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Por décadas parecia história de marinheiro, até cientistas fotografarem lulas ‘voadoras’ no Pacífico: cardume com cerca de 100 animais dispara para fora do oceano, usa propulsão a jato e percorre até 30 metros pelo ar

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Escrito por Viviane Alves Publicado em 13/08/2026 às 15:44 Atualizado em 13/08/2026 às 15:49
Lulas voadoras saltando sobre o Oceano Pacífico durante deslocamento aéreo impulsionado por jatos de água.
Registro ilustrativo mostra animais deixando a superfície do oceano, comportamento associado às lulas voadoras estudadas no Pacífico.
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Pesquisadores japoneses registraram lulas deixando o Oceano Pacífico, abrindo braços e nadadeiras no ar e transformando velocidade subaquática em deslocamentos de dezenas de metros.

Durante décadas, histórias sobre lulas capazes de sair do oceano e avançar pelo ar pareciam pertencer mais aos relatos de marinheiros do que à ciência.

Essa percepção começou a mudar em julho de 2011, quando pesquisadores japoneses acompanharam um cardume com cerca de 100 lulas no Oceano Pacífico.

A observação ocorreu aproximadamente 595 quilômetros distante de Tóquio.

Durante o episódio, animais romperam a superfície e percorreram cerca de 30 metros pelo ar antes de retornar à água.

Câmeras presentes na expedição registraram diferentes fases do movimento.

Essas imagens permitiram aos cientistas compreender melhor como determinadas lulas conseguem transformar sua propulsão dentro da água em um rápido deslocamento aéreo.

O comportamento foi descrito posteriormente, em 2013, no estudo Oceanic squid do fly, publicado na revista científica Marine Biology.

Propulsão a jato explica como as lulas deixam o oceano

O movimento começa ainda abaixo da superfície.

As lulas possuem uma estrutura muscular semelhante a um funil conhecida como hipônomo.

Primeiramente, o animal puxa água para dentro da cavidade corporal.

Na sequência, essa água é expelida com força pelo hipônomo.

Esse mecanismo cria uma poderosa propulsão a jato, utilizada normalmente pelas lulas para nadar rapidamente.

Algumas espécies conseguem produzir impulso suficiente para romper a superfície e continuar avançando pelo ar.

Durante o percurso aéreo, braços, membranas e nadadeiras são abertos.

As fotografias realizadas em 2011 mostraram etapas distintas do movimento, começando pela aceleração submersa e terminando no retorno ao oceano.

O animal, portanto, não bate asas como uma ave.

Na prática, a velocidade acumulada debaixo da água sustenta um curto deslocamento aéreo.

Estudos anteriores já descreviam grupos de lulas no ar

O fenômeno não era completamente desconhecido antes das fotografias de 2011.

Um estudo japonês publicado em 1988 já havia registrado grupos de Ommastrephes bartramii realizando movimentos aéreos no Pacífico Norte.

As observações ocorreram entre julho e agosto de 1984.

Os grupos reuniam entre 10 e 300 indivíduos.

Durante aqueles registros, as lulas percorriam aproximadamente 10 a 20 metros.

Os animais permaneciam entre um e dois metros acima da superfície do oceano.

O episódio registrado décadas depois trouxe um diferencial importante.

As fotografias permitiram documentar visualmente cada etapa do movimento e ajudaram a detalhar o mecanismo utilizado pelos animais.

Motivo para as lulas saírem da água ainda intriga cientistas

A razão exata para esse comportamento ainda não possui uma resposta definitiva.

Uma das principais hipóteses científicas envolve a fuga de predadores.

A saída temporária da água poderia ajudar as lulas a escapar rapidamente de peixes maiores ou de outros animais perseguidores.

Outra possibilidade envolve uma maior eficiência de deslocamento em determinadas circunstâncias.

As evidências disponíveis, porém, não permitem determinar exatamente o que motivou o episódio observado em 2011.

Qualquer afirmação de que o cardume estava fugindo especificamente de um tubarão, por exemplo, ultrapassaria aquilo que foi documentado.

Lula-voadora-neon pode ser encontrada em três oceanos

Entre as espécies apontadas como provável participante do episódio aparece a lula-voadora-neon, ou Ommastrephes bartramii.

Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, a FAO, essa espécie possui uma ampla distribuição oceânica.

A lula-voadora-neon ocorre em regiões subtropicais e parcialmente temperadas dos oceanos Pacífico, Atlântico e Índico.

Populações encontradas no Pacífico Norte também realizam grandes migrações.

Esses deslocamentos acontecem entre águas subtropicais e regiões subárticas, principalmente durante a busca por alimento.

O tamanho alcançado pela espécie também chama atenção.

Uma fêmea capturada no Pacífico Tropical Oriental, em 2007, apresentou 1,02 metro de comprimento somente no manto.

O exemplar pesava aproximadamente 35 quilos.

Sua idade foi estimada entre 492 e 512 dias.

Dados da FAO indicam, entretanto, tamanhos máximos normalmente inferiores ao exemplar recordista e diferenças entre populações e sexos.

Vida curta contrasta com migrações de grande distância

A lula-voadora-neon apresenta um ciclo de vida relativamente curto.

Pesquisas realizadas com animais do Pacífico Norte apontam para uma duração próxima de um ano.

Um estudo publicado em 2023 identificou um indivíduo com 271 dias de idade.

O resultado reforçou as evidências de que a espécie completa seu ciclo aproximadamente dentro desse período.

Durante essa vida curta, esses animais precisam crescer rapidamente, reproduzir-se e percorrer extensas áreas oceânicas.

A alimentação também inclui diferentes organismos marinhos.

Análises de conteúdo estomacal já identificaram peixes, outros cefalópodes e pequenos polvos entre suas presas.

Fotografar uma lula “voando” continua sendo um fenômeno raro

A capacidade de abandonar temporariamente a água aparece em diferentes espécies da família Ommastrephidae.

Presenciar o comportamento, no entanto, continua sendo algo incomum.

Essa dificuldade ajuda a explicar por que histórias envolvendo lulas voadoras permaneceram, durante tanto tempo, associadas principalmente aos relatos de quem navegava pelos oceanos.

As observações científicas mudaram essa percepção.

Em poucos segundos, os animais conseguem acelerar debaixo da superfície, utilizar propulsão a jato, romper o oceano e abrir braços e nadadeiras durante o percurso aéreo.

O deslocamento pode alcançar dezenas de metros antes do retorno à água.

Uma cena que durante anos poderia ser recebida como exagero de marinheiros acabou registrada e analisada pela ciência.

Para algumas lulas, a superfície do oceano não representa necessariamente o fim do caminho.

Você imaginava que uma lula pudesse usar a própria velocidade debaixo da água para percorrer dezenas de metros pelo ar?

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Viviane Alves

Redatora com foco na produção de conteúdos estratégicos voltados para macro e microeconomia, geopolítica, mercado energético, setor automotivo e comércio global.

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