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Enquanto pontes brasileiras seguem em planejamento, a Itália começa em 2026 a ponte do Estreito de Messina com vão recorde de 3.300 metros e torres de 399 metros

Escrito por Douglas Avila
Publicado em 14/05/2026 às 17:00
Atualizado em 14/05/2026 às 17:02
Renderização da futura Ponte do Estreito de Messina
Renderização da futura Ponte do Estreito de Messina (representação artística).
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O ministro da Infraestrutura italiano, Matteo Salvini, confirmou em fevereiro o início ainda em 2026 das obras da Ponte do Estreito de Messina, projeto de € 13,5 bilhões com vão suspenso de 3.300 metros entre Sicília e continente que será o maior do mundo, com torres de 399 metros e cabos de aço com 170 mil toneladas.

A Ponte do Estreito de Messina será construída entre Capo Peloro, na Sicília, e Punta Pezzo, na Calábria.

De acordo com a Webuild Group, líder do consórcio Eurolink, a obra começa após décadas de planejamento.

Conforme dados oficiais, o comprimento total da ponte é de 3.666 metros, com vão livre suspenso de 3.300 metros.

Em comparação, a ponte recordista atual é a 1915 Çanakkale, na Turquia, com 2.023 metros de vão.

Por isso, Messina vai superar Çanakkale em 1.277 metros — mais de 60% maior.

Posteriormente, a obra deve durar oito anos, com entrega prevista para 2034.

As torres da Ponte do Estreito de Messina vão ter 399 metros de altura

De acordo com o projeto, cada torre vai pesar 55.000 toneladas de aço de alta resistência.

Em comparação, a Torre Eiffel pesa 10 mil toneladas — Messina precisa de cinco torres Eiffel apenas em torres.

Conforme a IHI Corporation, parceira japonesa do consórcio, o aço usado vai ter limite de escoamento 1,5 vezes maior que o padrão.

Em primeiro lugar, isso permite reduzir o peso da estrutura sem perder rigidez.

Em segundo lugar, a tecnologia também garante resistência a sismos de magnitude 7,5.

Por outro lado, os engenheiros têm preocupação com a falha de Messina, sismicamente ativa há séculos.

A Ponte do Estreito de Messina exige torres de 399 metros em aço de alta resistência
Construtores soldam estrutura de aço para as torres de 399 metros da ponte (representação artística).

Os cabos de aço da Ponte do Estreito de Messina pesam 170 mil toneladas

Os quatro cabos principais vão ter 1,26 metro de diâmetro cada.

De acordo com a Webuild, os fios de aço combinados totalizam 940 mil quilômetros.

Em outras palavras, dariam 2,5 vezes a distância entre a Terra e a Lua.

Conforme a Stretto di Messina S.p.A., responsável pelo projeto, cada cabo vai suportar 100 mil toneladas de tração.

Em primeiro lugar, isso é mais do que o peso de 10 torres Eiffel combinadas.

Em segundo lugar, a corrosão dos cabos é o maior risco em ponte marítima.

Como reportou o Construction Review Online, a Webuild vai usar revestimento triplo de zinco e polímero.

Enquanto a Ponte Salvador-Itaparica é debatida há 23 anos, a Itália inicia obra de 3.300 metros

O projeto da Ponte Salvador-Itaparica, na Bahia, começou a ser discutido em 2003.

De acordo com a Agência Estadual de Regulação, a obra foi licitada em 2019, mas ainda não começou.

Em comparação direta, a Itália aprovou Messina em 2024 e inicia a obra dois anos depois.

Conforme dados do DNIT, o Brasil tem 159 mil quilômetros de rodovias federais com mais de 2 mil pontes envelhecidas.

Em outras palavras, a malha viária precisa de investimento maior que o de Messina apenas para manutenção.

Por outro lado, a Ponte da Imigração de Florianópolis, a maior em arcos do Brasil, foi concluída em 2026 após oito anos.

  • Comprimento total: 3.666 metros
  • Vão suspenso: 3.300 metros (recorde mundial)
  • Torres: 399 metros (recorde mundial em ponte)
  • Peso de cada torre: 55.000 toneladas
  • Cabos: 170.000 toneladas de aço total
  • Custo: € 13,5 bilhões (US$ 14,8 bilhões)
  • Entrega prevista: 2034
Os cabos da Ponte do Estreito de Messina somam 170 mil toneladas e dão 2,5 voltas Terra-Lua
Cabo de suspensão de 1,26 metro de diâmetro será usado em Messina (representação artística).

A Ponte do Estreito de Messina tem história que vai dos romanos a Salvini

O imperador romano Calígula chegou a ordenar construção de ponte em 38 d.C., mas o projeto não foi adiante.

De acordo com arquivos italianos, o projeto moderno foi proposto pela primeira vez em 1969.

Conforme registros, Silvio Berlusconi aprovou o início em 2009, mas Mario Monti cancelou em 2013.

Em 2023, o governo Meloni reaprovou o projeto com novo custo recalculado.

Posteriormente, em fevereiro de 2026, Salvini confirmou início para esse ano.

Da mesma forma, a ponte recebe 100% de financiamento público italiano por causa do papel estratégico.

A Ponte do Estreito de Messina vai mover 6 mil veículos por hora e dois trens simultâneos

De acordo com o projeto, a ponte vai ter seis pistas rodoviárias e duas linhas ferroviárias.

Conforme estudos da Stretto di Messina, o tráfego previsto é de 6 mil veículos por hora.

Em comparação, a Ponte Rio-Niterói, no Brasil, move 4 mil veículos por hora.

Em outras palavras, Messina vai ter 50% mais capacidade que a maior ponte brasileira.

Por isso, o tempo de travessia entre Sicília e continente cai de 1 hora (de balsa) para 10 minutos.

Como reportou a CBS News, a economia da Sicília deve crescer 15% após a abertura da ponte.

A Ponte do Estreito de Messina vai ligar Sicília ao continente italiano
Estreito de Messina entre a Sicília e a Calábria (representação artística).

O acervo do CPG já cobriu megapontes ao redor do mundo

O CPG publicou recentemente sobre as megapontes chinesas com vãos recordes, no acervo do site.

Posteriormente, o site publicou análise sobre a infraestrutura de pontes no Brasil, com foco em projetos atrasados.

Em outras palavras, Messina entra como um marco europeu nesse cenário mundial.

Por outro lado, há ambientalistas que alertam para o impacto do projeto no ecossistema marinho do estreito.

Próximos passos: fundação das torres começa em outubro de 2026

Em primeiro lugar, a Webuild vai começar a fundação das torres no segundo semestre de 2026.

Em seguida, a estrutura principal sobe entre 2027 e 2030.

Por fim, os cabos serão instalados entre 2030 e 2032.

Porém, há quem questione se o orçamento de € 13,5 bilhões vai aguentar até a entrega.

No entanto, o governo italiano garante que recursos estão alocados até 2034. Ainda assim, a Ponte do Estreito de Messina vai virar o ícone europeu de megaengenharia do século 21.

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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