição entre as três maiores montadoras do país.
A combinação de tecnologia, escala e ambição mostra que a evolução da mobilidade elétrica aponta para um polo de influência central.
E esse polo, como reforça a trajetória da BYD, permanece firmemente instalado na China.
Com informações de UOL.

