Petrobras avalia baterias e mira o leilão de capacidade para ampliar o armazenamento de energia e acelerar sua transição energética.
A Petrobras deu um novo passo em sua estratégia de transição energética ao confirmar, nesta semana, que pretende disputar não apenas o leilão de capacidade previsto para março, mas também o leilão de baterias, marcado para abril.
A empresa, que possui 2,9 gigawatts em térmicas descontratadas, estuda como poderá participar de ambos os certames, com foco em ampliar sua presença no setor de armazenamento de energia.
A movimentação ocorre no Rio de Janeiro, durante um workshop com jornalistas, onde a estatal detalhou por que vê nessas iniciativas uma oportunidade de reposicionar seu portfólio e fortalecer sua competitividade no mercado elétrico.
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A companhia já havia demonstrado interesse no leilão de potência, mas agora adiciona ao plano uma nova frente: a construção de um parque de baterias capaz de atender à demanda a partir de 2028.
A decisão, porém, será moldada pelas regras finais que o governo ainda definirá para cada modalidade — um ponto considerado crucial na tomada de decisões da estatal.
Petrobras amplia aposta em armazenamento de energia
O interesse da Petrobras em tecnologias de armazenamento de energia surge pela primeira vez como uma diretriz explícita da companhia para diversificar suas operações.
Durante o encontro com a imprensa, Marçal, representante da estatal, afirmou que a empresa vê o movimento como estratégico.
“É uma oportunidade, a gente já vem pensando em entrar nesse segmento de armazenamento, e o leilão de reserva de capacidade é a melhor forma de você entrar”, disse o executivo, destacando que o modelo oferece segurança regulatória e previsibilidade de remuneração.
Ele reforçou ainda que “é um investimento que faz sentido para a Petrobras”, indicando que a estatal avalia o segmento não como um teste, mas como uma eventual linha de negócio para o futuro próximo.
Leilão de capacidade deve orientar próximos passos da estatal
O leilão de capacidade, que tem como função assegurar oferta firme ao sistema elétrico, será determinante para definir o ritmo da entrada da Petrobras no mercado de baterias.
A companhia avalia que sua participação dependerá diretamente das diretrizes que o governo estabelecer para o certame.
A expectativa é iniciar rapidamente o desenvolvimento da estrutura necessária para garantir um parque de baterias pleno até 2028.
Assim, a Petrobras pretende alinhar sua atuação tanto às demandas do setor elétrico quanto aos compromissos internos de descarbonização.
Térmicas descontratadas entram no radar da transição energética
Os 2,9 GW de térmicas descontratadas da companhia seguem como um ativo importante na estratégia de transição.
Mesmo diante dos desafios regulatórios, a Petrobras entende que essas usinas podem ser integradas a soluções híbridas.
A abordagem reforça a intenção da estatal de reposicionar gradualmente sua matriz energética, sem abrir mão da segurança do suprimento.
Além disso, a possibilidade de operar plantas híbridas amplia o espaço para novos modelos de negócio.
Projeto piloto reforça ambição tecnológica da Petrobras
A gerente-geral de Transição Energética do Cenpes, Roberta Mendes, também participou do encontro e destacou que a companhia já testa soluções de armazenamento de energia.
Segundo ela, a Petrobras desenvolve um projeto piloto de bateria associada a uma térmica em Juiz de Fora (MG).
No entanto, a executiva preferiu não detalhar o andamento do piloto.
A presença desse projeto indica que a estatal avança não apenas em estudos regulatórios, mas também em experimentação prática.
Expectativas para 2028 e próximos movimentos
Enquanto aguarda as definições do governo, a Petrobras mantém sua estratégia de transição energética em construção.
O interesse simultâneo no leilão de capacidade e no leilão de baterias mostra que a companhia pretende se posicionar como agente relevante no novo ciclo de modernização do setor elétrico brasileiro.
Com potencial para operar usinas híbridas, desenvolver parques de baterias e aproveitar suas térmicas descontratadas.
Assim, a expectativa agora recai sobre as regras finais e sobre a viabilidade econômico regulatória que definirá seus passos até 2028.

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