A guerra Israel-Irã chegou ao 60º dia, o Estreito de Ormuz segue fechado e o petróleo Brent acaba de bater a sétima alta consecutiva, fechando em US$ 111,26 — Trump afirma que o Irã pediu aos Estados Unidos para abrir o caminho do petróleo
O petróleo Brent atingiu US$ 111,26 por barril em 28 de abril de 2026, alta de 2,8% no fechamento. Os investidores marcaram a sétima sessão consecutiva de ganhos do contrato com vencimento em junho. No mesmo dia, o WTI bateu US$ 99,93, com salto de 3,7% — voltando a flertar com a marca dos US$ 100 pela primeira vez desde 13 de abril, conforme dados do Brasil247.
O motor da disparada é geopolítico. Há quase dois meses, a guerra entre Israel e Irã mantém o Estreito de Ormuz fechado para a navegação comercial, bloqueando a saída de cerca de 20% de todo o petróleo mundial. O resultado: oferta apertada e preços insistindo em níveis que o mercado não via desde 2022.
Para piorar, o presidente americano Donald Trump publicou em sua rede Truth Social que “o Irã pediu aos Estados Unidos que levantem o bloqueio naval do Estreito de Ormuz lo antes possível”. A frase confirmou o impasse e injetou ainda mais tensão no petróleo Brent, que ganhou mais de 5% só na semana até 28 de abril.
-
As próximas horas serão de tensão crescente em torno do viés a ser adotado pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom/BC) com relação à taxa básica de juros (Selic), ao cabo da reunião dessa quarta-feira (17). Embora o mercado se apresente ‘dividido’ quanto à decisão do colegiado, a tendência mais forte das últimas semanas é de que a taxa se mantenha inalterada no patamar atual de 14,50% ao ano. Já uma ala minoritária ainda ‘aposta’ em uma queda 0,25 ponto percentual (p.p).
-
Casa CazéTV transforma o chat da internet em evento presencial na Copa, mira mais de 100 mil torcedores em São Paulo e no Rio e impulsiona empresa brasileira de experiências que espera crescer até 60% com shows, telões, ativações e jogos do Brasil
-
Porta-aviões chinês Liaoning realiza cerca de 170 decolagens e pousos no Pacífico Ocidental, mas vigilância japonesa transforma treino em alerta regional: Pequim nega alvo específico enquanto Tóquio monitora frota que passou a 590 km de Miyakojima e reacende tensão na Ásia
-
Guarulhos vira a “Faria Lima dos galpões” com metro quadrado logístico a R$ 37,11, mais caro que a capital paulista, enquanto Shopee, Mercado Livre, Amazon e fundos bilionários disputam espaço perto do maior aeroporto da América do Sul
O que acontece no Estreito de Ormuz e por que isso quebra o mercado
O Estreito de Ormuz é uma passagem marítima de apenas 33 km de largura entre o Irã, ao norte, e a Península Arábica, ao sul. Por ali passam diariamente, em condições normais, cerca de 20 milhões de barris de petróleo — equivalente a um quinto do consumo global.
Há cerca de 60 dias, a navegação parou. A causa imediata é a escalada militar entre Israel e Irã, com ataques recíprocos a infraestrutura energética e ameaças explícitas de fechamento total do estreito por parte do governo iraniano em retaliação a operações israelenses.
Em paralelo, os Estados Unidos mantêm bloqueio naval aos portos iranianos, como reportado pela Bloomberg Línea, ampliando a paralisação. O Pentágono reforçou a presença da Quinta Frota no Golfo Pérsico, e operações aéreas de inteligência aumentaram nas últimas semanas.
De fato, a combinação Israel ataca + Irã ameaça + EUA bloqueia gerou o pior cenário possível para o mercado de petróleo. E o petróleo Brent está sendo obrigado a precificar tudo isso de uma vez.

O paradoxo da saída dos Emirados Árabes da OPEP+
Em condições normais, a saída dos Emirados Árabes Unidos da OPEP+ — anunciada em 28 de abril e efetiva em 1º de maio — derrubaria preços. Isso porque o país tem capacidade ociosa para dobrar a produção de 3 para até 6 milhões de barris diários, ampliando a oferta global.
Como reportou recentemente o Click Petróleo e Gás, os Emirados saem do cartel após 59 anos justamente porque querem produzir mais — e não conseguem dentro das cotas rígidas da OPEP+.
No entanto, em meio à crise no Estreito de Ormuz, o efeito esperado de queda desapareceu. Os bloqueios geopolíticos pesaram mais do que a perspectiva de mais oferta saudita-emiratense, mantendo o petróleo Brent firme acima de US$ 110.
Conforme analisou Anh Pham, analista sênior da Lseg, “embora os preços tenham baixado ligeiramente, isso parece ser mais uma correção das subidas anteriores, enquanto o Brent se mantém em níveis elevados, em torno dos US$ 110 por barril”.
Trump pressiona, Irã resiste — e o mercado precifica processo longo
O mercado recebeu o comentário de Trump sobre o Irã pedir abertura de Ormuz com ceticismo. Isso porque, ao mesmo tempo em que Washington publica declarações públicas sobre o impasse, o bloqueio naval americano continua intacto e nenhum acordo de paz veio à tona.
Conforme a Bloomberg destacou, o Irã descreve sua própria situação como “estado de colapso” de liderança interna, com facções rivais disputando o controle. Em outras palavras, mesmo que parte do governo iraniano queira encerrar a crise, não há cadeia de comando única para destravar Ormuz rapidamente.
Por consequência, traders precificam um processo de paz que pode levar semanas, talvez meses. Isso explica por que, mesmo com a leve correção do petróleo Brent em 29 de abril (-US$ 0,01), os preços continuam ancorados em torno de US$ 110 — o mercado está esperando solução estrutural, não pequenos passos diplomáticos.

Os impactos globais do petróleo Brent acima de US$ 110
Para entender o tamanho do choque, vale a comparação histórica. Antes da invasão russa à Ucrânia, em fevereiro de 2022, o petróleo Brent girava entre US$ 70 e US$ 80. Hoje, US$ 110 representa alta de aproximadamente 50% sobre essa média.
Cada US$ 10 a mais no Brent eleva, em média, US$ 0,07 por litro o preço da gasolina nos postos brasileiros — sem contar impostos e câmbio. Em termos de contas familiares, um aumento de US$ 30 no barril pode adicionar até R$ 0,40 por litro nos preços do varejo, dependendo da política de Petrobras.
Em paralelo, países importadores enfrentam pressão inflacionária. Estados Unidos, União Europeia, Japão e China — maiores consumidores globais — vêm seus custos energéticos disparar, comprimindo margens industriais e elevando custos logísticos. A inflação de bens e serviços tende a subir junto.
Por outro lado, países exportadores líquidos como o Brasil tendem a ganhar receita extra. Como reportou recentemente o Click Petróleo e Gás, a Petrobras vê aumento direto em receitas de exportação a cada barril vendido acima de US$ 100.
O impacto na Petrobras e no orçamento federal brasileiro
A combinação de Brent alto + produção brasileira em recorde histórico cria efeito multiplicador para a Petrobras e para o caixa do governo federal. Cada barril vendido acima de US$ 100 gera receita adicional substancial em royalties, participação especial e impostos.
De acordo com cálculos preliminares, se o petróleo Brent permanecer em US$ 110 ao longo de 2026, a arrecadação federal direta vinda do setor pode superar R$ 250 bilhões — quase metade do orçamento brasileiro do Bolsa Família, em um único ano fiscal.
Na prática, a alta do Brent funciona como receita de oportunidade temporária para o Tesouro Nacional. Mas há custo. Como o Brasil também é grande consumidor de combustíveis derivados, o repasse aos preços internos pressiona a inflação doméstica e cria conflito político em ano eleitoral.
Os três cenários possíveis para o petróleo Brent até o fim de 2026
Diante do impasse, analistas mapeiam três cenários para o segundo semestre. Em primeiro lugar, há a hipótese diplomática — Estados Unidos e Irã chegam a acordo, Ormuz reabre e o petróleo Brent cede para a faixa de US$ 85-95 por barril.
Em segundo lugar, há o cenário de impasse prolongado — bloqueio mantido, mas sem escalada militar adicional. Nesse caso, preços ficam ancorados em torno de US$ 105-115 ao longo do ano, com Petrobras e exportadores americanos lucrando alto.
Por fim, há o pior cenário — escalada militar regional, com ataques diretos a infraestrutura saudita ou emiratense. Aí, o petróleo Brent pode disparar para US$ 130-150, com efeitos catastróficos para inflação global e crescimento do PIB mundial.
- US$ 111,26 — fechamento do Brent em 28/04/2026 (sétima alta seguida)
- US$ 99,93 — fechamento do WTI no mesmo dia (alta de 3,7%)
- +5% — ganho do Brent na semana até 28 de abril
- 20% — fatia do petróleo mundial que normalmente passa pelo Estreito de Ormuz
- 60 dias — duração da guerra Israel-Irã até agora
- ~50% — alta acumulada do Brent sobre a média pré-Ucrânia (2022)

O que isso significa para o consumidor brasileiro nos próximos meses
Para o brasileiro comum, o efeito mais visível virá no posto de gasolina. Com o petróleo Brent acima de US$ 110, a Petrobras vai sofrer pressão dos acionistas e do mercado para ajustar preços de gasolina e diesel ao patamar internacional.
Em paralelo, o governo Lula pode tentar segurar reajustes via subsídios, fundos de estabilização ou redução temporária de tributos como a Cide. Mas, em ano eleitoral, qualquer movimento na bomba se torna pauta política — e o equilíbrio fiscal fica em risco.
Por sua vez, o setor de aviação também vai sentir. O querosene de aviação acompanha o Brent quase em tempo real, e empresas como Latam e Gol já vinham sinalizando que repassariam custos a passageiros. Em comparação, o transporte rodoviário de cargas — que move boa parte da economia brasileira — também tende a ficar mais caro nos próximos meses.
Ressalvas: o futuro depende de variáveis políticas, não econômicas
Apesar dos números recentes, vale lembrar que o cenário do petróleo Brent em 2026 depende muito mais de decisões políticas do que de fundamentos de mercado. Uma reabertura súbita de Ormuz pode derrubar preços de US$ 111 para US$ 85 em poucos dias.
Por outro lado, qualquer escalada militar adicional — como ataque iraniano direto a oleodutos sauditas — pode jogar o barril para US$ 140 ou mais. Os modelos quantitativos perdem força nesse tipo de cenário.
Por fim, a pergunta que fica é incômoda. Se o petróleo do Atlântico Sul vai responder por metade do crescimento global em 2026, e o petróleo Brent está acima de US$ 110 por causa de uma guerra que ninguém sabe quando vai acabar, o que acontece se Ormuz reabrir amanhã? E se não reabrir nunca?

Seja o primeiro a reagir!