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Outro presidente preso igual Maduro? EUA elevam o tom contra outro presidente latino, prometem reagir e pedem união internacional para responder ao governo

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Escrito por Fabio Lucas Carvalho Publicado em 22/07/2026 às 01:09 Atualizado em 22/07/2026 às 01:15
Daniel Ortega cancela eleições na Nicarágua, gerando reações dos EUA. Entenda os impactos dessa decisão e suas consequências.
Daniel Ortega cancela eleições na Nicarágua, gerando reações dos EUA. Entenda os impactos dessa decisão e suas consequências.
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Daniel Ortega anunciou o fim das eleições na Nicarágua e pretende impedir a oposição de chegar ao poder pelas urnas; em resposta, Marco Rubio convocou uma reação internacional e alertou que os Estados Unidos não ficarão “de braços cruzados”.

Daniel Ortega anunciou que a Nicarágua não realizará mais eleições, cancelando efetivamente o pleito previsto para novembro de 2027 e provocando uma reação dos Estados Unidos, que prometeram responder, mas ainda não anunciaram novas medidas.

Ortega anuncia fim das eleições na Nicarágua

De acordo com o g1, o presidente Daniel Ortega anunciou no domingo que não haverá novas eleições na Nicarágua. A declaração ocorreu durante a comemoração do 47º aniversário da Revolução Sandinista de 1979.

Não haverá mais eleições aqui para que eles tentem tomar o governo e o poder”, declarou Ortega. Aos 80 anos, ele participava de sua primeira aparição pública em aproximadamente dois meses.

O presidente afirmou que trabalhará com a Assembleia Nacional para aprovar leis destinadas a impedir que partidos de oposição assumam o poder por meio das urnas. Ele não explicou como essa mudança será implementada formalmente.

A Assembleia Nacional é controlada por Ortega. O presidente também exerce, ao lado de sua esposa, Rosario Murillo, controle sobre quase todos os poderes do Estado, incluindo as Forças Armadas, a polícia e o Judiciário.

O anúncio cancela efetivamente as eleições que estavam marcadas para novembro de 2027. O pleito seria realizado depois de uma reforma constitucional aprovada em janeiro de 2025.

Essa reforma aumentou o mandato presidencial de cinco para seis anos e designou Rosario Murillo como “copresidente”. A mudança ampliou formalmente o papel político exercido pela esposa de Ortega dentro do governo nicaraguense.

Marco Rubio promete reação dos Estados Unidos

De acordo com mercopress, na terça-feira, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou que os Estados Unidos “não ficarão de braços cruzados” diante da decisão anunciada por Ortega.

Em comunicado divulgado pelo Departamento de Estado, Rubio pediu que a comunidade internacional “una forças” para responder ao que classificou como ataques do governo nicaraguense contra os princípios democráticos do hemisfério.

“A declaração de Daniel Ortega de que, sob a ditadura de sua família, a Nicarágua jamais realizará eleições novamente expõe sua verdadeira natureza autoritária”, declarou Rubio.

O comunicado recebeu o título de “Um Chamado à Ação”. No documento, o secretário também relacionou o comportamento do governo nicaraguense à manutenção de suas relações econômicas com outros países.

Segundo o texto, o governo de Ortega e Murillo “não pode esperar manter relações comerciais normais com outras nações” enquanto enfraquece os fundamentos democráticos da região.

Rubio colocou a América Latina entre suas prioridades como secretário de Estado. Em junho, ele já havia classificado o governo comandado por Ortega e Murillo como uma “ditadura”.

Será que os Estados Unidos podem realizar uma ação militar?

A declaração de que Washington não ficará “de braços cruzados” pode levantar dúvidas sobre até onde os Estados Unidos pretendem ir para pressionar Daniel Ortega. Entretanto, as informações disponíveis não apontam a preparação de uma ação militar contra a Nicarágua.

Rubio pediu uma mobilização internacional e advertiu sobre a possibilidade de o governo nicaraguense não manter relações comerciais normais. O secretário, porém, não apresentou medidas específicas nem informou qual será a resposta norte-americana.

Também não está claro se o alerta será seguido por novas sanções econômicas, mais restrições de visto ou outras formas de pressão diplomática. Portanto, não é possível afirmar que uma intervenção militar esteja sendo considerada.

Uma comparação direta com ações norte-americanas relacionadas a Nicolás Maduro também não pode ser sustentada pelas informações disponíveis. O comunicado sobre a Nicarágua não menciona Maduro, Venezuela, tropas, operações militares ou preparação de uma intervenção.

O que está confirmado é que os Estados Unidos pretendem pressionar Ortega e buscar apoio de outros países. Qualquer afirmação sobre uma possível operação militar, neste momento, iria além do conteúdo efetivamente anunciado pelo governo norte-americano.

Mais de 2.350 autoridades e familiares foram atingidos

Os Estados Unidos não reconhecem a presidência de Daniel Ortega. Nos últimos anos, Washington aplicou sanções e restrições de visto contra mais de 2.350 autoridades nicaraguenses e seus familiares.

Essas medidas mostram que o governo norte-americano já utiliza instrumentos diplomáticos e econômicos para pressionar a administração nicaraguense. Apesar disso, Rubio não informou se esse conjunto de restrições será ampliado após o fim anunciado das eleições.

A advertência sobre as relações comerciais também não foi acompanhada de um detalhamento. O Departamento de Estado não indicou quais países deveriam adotar medidas, quais setores poderiam ser atingidos ou quando uma eventual resposta seria apresentada.

Eleição de 2021 foi contestada internacionalmente

A última eleição presidencial da Nicarágua aconteceu em 2021. O processo foi considerado ilegítimo por Washington e por observadores internacionais após a prisão dos principais candidatos da oposição.

Sem seus principais adversários na disputa, Ortega reivindicou cerca de 76% dos votos. Desde então, integrantes da oposição enfrentam prisões, impedimentos políticos ou permanecem fora do país.

Grande parte da oposição nicaraguense está exilada ou proibida de ocupar cargos públicos desde a crise de 2018. Naquele período, a repressão aos protestos deixou centenas de mortos.

No início de julho, especialistas da Organização das Nações Unidas denunciaram outro episódio envolvendo o governo nicaraguense: a revogação em massa de licenças profissionais de advogados no país.

Ortega ainda não explicou quais mudanças legais serão apresentadas à Assembleia Nacional para eliminar formalmente as eleições. Também permanece indefinida a resposta prática dos Estados Unidos além do pedido de mobilização internacional feito por Marco Rubio.

Economia da Nicarágua cresceu, mas depende fortemente das remessas

A economia da Nicarágua cresceu 4,9% em 2025, acima dos 3,6% registrados em 2024. O Produto Interno Bruto chegou a aproximadamente US$ 22,3 bilhões, enquanto o PIB por habitante ficou em US$ 3.179,70.

Segundo o Banco Mundial, o desempenho foi impulsionado principalmente pela construção, mineração, serviços e atividades financeiras. O setor de serviços liderou o avanço, com ganhos no comércio, transporte, hotéis e restaurantes.

A indústria também foi beneficiada pela expansão da construção e da mineração. A agricultura apresentou uma recuperação modesta, apoiada pelo aumento da produção de café, da pecuária e das agroindústrias relacionadas.

Em sentido contrário, as atividades de pesca e aquicultura registraram queda durante o período analisado.

Remessas chegaram a 29,4% do PIB

O dinheiro enviado por nicaraguenses que vivem no exterior ocupa uma posição central na economia nacional. As remessas aumentaram de 27% do PIB em 2024 para 29,4% em 2025.

Esses recursos ajudaram a sustentar o consumo das famílias e os investimentos. O aumento das remessas, acompanhado pelo bom desempenho das exportações, também favoreceu as contas externas nicaraguenses.

O superávit em conta-corrente avançou de 4,2% do PIB em 2024 para 8,4% em 2025. O resultado também recebeu impulso das exportações de ouro, café, carne bovina e gado, beneficiadas pelos preços internacionais mais elevados.

A elevada participação das remessas, entretanto, deixa o desempenho econômico mais exposto a mudanças ocorridas fora da Nicarágua, especialmente nos lugares onde vivem os trabalhadores que enviam dinheiro aos familiares.

Inflação recuou e dívida pública diminuiu

A inflação ao consumidor caiu de 4,6% em 2024 para 2,7% em 2025. O Banco Mundial relacionou essa redução à queda dos preços globais e à manutenção de subsídios.

A dívida pública também diminuiu, passando de 51,7% para 50,7% do PIB. O superávit fiscal recuou de 2,4% para 2,1%, movimento associado à continuidade dos investimentos de capital.

O sistema bancário permaneceu capitalizado e com liquidez acima das exigências regulatórias. Os depósitos cresceram 15,2% durante 2025, enquanto a expansão do crédito chegou a 12%.

No mercado de trabalho, a taxa de emprego permaneceu relativamente estável. Ela passou de 65,3% em dezembro de 2024 para 65,5% no mesmo mês de 2025.

O desemprego ficou em 2,4%, mas o subemprego atingia aproximadamente 40%. Isso significa que uma parcela elevada da população ocupada trabalhava em condições inferiores às desejadas em relação ao tempo de trabalho ou à utilização de suas capacidades.

Crescimento deve perder força em 2026

Para 2026, o Banco Mundial prevê que a economia nicaraguense cresça 3,4%. A projeção representa uma desaceleração em comparação com a expansão de 4,9% estimada para 2025.

A expectativa está relacionada principalmente ao possível enfraquecimento das remessas e dos investimentos estrangeiros diretos. A previsão indica que o crescimento deverá se estabilizar em aproximadamente 3,3% até 2028.

A inflação pode aumentar para 3,1% em 2026. Já a dívida pública deverá continuar caindo, chegando a 48,3% do PIB no mesmo ano e a 47,4% em 2028.

A pobreza é estimada em aproximadamente 13% para 2025, considerando a linha de US$ 4,20 por pessoa diariamente. O Banco Mundial ressalta, porém, que esse número resulta de simulações. A pesquisa efetiva mais recente utilizada é de 2014.

Entre os principais riscos estão as incertezas globais, uma desaceleração dos parceiros comerciais, o acesso limitado a financiamentos multilaterais, a redução das remessas e a vulnerabilidade do país a desastres naturais.

Fonte principal: Banco Mundial, Macro Poverty Outlook de abril de 2026

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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