Guarapari avança em tratativas para um aeroporto cargueiro de R$ 1 bilhão, com interesse de empresas globais e ligação prevista a portos, rodovias e ferrovia, em uma aposta logística que pode reposicionar o Espírito Santo no transporte de cargas do Sudeste brasileiro.
Guarapari, no litoral do Espírito Santo, negocia a implantação de um novo aeroporto de cargas na região de Setiba, em um projeto estimado em R$ 1 bilhão e voltado a operações logísticas, voos executivos não comerciais e integração com a malha de transportes do Sudeste.
De acordo com o canal Times Brasil, a Prefeitura de Guarapari afirma que mantém conversas há cerca de 15 meses com grupos nacionais e internacionais interessados no empreendimento, entre eles a Amazon, mas as informações públicas disponíveis indicam tratativas e expectativa de protocolos de intenção, não contrato definitivo assinado.
O plano ganhou força por combinar a posição geográfica do município, a proximidade com a BR-101, o sistema portuário capixaba e uma futura conexão ferroviária, fatores que aparecem como base para transformar a cidade em um novo polo de distribuição de cargas.
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Aeroporto cargueiro em Guarapari mira logística e aviação executiva

A proposta prevê um complexo aeroportuário com perfil predominantemente logístico, diferente da estrutura atual de Guarapari, que opera como aeródromo público e não atende a uma operação regular de grande porte voltada ao transporte de mercadorias.
Segundo dados do Departamento de Controle do Espaço Aéreo, o aeródromo de Guarapari, identificado pelo código SNGA, tem pista asfaltada de 1.088 metros por 28 metros, com operação visual e características incompatíveis com a ambição do novo projeto.
A nova área estudada fica em Setiba, enquanto o aeroporto atual está associado à aviação de menor porte, o que ajuda a explicar a discussão sobre um equipamento diferente, planejado para carga, retroárea logística e serviços ligados ao transporte.
Amazon aparece como interessada no projeto, sem anúncio fechado
A possível presença da Amazon é o ponto de maior repercussão do projeto, mas a participação da empresa, até agora, aparece nas informações oficiais como demonstração de interesse no potencial estratégico da região, sem confirmação pública de instalação ou operação contratada.
O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Otávio Postay, afirmou que a gestão busca consolidar a viabilidade econômica do aeroporto e trabalha para que os protocolos de intenção sejam assinados ainda em 2026, etapa anterior à implantação efetiva.
“Estamos dialogando e buscando a consolidação econômica da viabilidade do aeroporto”, disse Postay, ao tratar das conversas com empresas interessadas e da necessidade de estruturar o empreendimento antes da atração definitiva de investidores.

Espírito Santo reforça aposta em integração logística
Para Paulo Baraona, presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo, Guarapari se encaixa em um movimento mais amplo de fortalecimento logístico capixaba, com portos, rodovias, armazenagem e distribuição ganhando peso na estratégia econômica do estado.
A leitura do setor produtivo é que o Espírito Santo, por ser um estado de menor mercado consumidor interno, busca ampliar sua relevância como plataforma de serviços, importação, exportação e distribuição nacional, especialmente em cadeias que dependem de deslocamento rápido de mercadorias.
Nesse desenho, Guarapari entraria como uma nova peça de infraestrutura, próxima da Região Metropolitana de Vitória e de corredores rodoviários usados para ligação com outros estados, embora a integração ferroviária ainda dependa de avanços fora do controle exclusivo do município.
O projeto também dialoga com a vocação turística da cidade, já que a proposta inclui voos executivos não comerciais, mas o foco anunciado pela prefeitura está na carga, na retroárea e na atração de empresas associadas à operação logística.
Empregos e serviços entram no cálculo do novo hub de cargas
A estimativa divulgada pela Prefeitura de Guarapari é de mais de 2 mil empregos diretos e indiretos na fase inicial, número que poderia chegar a 5 mil com as operações, a implantação da retroárea e a chegada de empreendimentos acessórios.
Além das vagas ligadas à construção e à operação aeroportuária, a expectativa envolve setores como serviços, armazenagem, transporte, manutenção, alimentação, hotelaria e atividades de apoio, áreas que costumam acompanhar empreendimentos logísticos de maior porte.
Baraona avalia que a prestação de serviços pode ser um dos caminhos para sustentar o crescimento capixaba, especialmente em um ambiente econômico no qual logística, distribuição e infraestrutura passaram a ter papel central na disputa por investimentos privados.
Licenciamento ambiental e planejamento urbano seguem no radar
Apesar do potencial econômico, a implantação ainda depende de estudos, adequações urbanísticas, diálogo com órgãos ambientais e audiências públicas, conforme reconheceu o prefeito Rodrigo Borges ao afirmar que o projeto está em discussão com entidades competentes.
A administração municipal informou que há um Plano Diretor aprovado pela Agência Nacional de Aviação Civil desde 2015, mas o Plano Diretor Municipal ainda precisará receber adaptações legais para viabilizar a implantação do empreendimento.
Outro ponto sensível é a área de Setiba, citada pelo prefeito como local que exige diálogo com o Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, além de discussões públicas para detalhar impactos e condições de instalação.
Ricardo Ferraço, governador em exercício citado nas tratativas, classificou a localização de Guarapari como favorável, mas ponderou que o projeto “vai exigir ainda um pouco mais de planejamento”, sinalizando que a proposta segue em fase de estruturação.
A próxima etapa pública esperada é a formalização dos protocolos de intenção, caso as negociações avancem, enquanto estudos de viabilidade econômica e impacto regional devem detalhar custos, benefícios, condicionantes ambientais e responsabilidades de investidores e poder público.


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