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Emirados Árabes anunciam saída da OPEP após 59 anos — decisão entra em vigor em 1º de maio de 2026

Escrito por Douglas Avila
Publicado em 28/04/2026 às 18:02
Atualizado em 28/04/2026 às 19:04
Sede da OPEP em Viena, Áustria, com o logotipo azul da organização na fachada do edifício
Sede da OPEP em Viena. Os Emirados Árabes Unidos deixam a organização após 59 anos de participação. Foto: Ramzi Boudina/Reuters via Al Jazeera
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Emirados Árabes Unidos anunciam saída da OPEP e da OPEP+ após mais de cinco décadas — decisão entra em vigor em 1º de maio e abala o cartel em meio à crise do petróleo

Os Emirados Árabes Unidos anunciaram nesta terça-feira, 28 de abril de 2026, que deixarão a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e também a aliança ampliada OPEP+ a partir de 1º de maio.

A decisão foi confirmada pelo Ministério da Energia dos Emirados, segundo a CNBC.

O país era membro da OPEP desde 1967 — são 59 anos dentro do cartel.

É a primeira saída de um país do Golfo Pérsico desde que o Catar deixou a organização em 2019.

Por que os Emirados decidiram sair

Segundo o ministro de Energia dos Emirados, a decisão foi tomada após “revisão cuidadosa das políticas atuais e futuras relacionadas ao nível de produção”, conforme reportou a Khaleej Times.

Na prática, o país estava limitado pelas cotas da OPEP+ a cerca de 3 milhões de barris por dia.

Porém, a capacidade instalada dos Emirados já supera 4 milhões de barris diários.

A estatal ADNOC investiu US$ 150 bilhões para atingir a meta de 5 milhões de barris por dia até 2027, segundo a The National.

Ou seja: o país tem capacidade de produzir muito mais do que o cartel permitia.

A independência dá aos Emirados — que respondem por cerca de 4% da produção global de petróleo — flexibilidade total para definir seus próprios volumes de produção.

Tensão com a Arábia Saudita nos bastidores

A saída não aconteceu do dia para a noite. As relações entre Emirados e Arábia Saudita — antes aliados próximos — vinham se deteriorando.

Os dois países apoiam forças opostas no Iêmen e competem economicamente em diversas frentes, de acordo com o Washington Post.

A Arábia Saudita, líder da OPEP, resistia às demandas dos Emirados por cotas maiores de produção.

A guerra contra o Irã e o bloqueio do Estreito de Ormuz criaram o momento oportuno para a ruptura.

Reação do mercado de petróleo

Após o anúncio, o preço do barril de Brent se aproximou de US$ 113, refletindo o aumento do prêmio de risco geopolítico, segundo o ECO.

O petróleo já acumulava sete sessões consecutivas de alta antes do anúncio.

Analistas apontam que a menor coesão dentro do cartel gera incerteza sobre a oferta global.

Isso tende a aumentar a volatilidade nos preços do petróleo nas próximas semanas.

O que muda para o Brasil

O Brasil, como grande produtor e exportador de petróleo, pode ser afetado de duas formas.

Por um lado, preços mais altos beneficiam as receitas da Petrobras e dos royalties do pré-sal.

Por outro, o aumento do barril pressiona o preço dos combustíveis no mercado interno — especialmente diesel e gasolina.

O governo já editou a MP 1.351/2026 com R$ 330 milhões em subsídios para o gás de cozinha como resposta à alta do petróleo.

Ainda assim, especialistas alertam que o impacto nos preços na bomba pode se intensificar com a chegada do inverno no hemisfério norte.

A saída dos Emirados da OPEP representa o maior abalo no cartel desde a crise de 2020, quando a Rússia e a Arábia Saudita entraram em guerra de preços.

Resta saber se outros membros seguirão o mesmo caminho — e se a OPEP ainda terá força para influenciar os preços globais de petróleo.

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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