SBM Offshore eleva receita trimestral a US$ 3,5 bilhões, aumenta projeção anual acima de US$ 6,9 bilhões e encomenda dois cascos Fast4Ward para novos FPSOs.
A SBM Offshore registrou receita Directional de US$ 3,489 bilhões no primeiro trimestre de 2026, avanço de 216% sobre os US$ 1,103 bilhão obtidos no mesmo período de 2025. O desempenho levou a companhia a elevar sua previsão de receita para o ano e veio acompanhado da decisão de encomendar mais dois cascos Fast4Ward MPF diante das perspectivas consideradas favoráveis para o mercado de FPSOs.
Os números foram divulgados pela SBM Offshore em 7 de maio de 2026, em sua atualização operacional e financeira do primeiro trimestre. A empresa passou a projetar receita Directional superior a US$ 6,9 bilhões para 2026, ante aproximadamente US$ 6,5 bilhões anteriormente, enquanto manteve a previsão anual de EBITDA ao redor de US$ 1,8 bilhão.
SBM Offshore registra alta de 216% na receita do primeiro trimestre

A receita Directional da companhia avançou de US$ 1,103 bilhão no primeiro trimestre de 2025 para US$ 3,489 bilhões no mesmo período de 2026. A diferença representa crescimento de 216% em apenas um ano.
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O principal impulso veio do segmento Turnkey, ligado aos projetos de engenharia e construção. A receita dessa divisão alcançou US$ 2,879 bilhões, contra US$ 627 milhões um ano antes, correspondendo a uma expansão de 359%.
Segundo a empresa, o crescimento foi puxado principalmente pela venda da FPSO ONE GUYANA em fevereiro e pela alocação de um casco Fast4Ward MPF para o desenvolvimento Longtail, na Guiana.
Venda da FPSO ONE GUYANA pesa sobre resultado trimestral
A operação envolvendo a ONE GUYANA teve papel importante na expansão da receita. A transação também contribuiu para a redução da dívida líquida Directional da SBM Offshore, que encerrou o período em US$ 3,2 bilhões.
No fim de 2025, esse indicador estava em US$ 5,7 bilhões. A redução foi, portanto, de 43%, atribuída principalmente à venda da unidade.
Ao mesmo tempo, a empresa lembrou que três FPSOs entregues em 2025, Almirante Tamandaré, Alexandre de Gusmão e ONE GUYANA, haviam contribuído para os números do período anterior, afetando a base de comparação entre os projetos.
Operação da frota também cresce 28%
A divisão Lease and Operate, responsável pelo arrendamento e operação das unidades, registrou receita Directional de US$ 610 milhões, ante US$ 476 milhões no primeiro trimestre do ano anterior.
O crescimento de 28% refletiu principalmente a entrada de três FPSOs na frota durante 2025. O efeito foi parcialmente compensado pelas saídas da FPSO Aseng e da FPU Thunder Hawk no quarto trimestre daquele ano.
A disponibilidade acumulada da frota chegou a 97,9%, indicador que reforça o peso das operações recorrentes dentro do modelo de negócios da companhia.
Projeção anual sobe para mais de US$ 6,9 bilhões
Diante do desempenho dos projetos e de novos trabalhos contratados, a SBM Offshore revisou para cima sua previsão de receita Directional em 2026.
A estimativa anterior era de aproximadamente US$ 6,5 bilhões. Agora, a companhia espera superar US$ 6,9 bilhões, dos quais cerca de US$ 2,3 bilhões devem vir do segmento Lease and Operate e mais de US$ 4,6 bilhões do Turnkey.
A projeção de EBITDA, por outro lado, permaneceu inalterada em aproximadamente US$ 1,8 bilhão. A empresa explicou que a revisão da receita foi impulsionada principalmente pelo contrato FEED do projeto Longtail e por escopos adicionais conquistados no período.
Dois novos cascos Fast4Ward entram na carteira
Além dos resultados financeiros, a companhia anunciou a encomenda de dois novos cascos Fast4Ward MPF. A decisão foi tomada diante das perspectivas consideradas fortes para o mercado global de FPSOs.
Os novos cascos serão utilizados para apoiar processos de licitação em andamento. A lógica do Fast4Ward é desenvolver plataformas de casco padronizadas antecipadamente, permitindo que futuras unidades tenham uma base disponível antes mesmo da definição completa do projeto.
Com os novos pedidos, a SBM Offshore informou que já encomendou 12 cascos Fast4Ward MPF. Oito estão em operação ou destinados a projetos em execução, enquanto quatro permanecem em construção.
Longtail já recebeu um dos cascos encomendados
Dos quatro cascos destinados a futuros projetos, um já foi direcionado ao desenvolvimento Longtail, na Guiana. A ExxonMobil Guyana concedeu à SBM Offshore o contrato de FEED, etapa de engenharia e projeto anterior a uma eventual decisão final de investimento.
Caso o projeto avance e receba as aprovações governamentais necessárias, a companhia afirma que Longtail deverá resultar em uma FPSO com a maior capacidade de processamento de gás já implantada.
Os outros três cascos permanecem associados a processos ativos de licitação com clientes. A empresa também mantém opções para unidades adicionais junto a três estaleiros.
Brasil aparece na disputa por duas FPSOs em Sergipe-Alagoas
O mercado brasileiro também está dentro da estratégia de expansão da companhia. A SBM Offshore participa de licitações para duas FPSOs destinadas à Bacia de Sergipe-Alagoas, segundo a atualização corporativa.
As futuras unidades foram projetadas com capacidade significativa de processamento de gás, característica que vem ganhando importância nos novos desenvolvimentos offshore.
A empresa informou que o processo está avançando, mas não anunciou adjudicação nem contrato definitivo para essas duas unidades. Dessa forma, os projetos brasileiros permanecem dentro da carteira de oportunidades, e não entre contratos já assegurados.
Jaguar e GranMorgu avançam em construção
Enquanto novos contratos são disputados, três grandes projetos seguem em construção. A FPSO Jaguar, destinada à ExxonMobil na Guiana, já ultrapassou 50% de conclusão, mas ainda não alcançou 75%. O primeiro óleo está previsto para 2027.
A FPSO GranMorgu, para a TotalEnergies, encontra-se entre 25% e 50% concluída. A fabricação do casco Fast4Ward e dos módulos superiores continua na China, com primeiro óleo previsto para 2028.
A carteira inclui ainda a FSO Chalchi, para a Woodside. A SBM Offshore afirma que todos os projetos em construção continuam dentro do planejamento divulgado.
Companhia também amplia retorno aos acionistas
A melhora financeira veio acompanhada de aumento no retorno de capital. A empresa anunciou dividendo em dinheiro de US$ 100 milhões, com pagamento previsto para 13 de maio de 2026.
Também estava em andamento um programa de recompra de ações de US$ 270 milhões, aproximadamente 18% concluído até 6 de maio. Além disso, a companhia prevê outro dividendo de US$ 100 milhões referente ao primeiro semestre, sujeito às condições anunciadas.
No horizonte até 2031, a administração mantém a expectativa de devolver pelo menos US$ 2,1 bilhões aos acionistas.
SBM Offshore aposta em nova rodada de FPSOs
Os números do primeiro trimestre mostram uma companhia acelerando simultaneamente em receita, desalavancagem e preparação de capacidade industrial para novos contratos.
A receita de US$ 3,489 bilhões, a projeção anual superior a US$ 6,9 bilhões e a encomenda de novos cascos Fast4Ward indicam confiança na continuidade dos investimentos em FPSOs e infraestrutura oceânica. A concretização dessa estratégia dependerá das decisões finais de investimento dos clientes e dos resultados das licitações em andamento.
