PlayCenter revive a nostalgia de gerações com atrações clássicas, mega shows, tragédias, falência, fechamento em 2012 e um retorno improvável que recoloca a marca no mapa
O PlayCenter não foi só um parque de diversões. Para muita gente, ele foi um ritual de infância, um lugar onde o cheiro de algodão doce, o som da montanha russa e a coragem de encarar um brinquedo radical viravam memória para a vida inteira.
Só que por trás do espetáculo, o PlayCenter também enfrentou acidentes graves, crises financeiras, mudanças de controle, competição crescente e um fechamento doloroso. E quando parecia que a história tinha acabado, o nome voltou a circular com um renascimento inesperado, incluindo a compra pela Cacau Show.
Como nasceu o PlayCenter e por que ele explodiu nos anos 70 e 80

A história do PlayCenter começa com Marcelo Gutglas, que viajou pela Europa e pelos Estados Unidos no fim da década de 60 e se impressionou com os grandes parques internacionais. Dali surgiu a ambição de trazer esse tipo de entretenimento para o Brasil.
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Antes do parque “oficial”, veio uma espécie de teste em 1971, um espaço provisório em frente ao ginásio do Ibirapuera, com atrações como tobogã, cama elástica, escada maluca, carrossel, bate bate e uma montanha russa importada da Itália. O sucesso foi tão imediato que o local chegou a operar por 24 horas seguidas.
Em 27 de julho de 1973, o PlayCenter foi inaugurado na Barra Funda com 32.000 m² e cerca de 15 atrações principais. Desde o começo, virou ponto de encontro e passeio de família, e rapidamente passou a ser visto como um cartão postal do lazer paulistano.
A era dos clássicos, celebridades e atrações “fora da realidade”
Nos anos 80, o PlayCenter acelerou. Em 1980, inaugurou a Looping Star, uma montanha russa marcante para a época. Em 1981, vieram atrações como montanha encantada, castelo mal assombrado e a boneca Eva, além do Enterprise.
O parque também virou vitrine de atrações que extrapolavam o padrão brasileiro daquele período. Teve o King Kong animatrônico de 15 m, a Monga, e parcerias com TV que levaram programas e especiais para dentro do parque.
E o PlayCenter foi além dos brinquedos: recebeu grandes eventos e shows. Na lista citada na base, aparecem nomes e fenômenos populares, além de espetáculos com animais que viraram assunto nacional.
O capítulo mais controverso: orcas, debate público e final triste

Uma das fases mais surreais do PlayCenter foi o período com shows de orcas, entre 1984 e meados de 1988, com duas orcas citadas como Samo e Nandu. O público lotava e o tema ganhou repercussão, justamente por ser algo completamente fora da realidade brasileira naquele momento.
Mas o fim foi trágico. O macho Nandu morreu em 1988, e depois Samoa foi vendida ao Sea World de Orlando, onde também morreu em 1992. Esse episódio marcou o debate sobre uso de animais em atrações e ficou como uma das memórias mais pesadas da história do parque.
O auge dos anos 90 e o dia em que Michael Jackson fechou o parque
Nos anos 90, o PlayCenter atingiu seu tamanho máximo, citado como 200.000 m². O catálogo de brinquedos misturava clássicos e atrações modernas importadas, com nomes que ficaram gravados na cultura do parque.
Em 1993, veio a visita mais emblemática: Michael Jackson reservou o PlayCenter para ele e seus convidados durante a passagem pelo Brasil. Ele passeou por atrações, tirou fotos, distribuiu sorrisos e, segundo o relato da base, o dono do parque afirmou que foi o momento de maior repercussão mundial da história do PlayCenter.
Ainda nessa fase, as Noites do Terror viraram um evento gigantesco. Em uma época em que Halloween não era popular no Brasil, o PlayCenter conseguiu transformar o medo em atração e manter filas com um formato que virou referência.
Quando a engrenagem começou a falhar: acidentes, queda de confiança e dívidas
O que parecia indestrutível começou a balançar com episódios graves. Em 1995, um menino de 11 anos caiu do Space Loop, sofreu fraturas e sobreviveu, mas a repercussão e a interdição do brinquedo abalaram a confiança do público.
Ao mesmo tempo, os investimentos pesados em atrações e a complexidade operacional pressionaram as finanças. A base também cita mudanças de controle em 1997 e um contexto de crise no fim dos anos 90, com desvalorização do real e aumento das dificuldades para importar brinquedos.
O resultado foi um acúmulo de dívida citado como superior a R$ 145 milhões, mesmo com o parque recebendo mais de 1,5 milhão de visitantes por ano em um de seus períodos.
A tentativa de resgate nos anos 2000 e o parque encolhendo aos poucos
Em 2002, Gutglas recomprou o parque e tentou reverter o declínio com cortes de custos, reposicionamento para famílias, eventos e negociações de dívida. Ainda assim, o PlayCenter foi encolhendo. Terrenos foram devolvidos ou vendidos, áreas desativadas e o brilho diminuiu.
O parque manteve relevância com excursões escolares, ações de marketing e festivais, mas entrou na década de 2010 ainda vulnerável.
A sequência que selou o fim: novos acidentes e o fechamento em 2012
Na década de 2010, a confiança do público sofreu um impacto decisivo. Em 2010, a base relata um choque entre trens da Looping Star que feriu 16 pessoas. Meses depois, o Double Shock teve uma falha humana e oito pessoas foram arremessadas de vários metros de altura, com três em estado grave.
A partir daí, a combinação de repercussão negativa, concorrência de novos parques e dívidas crescentes deixou o encerramento como uma rota quase inevitável. Em 2012, veio o anúncio: o PlayCenter fecharia. O público reagiu com comoção, filas enormes, despedidas emocionadas e funcionários abalados.
Em 29 de julho de 2012, o PlayCenter fechou oficialmente as portas depois de quase 40 anos e mais de 60 milhões de visitantes, conforme os números citados na base.
O renascimento do nome: PlayCenter Family e a compra pela Cacau Show

Depois do fechamento, ficou um período de vazio e abandono, com brinquedos quebrados e projetos que não se concretizaram. Mas o nome voltou em 2018 dentro do shopping Aricanduva como PlayCenter Family, um parque indoor de 5.000 m² com atrações voltadas à família.
E então veio a reviravolta mais improvável: a base afirma que o PlayCenter foi comprado pela Cacau Show, com planos de recolocar a marca no mapa do entretenimento brasileiro e construir um novo parque ao ar livre, com projeto citado para Itu. Também aparece a referência de inauguração em 2027 e a informação de 950.000 m² de área construída para o parque temático mencionado.
O que fica do PlayCenter
O legado do PlayCenter não é só uma lista de brinquedos. É o impacto cultural de um lugar que virou símbolo de uma época sem celular, com excursões escolares barulhentas, passaporte disputado e histórias que atravessam gerações.
Ao mesmo tempo, a história do PlayCenter também é um lembrete duro de como um gigante pode cair quando confiança, segurança e finanças entram em colapso. E é justamente por isso que o renascimento chama tanta atenção: o nome carrega uma memória coletiva poderosa, mas também uma responsabilidade enorme.
Agora a pergunta rápida para você comentar
Qual é a sua história com o PlayCenter: você foi em excursão, com a família, nas Noites do Terror, ou sempre quis conhecer e nunca conseguiu?


Fui mais ou menos na época dos anos 80. Fui com meu pai , minha irmã, e tbm com colegas de escola. Tinham várias promoções para ganhar os ingressos. Até tampinhas de garrafas premiada. Foi muito boa esse tempo, uma infância feliz, que hoje conto para minha filha . Saudades!! 🙁
Fui muitas vezes em família com amigos lembro de coisas boas muito especiais é até de comover momentos de muita alegria e com pessoas maravilhosas tenho quarenta anos
Me chamo Adriana tenho 41 anos.
Eu fui no Playcenter por 3 vezes,pois a mãe de uma amiga sempre pagava eu não tinha condições,no caso minha mãe.
Eu vibrava a cada ida com a escola da minha amiga Tati,a noite do terror nem se fala era o momento mas esperado eu amavaaaaaa. Sr um dia ele voltar eu e meus dois filhos estaremos lá. Vou reviver o que nunca ninguém irá apagar minha infância com o Playcenter 🥰