Nexus Global Payments pretende interligar sistemas instantâneos de diferentes países, reduzir custos das transferências internacionais e iniciar suas operações até meados de 2027
O chamado “Pix internacional” poderá começar a operar em 2027, abrindo caminho para pagamentos mais rápidos e econômicos entre diferentes países.
Desenvolvido inicialmente pelo Banco de Compensações Internacionais, o Projeto Nexus pretende conectar plataformas nacionais de pagamentos instantâneos por meio de uma infraestrutura compartilhada.
Ao mesmo tempo, o Pix entrou no embate comercial entre os governos de Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva.
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Pix foi citado entre as preocupações comerciais dos Estados Unidos
Em 2026, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos apontou preocupações relacionadas ao mercado brasileiro de pagamentos eletrônicos.
Segundo o órgão, empresas norte-americanas alegam que o Banco Central oferece tratamento preferencial ao Pix, prejudicando fornecedores estrangeiros de serviços financeiros.
Nesse cenário, o Pix foi incluído entre diferentes pontos utilizados pelo governo Trump para justificar medidas comerciais contra o Brasil.
Entretanto, não existe comprovação de que o sistema brasileiro tenha sido a causa exclusiva da tarifa de 25% aplicada a determinados produtos nacionais.
Além dos pagamentos digitais, os Estados Unidos citaram tarifas consideradas preferenciais, propriedade intelectual, etanol, combate à corrupção e desmatamento ilegal.
Por outro lado, o governo brasileiro rejeita as acusações e defende o Pix como uma infraestrutura pública voltada à modernização e à inclusão financeira.
Como funcionará o Projeto Nexus?
Criado pelo Banco de Compensações Internacionais em 2021, o Projeto Nexus propõe uma conexão padronizada entre sistemas nacionais de pagamentos instantâneos.
Frequentemente chamado de “banco central dos bancos centrais”, o BIS reúne autoridades monetárias e promove a cooperação financeira internacional.
Na prática, o Nexus poderá conectar plataformas como o Pix brasileiro, o UPI indiano e o PromptPay tailandês.
Assim, cada sistema participante não precisará construir dezenas de conexões bilaterais separadas para realizar pagamentos com outros países.
Consequentemente, uma única integração poderá permitir o acesso a diferentes plataformas conectadas à rede internacional.
Além disso, o modelo busca oferecer pagamentos transfronteiriços mais rápidos, baratos, transparentes e eficientes.
Entretanto, a participação operacional do Pix brasileiro no Nexus ainda dependerá de decisões regulatórias e institucionais.
Operação do Nexus está prevista para 2027
Em dezembro de 2025, o BIS divulgou o relatório “Enhancing Cross-Border Payments: State of Play and Way Forward”.
Segundo o documento, a Nexus Global Payments pretende começar suas operações até meados de 2027.
Posteriormente, em maio de 2026, outro relatório do BIS manteve 2027 como prazo esperado para o início das atividades.
Nesse processo, os governos poderão preparar planos de implementação, reduzir obstáculos regulatórios e organizar a integração entre suas infraestruturas financeiras.
Ao mesmo tempo, os controles contra lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo deverão ser mantidos.
Tecnologia poderá aumentar a concorrência nos pagamentos internacionais
Embora apresente grande potencial, o próprio BIS reconhece que a tecnologia não resolverá isoladamente todos os desafios das transferências internacionais.
Questões relacionadas à governança, regulamentação e interesses econômicos continuarão exigindo acordos entre os países participantes.
Além disso, tecnologias como a tokenização poderão melhorar os pagamentos internacionais. Contudo, marcos jurídicos e mecanismos de fiscalização continuarão indispensáveis.
Dessa forma, o Nexus poderá ampliar a concorrência no mercado internacional de pagamentos, atualmente atendido por bancos, bandeiras de cartões e outras redes financeiras.
No entanto, o BIS não afirma que o projeto provocará o colapso de Visa, Mastercard ou do sistema financeiro norte-americano.
O Pix permanece, portanto, como uma referência entre os sistemas de pagamentos instantâneos.
Agora, a possível integração internacional poderá ampliar seu alcance e transformar a maneira como recursos são enviados entre diferentes países.
Você acredita que o “Pix internacional” poderá reduzir os custos das transferências e mudar o mercado global de pagamentos?
