Petróleo registra forte alta no mercado internacional após decisão de Donald Trump de bloquear petroleiros sancionados da Venezuela, em meio a estoques menores nos EUA e incertezas globais.
O mercado internacional de petróleo voltou a ganhar fôlego nesta quarta-feira (17), depois de uma sequência de perdas recentes. Os preços avançaram mais de 2% impulsionados por um novo fator geopolítico: a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor um bloqueio total a todos os petroleiros sancionados que entram e saem da Venezuela.
A medida elevou o grau de incerteza sobre a oferta global da commodity e alterou o humor dos investidores logo nas primeiras horas do pregão.
Bloqueio a petroleiros reacende temor sobre oferta global
A determinação anunciada por Trump prevê o bloqueio integral de navios sancionados que transportam petróleo venezuelano. A decisão foi divulgada por meio de uma publicação na rede social Truth Social, onde o presidente norte-americano adotou um tom duro contra o governo de Caracas.
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“A Venezuela está completamente cercada pela maior armada já reunida na história da América do Sul. Ela só tende a crescer, e o choque para eles será algo sem precedentes — até que devolvam aos Estados Unidos da América todo o petróleo, terras e outros bens que nos roubaram.”
Apesar do impacto imediato nos preços, ainda não está claro quantos petroleiros serão efetivamente atingidos pela medida. Também não há detalhes sobre a forma de implementação do bloqueio ou se a Guarda Costeira dos Estados Unidos será usada para interceptar embarcações, como ocorreu recentemente.
A reação do mercado foi rápida. Os contratos futuros do petróleo Brent subiram US$ 1,41, ou 2,4%, alcançando US$ 60,33 o barril por volta das 7h18 (horário de Brasília). Já o petróleo bruto West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, avançou US$ 1,42, o equivalente a 2,6%, para US$ 56,69 o barril.
O movimento de alta ocorre após uma sessão anterior marcada por forte pressão vendedora. Na terça-feira, os preços haviam fechado próximos aos menores níveis dos últimos cinco anos, influenciados pelo avanço das negociações de paz entre Rússia e Ucrânia.
Negociações entre Rússia e Ucrânia seguem no radar
Antes do anúncio envolvendo a Venezuela, o mercado de petróleo vinha sendo pressionado pela perspectiva de um possível acordo entre Moscou e Kiev.
Um entendimento entre os dois países poderia resultar no alívio de sanções ocidentais contra a Rússia, ampliando a oferta global de petróleo em um cenário já marcado por demanda considerada frágil.
Esse fator ainda permanece no radar dos investidores. No entanto, o bloqueio aos petroleiros venezuelanos trouxe um novo elemento de risco, capaz de reduzir fluxos de exportação e gerar desequilíbrios pontuais no mercado.
Os comentários de Trump surgiram cerca de uma semana após os Estados Unidos apreenderem um petroleiro sancionado próximo à costa da Venezuela.
Nos últimos meses, navios de guerra norte-americanos também foram enviados para a região. Inicialmente, a Casa Branca classificou a operação como parte do combate ao tráfico internacional de drogas.
Embora muitas embarcações que transportam petróleo venezuelano estejam sob sanções, outras rotas seguem ativas. Petroleiros que levam petróleo bruto do Irã e da Rússia, por exemplo, não estão incluídos no bloqueio. Além disso, navios fretados pela Chevron continuam transportando petróleo da Venezuela para os Estados Unidos com autorização concedida por Washington.
China segue como principal destino do petróleo venezuelano
Mesmo sob sanções, a Venezuela mantém canais de exportação relevantes. Atualmente, a China é a maior compradora de petróleo bruto venezuelano, responsável por cerca de 4% das importações chinesas.
Qualquer interrupção mais severa nesse fluxo pode gerar efeitos indiretos no comércio global da commodity.
A incerteza sobre o alcance do bloqueio contribui para a volatilidade dos preços e mantém o mercado atento a novos desdobramentos diplomáticos e militares.
Além da questão geopolítica, dados recentes sobre estoques ajudaram a sustentar a valorização do petróleo. Segundo informações da Reuters, com base em dados do Instituto Americano de Petróleo (API), os estoques de petróleo bruto nos Estados Unidos caíram 9,3 milhões de barris na semana passada.
A queda acentuada surpreendeu o mercado e reforçou a percepção de aperto na oferta no curto prazo.
Assim, a combinação entre estoques menores e riscos geopolíticos elevou a pressão compradora sobre os contratos futuros, mesmo diante de uma demanda global ainda considerada moderada.

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