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Pesquisadores descobrem que o derretimento da Antártida deve avançar pelo continente, crescer mais de 10% até 2100 e ampliar risco de colapso em plataformas de gelo após modelos climáticos inéditos de 1 km revelarem áreas altamente vulneráveis

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 18/05/2026 às 16:05
Atualizado em 18/05/2026 às 16:24
Estudo aponta avanço do derretimento superficial na Antártida e risco maior para plataformas de gelo neste século.
Estudo aponta avanço do derretimento superficial na Antártida e risco maior para plataformas de gelo neste século.
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Expansão da água líquida sobre o gelo antártico preocupa cientistas por aumentar a pressão sobre plataformas que ajudam a conter geleiras continentais e influenciam diretamente o nível do mar, segundo projeções climáticas de alta resolução publicadas em estudo internacional na revista Nature Communications.

Pesquisadores descobriram que o derretimento superficial da Antártida deve se espalhar por uma área maior do continente ao longo deste século e aumentar a pressão sobre plataformas de gelo essenciais para conter o avanço de geleiras rumo ao oceano, segundo estudo publicado em 30 de março de 2026 na revista Nature Communications.

Assinada por Yaowen Zheng, Nicholas R. Golledge, Alexandra Gossart e Shoujuan Shu, a pesquisa aponta que a ameaça ao gelo antártico não se limita ao aquecimento do oceano sob as plataformas, já que a formação de água líquida na superfície também pode enfraquecer estruturas flutuantes e ampliar o risco de instabilidade.

Derretimento superficial deve avançar na Antártida

Derretimento superficial se espalha por plataformas da Península Antártica, com água líquida visível no gelo. (Imagem: NSIDC/NASA Aqua MODIS)
Derretimento superficial se espalha por plataformas da Península Antártica, com água líquida visível no gelo. (Imagem: NSIDC/NASA Aqua MODIS)

Para estimar como o derretimento superficial pode evoluir em diferentes trajetórias de emissões, os autores utilizaram projeções climáticas com resolução de 1 quilômetro, apontando que, no cenário SSP3-7.0, a área sujeita ao fenômeno deve crescer mais de 10% até 2100.

Embora esse avanço não indique que toda a Antártida passará a derreter de maneira uniforme, os dados mostram que regiões atualmente menos expostas à água líquida podem entrar em uma faixa de risco mais elevada nas próximas décadas.

Entre os pontos considerados mais sensíveis estão a Península Antártica Ocidental e a Baía do Mar de Amundsen, regiões onde o aumento do derretimento na superfície pode comprometer plataformas de gelo responsáveis por frear o escoamento de geleiras continentais rumo ao mar.

Água líquida pode ampliar fraturas no gelo

Ligadas ao continente, as plataformas de gelo são extensões flutuantes que, apesar de já estarem sobre o oceano, funcionam como barreiras naturais capazes de reduzir a velocidade com que o gelo apoiado em terra avança em direção ao mar.

À medida que essas estruturas perdem estabilidade, as geleiras localizadas atrás delas passam a escoar com mais facilidade, um processo considerado relevante porque o gelo continental, ao alcançar o oceano, contribui diretamente para a elevação do nível do mar.

Além disso, a água líquida acumulada sobre as plataformas pode penetrar em rachaduras e desencadear o mecanismo conhecido como hidrofratura, que aumenta a pressão dentro das fendas e aprofunda fraturas já existentes, reduzindo a resistência do gelo em áreas vulneráveis.

Mudança no albedo acelera novas etapas de derretimento

Poças azuis de água de degelo se acumulam na plataforma Amery, sinal do derretimento superficial na Antártida. (Imagem: NASA/USGS)
Poças azuis de água de degelo se acumulam na plataforma Amery, sinal do derretimento superficial na Antártida. (Imagem: NASA/USGS)

Outro ponto destacado pelo estudo envolve mudanças na capacidade da superfície antártica de refletir a luz solar, já que neve e gelo claros devolvem parte importante da radiação ao espaço, enquanto áreas úmidas ou escurecidas passam a absorver mais energia.

Conhecida como redução do albedo, essa alteração pode favorecer novas etapas de derretimento, fazendo com que a superfície deixe de atuar apenas como uma camada passiva e passe a participar de processos capazes de ampliar a instabilidade local.

Durante anos, grande parte da preocupação em relação à Antártida esteve concentrada no derretimento pela base das plataformas, provocado pela interação com águas oceânicas mais quentes, mas a nova pesquisa amplia esse cenário ao mostrar que a atmosfera também pode atuar sobre o sistema glacial por cima.

Cenário de baixas emissões reduz avanço do fenômeno

Entre os cenários avaliados pelos pesquisadores, apenas o SSP1-2.6, associado a emissões mais baixas, consegue estabilizar a taxa futura de expansão do derretimento superficial nos níveis atuais, enquanto nos demais caminhos analisados a área exposta continua avançando ao longo do século.

A diferença entre os cenários indica que a trajetória das emissões influencia diretamente o ritmo de transformação da Antártida, já que, em um contexto de aquecimento mais controlado, o fenômeno não desaparece, mas deixa de avançar na mesma velocidade.

Já nos cenários de maior aquecimento, a formação de água líquida alcança áreas mais amplas e intensifica a pressão sobre regiões em que as plataformas exercem papel estrutural, embora o estudo não trate o processo como colapso inevitável, mas como aumento de vulnerabilidade física.

Modelos climáticos detalhados ajudam a identificar áreas vulneráveis

Degelo superficial aparece na plataforma Amery, na Antártida, em imagem Landsat com água líquida sobre o gelo. (Imagem: NASA/USGS)
Degelo superficial aparece na plataforma Amery, na Antártida, em imagem Landsat com água líquida sobre o gelo. (Imagem: NASA/USGS)

Com resolução de 1 quilômetro, o estudo permitiu aos pesquisadores observar contrastes que modelos climáticos mais amplos costumam suavizar, especialmente em regiões costeiras e plataformas de gelo, onde pequenas variações de relevo, temperatura e circulação atmosférica alteram o comportamento do derretimento.

Esse nível de detalhamento ajuda a identificar áreas onde a expansão da água líquida exige acompanhamento mais próximo e também permite distinguir regiões com maior chance de hidrofratura, evitando tratar o continente antártico como um bloco homogêneo.

Segundo a pesquisa, o derretimento superficial também pode afetar habitats adaptados ao frio extremo e alterar condições locais em áreas costeiras, embora o principal alerta continue relacionado à estabilidade das plataformas de gelo e sua ligação direta com o nível do mar.

A Antártida concentra volume de gelo suficiente para influenciar zonas costeiras em escala global, razão pela qual mudanças regionais envolvendo plataformas e geleiras têm impacto relevante para cidades litorâneas, infraestrutura costeira e estratégias de planejamento climático de longo prazo.

Com o avanço da água líquida sobre o gelo, cresce a necessidade de acompanhar a Antártida como um sistema influenciado por processos simultâneos, já que o oceano pode aquecer a base das plataformas enquanto a atmosfera amplia o derretimento e favorece o surgimento de fraturas.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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