A Ponte dos Vales é uma ligação em cota alta entre a IRS 130 e a Transantarita em Estrela, criando um desvio seguro entre BR386 e RS287 com investimento estimado em R$ 288 milhões
A Ponte dos Vales surge como resposta direta ao colapso logístico provocado pela enchente de 2024 no Vale do Taquari. Quando o rio saiu do leito, não levou apenas ruas e pontes, levou o fluxo que sustentava a rotina e parte relevante da economia da região, deixando caminhões parados, rotas improvisadas e serviços essenciais operando no limite.
A Ponte dos Vales entra no mapa como uma solução de redundância: uma travessia elevada, longa e planejada para continuar funcionando mesmo quando o Taquari volta a mostrar força, criando uma alternativa real entre os corredores da BR386 e da RS287.
Por que a Ponte dos Vales virou prioridade depois da enchente de 2024

A ideia de uma nova ligação entre Cruzeiro do Sul e Estrela não nasceu agora. Estudos e conversas sobre o traçado circulavam há décadas, mas faltavam duas peças que raramente aparecem juntas: urgência política clara e recursos compatíveis com a dimensão da obra.
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A enchente de 2024 mudou esse cenário. O gargalo deixou de ser estatística e virou experiência prática para quem produz, transporta, vende e depende da estrada para acessar serviços, acelerando a necessidade de uma alternativa segura que não dependa de uma única travessia.
Onde a travessia vai ligar e o que muda no deslocamento regional

A Ponte dos Vales será instalada no coração do Vale do Taquari, com conexão de um lado pela IRS 130 em Cruzeiro do Sul e do outro pela Transantarita em Estrela, área já tratada como futuro acesso principal do município.
O objetivo é reorganizar o fluxo regional criando um anel de desvio entre BR386 e RS287. Na prática, a ponte funciona como um “fusível” do sistema, aliviando o risco de isolamento quando um eixo entra em colapso e mantendo a circulação de pessoas, cargas e serviços.
Dimensões, estrutura e capacidade prevista da Ponte dos Vales
O conjunto totaliza cerca de 3,1 km de infraestrutura. Desse total, aproximadamente 1,2 km correspondem à ponte principal sobre o rio Taquari, com o restante distribuído em elevados e acessos em aterro.
A estrutura foi concebida acima da cota da cheia histórica de 2024, com folga de segurança nas vigas. Estão previstas duas faixas de rolamento e acostamentos laterais, com preparação para um fluxo diário superior a 11.000 veículos. É uma escala grande para uma região interiorana e uma mudança concreta na forma de atravessar o vale no dia a dia.
Investimento, contrato e quem está por trás da obra
O investimento estimado é de cerca de R$ 288 milhões. A ponte passou a ser tratada como obra estruturante dentro do contexto de reconstrução e resiliência após as enchentes, com financiamento associado ao FUNRIGS, ligado ao Plano Rio Grande.
Em dezembro de 2025, a Ponte dos Vales avançou para a fase prática com a assinatura do contrato e o início de atividades de campo, como sondagens na margem de Estrela. O modelo é de contratação integrada, reunindo projeto executivo e obra no mesmo pacote. Isso encurta etapas e permite que a engenharia caminhe junto da execução, com frentes simultâneas.
Cronograma até 2027 e o método que acelera a construção

O cronograma descrito é de 18 meses de execução, com entrega prevista até maio de 2027. Nos primeiros meses, o foco recai sobre sondagens, leitura do subsolo e conclusão do projeto executivo. Depois entram fundações, pilares, lançamento de vigas metálicas, concretagem da laje e pavimentação dos acessos, em várias frentes.
Um ponto-chave para viabilizar prazo é o uso do método Accelerated Bridge Construction, conhecido como ABC. Em vez de construir tudo dentro do leito do rio, partes relevantes da estrutura metálica são pré-fabricadas em áreas mais controladas e depois lançadas sobre o Taquari por módulos. Isso reduz interferência direta no rio, diminui risco em períodos de cheia e aumenta previsibilidade de prazo e segurança operacional.
O impacto logístico, econômico e social esperado com a Ponte dos Vales
A Ponte dos Vales não é apenas mais uma travessia. Ela reorganiza fluxos, encurta caminhos e melhora previsibilidade para o agronegócio, a indústria e o transporte de insumos e mercadorias que dependem desse corredor.
No plano social, a redundância é decisiva. Ambulâncias, Defesa Civil, bombeiros e equipes de resgate ganham outra opção segura para cruzar o rio, reduzindo o risco de isolamento em eventos extremos. E, no médio prazo, o entorno dos novos acessos tende a atrair crescimento urbano e serviços, o que aumenta a necessidade de planejamento para que a expansão ocorra com segurança.
A Ponte dos Vales e os projetos que vêm junto no eixo Estrela e Cruzeiro do Sul
A Ponte dos Vales puxa um pacote maior de reconfiguração regional. Em Estrela, a nova travessia aparece associada à duplicação da Transantarita, com estimativa de investimento em torno de R$ 40 milhões, incluindo melhorias como ciclovia, passeio e novo pórtico de acesso.
Esse conjunto muda o mapa local: onde antes havia dependência de uma travessia crítica, passa a existir uma rede mais resiliente, capaz de sustentar rotina e economia mesmo em cenários climáticos adversos.
Você acredita que a Ponte dos Vales vai realmente impedir que a região pare na próxima cheia, ou ainda faltam outras rotas e obras para dar segurança de verdade ao Vale do Taquari?
