Um substituto de concreto desenvolvido com grama, conchas e água do mar está mostrando força estrutural, ajudando a recuperar ecossistemas de marés e revelando potencial para transformar tanto a proteção costeira quanto pequenas construções
O estudo realizado pelo Instituto Real Holandês de Pesquisa Marinha apresenta um substituto de concreto capaz de reter carbono e estimular a recuperação do ecossistema marinho.
O material, chamado Xiriton, demonstrou resultados expressivos em testes de campo que avaliaram seu desempenho tanto na fixação de organismos quanto na resistência estrutural ao longo do tempo.
Testes em campo revelam crescimento intenso de vida marinha
Os experimentos ocorreram em Yerseke, onde blocos desse substituto de concreto foram colocados em um banco de lama e monitorados diariamente durante as marés. A resposta ambiental surgiu de forma rápida.
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Após um ano, os blocos apresentaram um crescimento denso de organismos fixados em sua superfície.
A doutoranda Victoria Mason detalha que cerca de 70 por cento de cada peça ficou coberta por ostras, mexilhões e algas. O comportamento observado indica que o Xiriton pode auxiliar diretamente na recuperação de moluscos e contribuir para restaurar parte da biodiversidade de áreas de maré.
Ela ressalta que o caráter biodegradável é um dos diferenciais do material. Ajustando sua vida útil, esse substituto de concreto pode se decompor naturalmente quando os recifes ganham estabilidade, transformando-se em substâncias inofensivas e evitando resíduos permanentes no ecossistema.
Influência das gramíneas e do pH na resistência do material
A equipe testou diferentes gramíneas na composição do Xiriton, como espartina e capim-elefante. Mason identificou que o tempo de secagem e os níveis de aglutinante influenciaram diretamente a resistência das peças. Em cinco semanas de secagem, a solidez atingiu o nível máximo.
Outro ponto destacado é o pH mais neutro do material. Com valores entre 8 e 9, o Xiriton favorece os organismos marinhos, diferentemente do concreto convencional, que costuma ser mais alcalino. Essa característica fortalece o potencial do composto como substituto de concreto em ambientes costeiros.
Teste de durabilidade mostra desempenho elevado
Para analisar a resistência do material, os pesquisadores utilizaram o sistema Fast Flow Fume. Peças moldadas em copos de café foram submetidas a um fluxo elétrico intenso, projetado para gerar estresse maior do que o encontrado em instalações padrão.
Após 63 dias de exposição contínua, o material manteve força comparável à de alternativas ao cimento romano. Mason destaca que materiais destinados à restauração devem evitar danos de longo prazo, permitir flexibilidade de forma e vida útil e permanecer acessíveis para projetos em larga escala.
Ela reforça que, especialmente na zona entre-marés, é essencial trabalhar com materiais que não causem impactos ambientais e que mantenham custo viável.
Próximas etapas incluem estruturas maiores
A equipe prepara novos testes para verificar se o Xiriton pode sustentar estruturas do tipo quebra-ondas. A intenção é entender como ajustar a durabilidade desse substituto de concreto para funcionarem como suporte semipermanente na formação de recifes. Essa próxima fase deve ampliar o entendimento sobre o papel estrutural do material em cenários de maior porte.
Criador vê uso em construções residenciais de pequeno porte
O inventor suíço Frank Bucher apresentou o conceito em 2009 e afirma que o Xiriton pode substituir tijolos em construções de até três andares. Ele destaca que o composto não precisa de cozimento nem de água limpa, já que pode ser produzido com água de vala ou do mar.
Bucher também aponta que a combinação entre madeira e o Xiriton abre novas possibilidades de construção, porque a madeira reforça o material e o Xiriton protege a madeira.
Pesquisadores defendem abordagens de base biológica
O pesquisador sênior Jim van Belzen afirma que a construção moderna supera toda a biomassa global e defende novos caminhos sustentáveis. Para ele, materiais orientados pela circularidade e regeneração deixam de ser apenas alternativa e passam a ser necessidade.
Ele avalia que soluções ecológicas podem transformar a proteção costeira e destaca que o futuro da segurança na água pode ser mais verde do que pedra e concreto. O estudo que reúne os resultados foi publicado na revista Frontiers in Marine Science.
