Startups do Uruguai e do Brasil criam tecnologias que pesam bois com drones e câmeras, reduzindo custos, tempo e estresse animal
A rotina da pecuária pode estar prestes a mudar porque três startups desenvolveram tecnologias que prometem substituir as balanças tradicionais usadas nas fazendas. Essas soluções eliminam o processo demorado e estressante da pesagem convencional, que muitas vezes reduz a produtividade.
A aposta uruguaia
A Ganader-IA, do Uruguai, criou um serviço baseado em drones e inteligência artificial. O sistema já funciona também na Argentina, no Chile e na Colômbia.
Agora, o foco é avançar sobre o Brasil, que possui o maior rebanho bovino comercial do mundo, com 238,2 milhões de cabeças.
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Segundo Erik Wansart, gerente de desenvolvimento de negócios da agtech, as negociações para atuar no mercado brasileiro estão em estágio avançado.
A meta é chegar também ao Paraguai e, em uma segunda etapa, alcançar presença global.
O funcionamento é simples: o produtor precisa apenas de um drone. Durante o voo, o equipamento filma o rebanho, e o software da Ganader-IA analisa cada animal, estimando peso e fazendo a contagem.
Origem acadêmica
O projeto nasceu na Universidad ORT, em Montevidéu, durante um desafio estudantil para criar soluções para saúde, turismo ou pecuária.
Os desenvolvedores perceberam que o custo, o tempo e o estresse dos animais eram gargalos da pesagem tradicional.
Foram dois anos de treinamento até chegar a uma inteligência artificial plenamente funcional, há seis meses.
O sistema já analisa de 300 a 400 bois em meia hora, com margem de erro entre 0% e 5%. A média é considerada aceitável pelos pecuaristas, mas a empresa busca reduzir ainda mais esse índice.
Tecnologia brasileira com câmeras
No Brasil, a Olho do Dono aposta em câmeras e visão computacional para monitorar bovinos e suínos. A solução já funciona em fazendas do Brasil, da Argentina e do Paraguai, atendendo produtores com rebanhos a partir de 500 animais.
Somente em 2025, a tecnologia já pesou 500 mil cabeças. A meta é triplicar esse número até 2026, alcançando 1,5 milhão de animais monitorados.
O CEO Pedro Henrique Mannato afirma que a diferença está na rapidez. Enquanto a pesagem manual pode consumir até oito horas, a ferramenta digital faz o trabalho em apenas 15 minutos.
Além disso, o monitoramento frequente diminui perdas e ajuda a garantir retorno mais rápido sobre o investimento.
Expansão com novos recursos
A Olho do Dono concluiu uma rodada de investimento de R$ 2,2 milhões, liderada pelo grupo BR Angels. O aporte permitirá desenvolver modalidades para produtores menores, ampliando a base de clientes.
Mannato reforça que o objetivo é democratizar o acesso à tecnologia. “Estamos criando formatos para que fazendas pequenas também consigam adotar o sistema”, disse.
A estratégia da Gado Pesado
Outra brasileira que aposta nessa inovação é a Gado Pesado, com atuação em 60 propriedades de dez Estados e três fazendas no Paraguai.
Entre seus clientes está a JBS, gigante global de carnes. A empresa oferece o serviço de pesagem por imagem em Rondônia, onde o número de balanças convencionais ainda é reduzido.
Segundo a diretora-executiva Adrielly Santos, a proposta é facilitar o dia a dia do pecuarista, mostrando a evolução do rebanho e agendando futuras pesagens.
A ideia é que o criador não precise gastar tempo mobilizando animais para usar balanças físicas.
Custos e acessibilidade
Os pacotes de serviços da Gado Pesado partem de R$ 720 por ano. Para captar as imagens, o produtor precisa adquirir uma câmera no valor de R$ 2,5 mil.
Por causa do custo acessível, até pequenos criadores têm aderido à tecnologia.
A executiva afirma que a combinação de preço baixo e praticidade atrai produtores que antes não tinham ferramentas para acompanhar de perto o desempenho de seus animais.
O futuro da pesagem
Essas três startups mostram que a pecuária passa por um momento de transformação. Drones, câmeras e softwares avançados permitem monitorar rebanhos de forma ágil, sem comprometer o bem-estar animal.
Seja no Uruguai, no Brasil ou no Paraguai, a tendência é clara: a balança física pode estar com os dias contados.
O campo, antes marcado por processos lentos, começa a adotar tecnologias que economizam tempo e aumentam a produtividade.
Com informações de Globo Rural.

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