1. Início
  2. Curiosidades
  3. Depois de aprender a ler só aos 11 anos, dar aulas aos 15 para juntar dinheiro e virar morador de rua em Goiânia aos 20, maranhense trabalha enquanto cursa Direito e Engenharia Elétrica, insiste no sonho de infância e, aos 35, conquista o 26º lugar em Medicina na UFPA até se tornar ginecologista e obstetra no Pará
Faça um comentário 7 min de leitura

Depois de aprender a ler só aos 11 anos, dar aulas aos 15 para juntar dinheiro e virar morador de rua em Goiânia aos 20, maranhense trabalha enquanto cursa Direito e Engenharia Elétrica, insiste no sonho de infância e, aos 35, conquista o 26º lugar em Medicina na UFPA até se tornar ginecologista e obstetra no Pará

Imagem de perfil do autor Carla Teles
Escrito por Carla Teles Publicado em 13/08/2026 às 12:19
Depois de aprender a ler só aos 11 anos, dar aulas aos 15 para juntar dinheiro e virar morador de rua em Goiânia aos 20, maranhense trabalha enquanto cursa Direito e Engenharia Elétrica
Morador de rua em Goiânia, Domingos cursou Direito, insistiu em Medicina e conquistou o 26º lugar na UFPA aos 35 anos. Imagem: INDSH
  • Reação
1 pessoa reagiu a isso.
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

Domingos Costa saiu de Monte Altos, no Maranhão, tornou-se morador de rua em Goiânia e depois trabalhou enquanto cursava Direito e Engenharia Elétrica em São Paulo. Em 2008, aos 35 anos, foi aprovado em 26º lugar em Medicina na UFPA e mais tarde tornou-se ginecologista e obstetra atuante no Pará.

Antes de se tornar médico, Domingos Costa percorreu uma trajetória marcada por mudanças de cidade, trabalho e interrupções nos estudos. Natural de Monte Altos, no Maranhão, ele aprendeu a ler apenas aos 11 anos, começou a dar aulas aos 15 para juntar dinheiro e, aos 20, tornou-se morador de rua em Goiânia depois de ficar sem emprego e sem recursos. Mesmo depois de sair das ruas e seguir para São Paulo, o objetivo de infância de cursar Medicina continuou acompanhando suas decisões.

A história foi relatada pelo Hospital Geral de Tailândia, unidade no Pará administrada pelo INDSH, em publicação de 21 de outubro de 2022, e também pelo jornal O Liberal em 19 de outubro daquele ano. As duas fontes registram que Domingos foi aprovado em 2008, aos 35 anos, em 26º lugar no vestibular de Medicina da Universidade Federal do Pará (UFPA). Anos depois, já formado, passou a atuar como ginecologista e obstetra no Pará.

Domingos Costa aprendeu a ler somente aos 11 anos

A trajetória escolar começou mais tarde do que costuma ocorrer. Domingos contou que sua mãe havia estudado até a quinta série e que o pai era analfabeto. Em Monte Altos, município maranhense onde nasceu, as condições para estudar eram limitadas, segundo seu próprio relato, e foi a percepção do avô sobre seu interesse pela aprendizagem que ajudou a mudar o caminho da família.

Domingos passou então a morar com os avós para conseguir estudar. Depois que aprendeu a ler aos 11 anos, disse ter desenvolvido gosto pelos livros e não ter mais abandonado os estudos, chegando a pegar materiais emprestados em biblioteca para continuar aprendendo em casa durante o dia e à noite.

Médico de jaleco despertou um sonho ainda na infância

O desejo de seguir Medicina surgiu quando Domingos ainda era menino. Ele recordou que costumava observar, em um posto de saúde, um homem vestido de branco e carregando uma mala preta. Sem saber exatamente quem era aquela pessoa, perguntou à avó e ouviu que se tratava do médico da cidade.

A imagem permaneceu como referência para o garoto. Domingos decidiu que também queria ser médico, mesmo vivendo em um contexto no qual o acesso à educação formal havia começado tarde e a família não dispunha de condições financeiras suficientes para financiar facilmente uma formação distante de sua cidade natal.

Aos 15 anos, começou a dar aulas para juntar dinheiro

Morador de rua em Goiânia, Domingos cursou Direito, insistiu em Medicina e conquistou o 26º lugar na UFPA aos 35 anos.
Imagem:(Reprodução / Agência Pará)

O avanço nos estudos levou Domingos a assumir cedo também o papel de professor. Aos 15 anos, ele começou a ministrar aulas de português, redação e matemática para outros jovens, usando conhecimentos que havia adquirido poucos anos depois de aprender a ler.

O dinheiro obtido nessas aulas era guardado com um objetivo específico. Ele pretendia formar uma reserva para investir nos próprios estudos quando chegasse a época de prestar vestibular e precisasse sair de sua cidade, uma estratégia construída ainda na adolescência para tentar alcançar oportunidades que Monte Altos não oferecia.

Aos 20 anos, foi para Goiânia e acabou vivendo nas ruas

Quando completou 20 anos, Domingos decidiu tentar a vida em Goiânia, capital de Goiás. A mudança, porém, não produziu imediatamente a oportunidade que esperava. Sem conseguir emprego e vendo o dinheiro terminar, chegou a uma situação em que não possuía recursos para manter moradia.

Foi nesse período que se tornou morador de rua. Domingos relatou que não encontrou outra saída e passou a viver nas ruas da capital goiana. A situação começou a mudar depois que algumas pessoas conheceram sua história e o ajudaram a deixar as ruas, permitindo que retomasse a busca por trabalho e estudo.

Depois de sair das ruas, mudou-se para São Paulo

A passagem por Goiânia não encerrou a tentativa de construir uma formação profissional. Depois de receber ajuda e deixar a condição de morador de rua, Domingos mudou-se para São Paulo, onde encontrou trabalho e voltou a estudar.

Na capital paulista, cursou Direito e Engenharia Elétrica enquanto trabalhava. As fontes não informam que ele tenha concluído essas duas graduações; O Liberal registra que acabou deixando os cursos para continuar perseguindo o objetivo que considerava realmente seu. Apesar de experimentar outras áreas, Medicina permaneceu como o projeto profissional iniciado ainda na infância.

Direito e Engenharia Elétrica não substituíram o antigo objetivo

A passagem por dois cursos superiores mostra que Domingos tentou construir alternativas enquanto precisava trabalhar para se manter. Direito e Engenharia Elétrica representavam caminhos possíveis naquele momento, mas nenhum deles eliminou a intenção de disputar uma vaga em Medicina.

Segundo seu relato, o sonho continuava sendo tornar-se médico. A experiência como morador de rua, as dificuldades econômicas e as tentativas anteriores de vestibular não fizeram com que abandonasse definitivamente esse projeto, embora o percurso até a aprovação tenha levado vários anos.

Aprovação só veio depois de várias tentativas

Domingos continuou prestando vestibular para Medicina e acumulou tentativas sem conseguir a vaga desejada. Em 2008, aos 35 anos, decidiu que faria mais uma prova e estabeleceu para si mesmo que aquela seria sua última tentativa.

O resultado mudou a trajetória. Ele foi aprovado em 26º lugar no vestibular de Medicina da Universidade Federal do Pará, conquista que, segundo contou posteriormente, foi difícil de acreditar diante das adversidades enfrentadas e das pessoas que haviam tratado seu objetivo como algo inalcançável.

Aos 35 anos, entrou em Medicina na UFPA

A aprovação na UFPA representou a entrada formal no curso que Domingos perseguia desde a infância. O resultado veio 24 anos depois de ter aprendido a ler e 15 anos depois da fase em que, aos 20, havia vivido nas ruas de Goiânia.

A distância entre esses momentos ajuda a dimensionar a duração do percurso. Não houve uma transição direta da dificuldade para o sucesso: entre a alfabetização tardia e o vestibular aprovado existiram trabalho, aulas dadas, mudanças de estado, situação de rua, outros cursos universitários e sucessivas tentativas de entrar em Medicina.

Formação levou Domingos à ginecologia e obstetrícia

Depois de cursar Medicina, Domingos construiu carreira como ginecologista e obstetra no Pará. Em 2022, quando o Hospital Geral de Tailândia apresentou sua trajetória durante as homenagens pelo Dia do Médico, ele tinha 49 anos e trabalhava havia dois anos na unidade.

O HGT destacou Domingos ao lado de outros profissionais da instituição. Naquele momento, o antigo morador de rua atendia pacientes como médico a serviço do Estado, posição que contrastava diretamente com a fase em que, décadas antes, não tinha emprego nem lugar para morar em Goiânia.

Hospital Geral de Tailândia destacou sua trajetória em homenagem

Em outubro de 2022, o Hospital Geral de Tailândia promoveu uma homenagem a médicos que haviam sido bem avaliados pelo Serviço de Atendimento ao Usuário. Entre os profissionais citados estavam os ginecologistas e obstetras Domingos Costa e Ronaldo Farias e o cirurgião geral Ananias Manoel.

Foi nesse contexto que a história de Domingos voltou a ganhar destaque público. O hospital apresentou sua trajetória não apenas pela formação médica, mas pelo caminho percorrido desde uma infância com acesso limitado aos estudos até a atuação profissional no sistema de saúde paraense.

História reúne alfabetização tardia, trabalho e persistência

A biografia de Domingos não se resume ao período em que foi morador de rua. Antes disso, houve a alfabetização aos 11 anos, a mudança para a casa dos avós e o trabalho como professor adolescente; depois, vieram São Paulo, Direito, Engenharia Elétrica e novas tentativas de vestibular.

Esses episódios ajudam a compreender por que a aprovação de 2008 ganhou significado especial para ele. Quando o resultado colocou seu nome em 26º lugar para Medicina na UFPA, Domingos já havia atravessado diferentes etapas de trabalho e estudo sem abandonar o objetivo estabelecido ainda quando observava o médico de sua cidade.

Do período nas ruas ao atendimento de pacientes no Pará

Décadas depois de não ter onde morar em Goiânia, Domingos Costa passou a ocupar o outro lado de uma história iniciada diante de um posto de saúde no Maranhão. O menino que perguntava à avó quem era o homem de branco tornou-se ginecologista e obstetra e passou a atender usuários do sistema de saúde no Pará.

A trajetória do antigo morador de rua mostra um percurso construído durante décadas, sem atalhos entre a alfabetização aos 11 anos e a carreira médica. O que mais chama sua atenção nessa história: ter começado a ler tarde, ter continuado estudando depois de viver nas ruas ou ter conquistado Medicina aos 35 anos após tantas tentativas? Conte sua opinião nos comentários.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Carla Teles

Produzo conteúdos diários sobre economia, curiosidades, setor automotivo, tecnologia, inovação, construção e setor de petróleo e gás, com foco no que realmente importa para o mercado brasileiro. Aqui, você encontra oportunidades de trabalho atualizadas e as principais movimentações da indústria. Tem uma sugestão de pauta ou quer divulgar sua vaga? Fale comigo: carlatdl016@gmail.com

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x