O ministro da Infraestrutura italiano, Matteo Salvini, confirmou em fevereiro o início ainda em 2026 das obras da Ponte do Estreito de Messina, projeto de € 13,5 bilhões com vão suspenso de 3.300 metros entre Sicília e continente que será o maior do mundo, com torres de 399 metros e cabos de aço com 170 mil toneladas.
A Ponte do Estreito de Messina será construída entre Capo Peloro, na Sicília, e Punta Pezzo, na Calábria.
De acordo com a Webuild Group, líder do consórcio Eurolink, a obra começa após décadas de planejamento.
Conforme dados oficiais, o comprimento total da ponte é de 3.666 metros, com vão livre suspenso de 3.300 metros.
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Em comparação, a ponte recordista atual é a 1915 Çanakkale, na Turquia, com 2.023 metros de vão.
Por isso, Messina vai superar Çanakkale em 1.277 metros — mais de 60% maior.
Posteriormente, a obra deve durar oito anos, com entrega prevista para 2034.
As torres da Ponte do Estreito de Messina vão ter 399 metros de altura
De acordo com o projeto, cada torre vai pesar 55.000 toneladas de aço de alta resistência.
Em comparação, a Torre Eiffel pesa 10 mil toneladas — Messina precisa de cinco torres Eiffel apenas em torres.
Conforme a IHI Corporation, parceira japonesa do consórcio, o aço usado vai ter limite de escoamento 1,5 vezes maior que o padrão.
Em primeiro lugar, isso permite reduzir o peso da estrutura sem perder rigidez.
Em segundo lugar, a tecnologia também garante resistência a sismos de magnitude 7,5.
Por outro lado, os engenheiros têm preocupação com a falha de Messina, sismicamente ativa há séculos.

Os cabos de aço da Ponte do Estreito de Messina pesam 170 mil toneladas
Os quatro cabos principais vão ter 1,26 metro de diâmetro cada.
De acordo com a Webuild, os fios de aço combinados totalizam 940 mil quilômetros.
Em outras palavras, dariam 2,5 vezes a distância entre a Terra e a Lua.
Conforme a Stretto di Messina S.p.A., responsável pelo projeto, cada cabo vai suportar 100 mil toneladas de tração.
Em primeiro lugar, isso é mais do que o peso de 10 torres Eiffel combinadas.
Em segundo lugar, a corrosão dos cabos é o maior risco em ponte marítima.
Como reportou o Construction Review Online, a Webuild vai usar revestimento triplo de zinco e polímero.
Enquanto a Ponte Salvador-Itaparica é debatida há 23 anos, a Itália inicia obra de 3.300 metros
O projeto da Ponte Salvador-Itaparica, na Bahia, começou a ser discutido em 2003.
De acordo com a Agência Estadual de Regulação, a obra foi licitada em 2019, mas ainda não começou.
Em comparação direta, a Itália aprovou Messina em 2024 e inicia a obra dois anos depois.
Conforme dados do DNIT, o Brasil tem 159 mil quilômetros de rodovias federais com mais de 2 mil pontes envelhecidas.
Em outras palavras, a malha viária precisa de investimento maior que o de Messina apenas para manutenção.
Por outro lado, a Ponte da Imigração de Florianópolis, a maior em arcos do Brasil, foi concluída em 2026 após oito anos.
- Comprimento total: 3.666 metros
- Vão suspenso: 3.300 metros (recorde mundial)
- Torres: 399 metros (recorde mundial em ponte)
- Peso de cada torre: 55.000 toneladas
- Cabos: 170.000 toneladas de aço total
- Custo: € 13,5 bilhões (US$ 14,8 bilhões)
- Entrega prevista: 2034

A Ponte do Estreito de Messina tem história que vai dos romanos a Salvini
O imperador romano Calígula chegou a ordenar construção de ponte em 38 d.C., mas o projeto não foi adiante.
De acordo com arquivos italianos, o projeto moderno foi proposto pela primeira vez em 1969.
Conforme registros, Silvio Berlusconi aprovou o início em 2009, mas Mario Monti cancelou em 2013.
Em 2023, o governo Meloni reaprovou o projeto com novo custo recalculado.
Posteriormente, em fevereiro de 2026, Salvini confirmou início para esse ano.
Da mesma forma, a ponte recebe 100% de financiamento público italiano por causa do papel estratégico.
A Ponte do Estreito de Messina vai mover 6 mil veículos por hora e dois trens simultâneos
De acordo com o projeto, a ponte vai ter seis pistas rodoviárias e duas linhas ferroviárias.
Conforme estudos da Stretto di Messina, o tráfego previsto é de 6 mil veículos por hora.
Em comparação, a Ponte Rio-Niterói, no Brasil, move 4 mil veículos por hora.
Em outras palavras, Messina vai ter 50% mais capacidade que a maior ponte brasileira.
Por isso, o tempo de travessia entre Sicília e continente cai de 1 hora (de balsa) para 10 minutos.
Como reportou a CBS News, a economia da Sicília deve crescer 15% após a abertura da ponte.

O acervo do CPG já cobriu megapontes ao redor do mundo
O CPG publicou recentemente sobre as megapontes chinesas com vãos recordes, no acervo do site.
Posteriormente, o site publicou análise sobre a infraestrutura de pontes no Brasil, com foco em projetos atrasados.
Em outras palavras, Messina entra como um marco europeu nesse cenário mundial.
Por outro lado, há ambientalistas que alertam para o impacto do projeto no ecossistema marinho do estreito.
Próximos passos: fundação das torres começa em outubro de 2026
Em primeiro lugar, a Webuild vai começar a fundação das torres no segundo semestre de 2026.
Em seguida, a estrutura principal sobe entre 2027 e 2030.
Por fim, os cabos serão instalados entre 2030 e 2032.
Porém, há quem questione se o orçamento de € 13,5 bilhões vai aguentar até a entrega.
No entanto, o governo italiano garante que recursos estão alocados até 2034. Ainda assim, a Ponte do Estreito de Messina vai virar o ícone europeu de megaengenharia do século 21.

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