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Pesquisadores da Universidade desenvolvem filtro revolucionário destrói ‘químicos eternos’ até 100 vezes mais rápido e pode mudar o futuro da água potável

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 27/01/2026 às 12:53
Filtro da Universidade Rice remove PFAS até 100 vezes mais rápido, usando calor mais baixo e podendo integrar estações de tratamento de água existentes.
Filtro da Universidade Rice remove PFAS até 100 vezes mais rápido, usando calor mais baixo e podendo integrar estações de tratamento de água existentes.
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Desenvolvido por pesquisadores da Universidade Rice, o novo filtro utiliza hidróxido duplo lamelar modificado com cobre para capturar e destruir PFAS até 100 vezes mais rápido que métodos convencionais, operando entre 400 °C e 500 °C e podendo ser integrado a sistemas existentes de tratamento de água, com potencial impacto ambiental e sanitário relevante

Pesquisadores da Universidade Rice desenvolveram um novo filtro capaz de capturar e destruir PFAS até 100 vezes mais rápido, usando aquecimento de 400 °C a 500 °C, com potencial de integração a infraestruturas existentes e impacto direto na segurança da água potável e na redução de resíduos perigosos.

Uma tecnologia que combina captura rápida e destruição controlada

Uma nova tecnologia de filtragem pode representar um ponto de virada na eliminação dos PFAS, conhecidos como “substâncias químicas eternas”. O método combina captura rápida e destruição subsequente, sem depender de processos de calor extremo ou de infraestrutura totalmente nova.

A proposta aborda um problema persistente: compostos sintéticos que não se degradam naturalmente e se acumulam na água, no solo e, ao longo do tempo, no corpo humano. A abordagem busca purificar grandes volumes de água contaminada sem gerar resíduos perigosos difíceis de gerenciar.

Segundo os testes descritos, o material desenvolvido em laboratório consegue absorver certos PFAS até 100 vezes mais rápido do que sistemas convencionais de filtragem. O ganho de velocidade reduz o tempo de tratamento e amplia a capacidade operacional.

A solução não elimina a necessidade de gestão posterior, mas altera o equilíbrio do processo ao concentrar os contaminantes em volumes menores, facilitando o controle e reduzindo riscos ambientais associados ao armazenamento prolongado.

O material que atrai o contaminante e o mantém retido

O núcleo do sistema é um hidróxido duplo lamelar, conhecido pela sigla HDL, formado por camadas microscópicas. Na versão desenvolvida pelos pesquisadores, parte do alumínio foi substituída por átomos de cobre, alteração decisiva para o comportamento químico do material.

Essa modificação confere carga positiva ao HDL, enquanto muitos PFAS de cadeia longa presentes na água possuem carga negativa. A diferença gera atração direta entre o filtro e as moléculas contaminantes, promovendo adesão eficiente.

Uma vez capturados, os PFAS permanecem retidos na estrutura interna do material. Eles não se dispersam nem atravessam o filtro, o que evita a propagação do contaminante ao longo do sistema.

Esse mecanismo permite concentrar os PFAS em um volume pequeno e gerenciável, algo que tecnologias tradicionais, como carvão ativado, osmose reversa ou trocadores iônicos, não conseguem fazer com a mesma eficiência.

Da retenção à quebra das ligações químicas

Após a captura, o material pode ser submetido a um processo térmico entre 400 °C e 500 °C. Embora elevadas, essas temperaturas são significativamente inferiores às exigidas por fornos industriais usados para tentar decompor PFAS.

Durante o aquecimento controlado, ocorre a ruptura das ligações entre carbono e flúor, consideradas as mais fortes da química orgânica. Essa etapa é central para a destruição efetiva dos compostos.

O flúor liberado se liga ao cálcio, formando um resíduo estável que pode ser tratado como material inerte. O resultado não é um subproduto tóxico que exija armazenamento subterrâneo por gerações.

Do ponto de vista ambiental, o destino final do resíduo representa uma redução de risco quando comparado a soluções que apenas transferem o problema para depósitos de longo prazo, sem destruir o contaminante.

Um poluente amplamente distribuído no cotidiano

Os PFAS não são raros nem restritos a ambientes industriais específicos. Eles estão presentes em espumas de combate a incêndio, tecidos impermeáveis, embalagens de alimentos, panelas antiaderentes, cosméticos e revestimentos industriais.

A partir desses usos, a entrada dos compostos na água torna-se quase inevitável. Estações de tratamento, aquíferos e rios em diferentes regiões detectam concentrações acima dos limites de segurança estabelecidos por autoridades de saúde.

O material destaca que, na União Europeia, a Diretiva da Água Potável já incorporou valores de referência para PFAS, enquanto países avançam em restrições mais amplas ao uso industrial. Regular, porém, não remove o que já está no ambiente.

Eliminar os contaminantes existentes exige tecnologias capazes de lidar com volumes elevados e com a persistência química desses compostos, desafio que motivou o desenvolvimento do novo filtro.

Integração a sistemas existentes como diferencial

Um aspecto central do HDL desenvolvido é sua natureza “drop-in”, termo técnico que indica possibilidade de integração direta a sistemas de filtração já existentes. Isso evita a necessidade de reformular completamente estações de tratamento.

A característica abre espaço para projetos-piloto em estações municipais de esgoto, instalações industriais e unidades móveis destinadas a áreas afetadas por contaminação específica. A adaptação reduz custos iniciais e barreiras operacionais.

Em regiões onde a poluição por PFAS está associada a bases militares, aeroportos ou parques industriais, a compatibilidade com infraestrutura atual pode determinar a viabilidade prática da solução.

Essa flexibilidade também permite escalonamento gradual, ajustando o uso do material conforme a demanda local e as características da água tratada, sem exigir investimentos imediatos em novas plantas dedicadas.

Limitações e desafios fora do laboratório

Apesar dos resultados promissores, a reação no campo da engenharia ambiental é cautelosa. A eliminação de PFAS em escala industrial envolve desafios que vão além do desempenho do material.

Segurança no local de trabalho, licenças, custos de energia e gestão final de resíduos permanecem fatores críticos. A água real difere significativamente de amostras controladas de laboratório.

Em sistemas reais, sais, metais, matéria orgânica, detergentes e resíduos de pesticidas competem por espaço nos filtros. O desempenho do HDL nesse ambiente complexo será decisivo para sua adoção.

Esse ceticismo não invalida a tecnologia, mas destaca a necessidade de testes adicionais e avaliações em condições operacionais variadas antes de uma implementação ampla e definitiva.

Potencial de aplicação em cenários de escassez hídrica

Caso seja ampliada com sucesso, a tecnologia pode integrar estratégias de recuperação de bacias hidrográficas, modernização de estações de tratamento e planos de reúso de águas residuais.

Em contextos de secas mais frequentes, melhorar a purificação da água disponível torna-se quase tão importante quanto encontrar novas fontes, reforçando o valor de soluções eficientes.

A médio prazo, a aplicação combinada do filtro com políticas de redução na fonte, como menor uso de PFAS e maior transparência na rotulagem, pode reduzir a carga ambiental desses compostos.

Não se trata de uma solução imediata para décadas de poluição acumulada. Ainda assim, o desenvolvimento indica uma mudança de rumo, mostrando como a química pode contribuir para respostas mais eficazes a um problema persistente, mesmo com desafios tecnicos e operacionais ainda presentes.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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