Emirados Árabes Unidos anunciam saída da OPEP e da OPEP+ após mais de cinco décadas — decisão entra em vigor em 1º de maio e abala o cartel em meio à crise do petróleo
Os Emirados Árabes Unidos anunciaram nesta terça-feira, 28 de abril de 2026, que deixarão a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e também a aliança ampliada OPEP+ a partir de 1º de maio.
A decisão foi confirmada pelo Ministério da Energia dos Emirados, segundo a CNBC.
O país era membro da OPEP desde 1967 — são 59 anos dentro do cartel.
-
Enquanto 50% dos brasileiros preferem pagar menos impostos e contratar serviços particulares de saúde e educação, 44% escolhem pagar mais tributos para receber esses atendimentos gratuitamente do Estado, revela pesquisa Datafolha
-
O cartão Samsung Itaú será encerrado em 1º de agosto de 2026 e toda a base de clientes vai migrar automaticamente para o Itaú Platinum, confirmam as duas empresas
-
O pedágio mais caro do Brasil subiu para R$ 40,60 em julho e fica na descida da serra entre São Paulo e o litoral, onde a tarifa vale quase uma passagem de ônibus até Santos
-
Funeral do aiatolá Ali Khamenei reúne entre 15 e 20 milhões de pessoas em Teerã com gritos de vingança contra Trump, quatro meses após sua morte em ataque conjunto de Israel e Estados Unidos
É a primeira saída de um país do Golfo Pérsico desde que o Catar deixou a organização em 2019.
Por que os Emirados decidiram sair
Segundo o ministro de Energia dos Emirados, a decisão foi tomada após “revisão cuidadosa das políticas atuais e futuras relacionadas ao nível de produção”, conforme reportou a Khaleej Times.
Na prática, o país estava limitado pelas cotas da OPEP+ a cerca de 3 milhões de barris por dia.
Porém, a capacidade instalada dos Emirados já supera 4 milhões de barris diários.
A estatal ADNOC investiu US$ 150 bilhões para atingir a meta de 5 milhões de barris por dia até 2027, segundo a The National.
Ou seja: o país tem capacidade de produzir muito mais do que o cartel permitia.
A independência dá aos Emirados — que respondem por cerca de 4% da produção global de petróleo — flexibilidade total para definir seus próprios volumes de produção.
Tensão com a Arábia Saudita nos bastidores
A saída não aconteceu do dia para a noite. As relações entre Emirados e Arábia Saudita — antes aliados próximos — vinham se deteriorando.
Os dois países apoiam forças opostas no Iêmen e competem economicamente em diversas frentes, de acordo com o Washington Post.
A Arábia Saudita, líder da OPEP, resistia às demandas dos Emirados por cotas maiores de produção.
A guerra contra o Irã e o bloqueio do Estreito de Ormuz criaram o momento oportuno para a ruptura.
Reação do mercado de petróleo
Após o anúncio, o preço do barril de Brent se aproximou de US$ 113, refletindo o aumento do prêmio de risco geopolítico, segundo o ECO.
O petróleo já acumulava sete sessões consecutivas de alta antes do anúncio.
Analistas apontam que a menor coesão dentro do cartel gera incerteza sobre a oferta global.
Isso tende a aumentar a volatilidade nos preços do petróleo nas próximas semanas.
O que muda para o Brasil
O Brasil, como grande produtor e exportador de petróleo, pode ser afetado de duas formas.
Por um lado, preços mais altos beneficiam as receitas da Petrobras e dos royalties do pré-sal.
Por outro, o aumento do barril pressiona o preço dos combustíveis no mercado interno — especialmente diesel e gasolina.
O governo já editou a MP 1.351/2026 com R$ 330 milhões em subsídios para o gás de cozinha como resposta à alta do petróleo.
Ainda assim, especialistas alertam que o impacto nos preços na bomba pode se intensificar com a chegada do inverno no hemisfério norte.
A saída dos Emirados da OPEP representa o maior abalo no cartel desde a crise de 2020, quando a Rússia e a Arábia Saudita entraram em guerra de preços.
Resta saber se outros membros seguirão o mesmo caminho — e se a OPEP ainda terá força para influenciar os preços globais de petróleo.
