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Península Ibérica está girando no sentido horário a poucos milímetros por ano e geólogos alertam que o movimento pode fechar o Estreito de Gibraltar e transformar o Mediterrâneo em um lago gigante

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Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 17/04/2026 às 16:17 Atualizado em 17/04/2026 às 16:19
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A Península Ibérica está girando no sentido horário e pode fechar o Estreito de Gibraltar, transformando o Mediterrâneo em um lago gigante salgado.
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A Península Ibérica está girando no sentido horário, empurrada pela disputa entre as placas tectônicas da Eurásia e da África. Estudos da Universidade de Granada e do CSIC medem o deslocamento a poucos milímetros por ano usando GPS de alta precisão. Se o movimento continuar, o Estreito de Gibraltar pode se fechar e transformar o Mediterrâneo em um lago salgado.

A Península Ibérica está se movendo sob os pés de mais de 58 milhões de espanhóis e portugueses, e a maioria deles não faz ideia. Cientistas confirmaram que a Península Ibérica está girando no sentido horário, um fenômeno geológico invisível a olho nu, mas com força suficiente para redesenhar o mapa da Europa e da África em milhões de anos. Estudos da Universidade de Granada e pesquisadores do CSIC comprovam que o deslocamento ocorre a poucos milímetros por ano, medido por estações de GPS de alta precisão e análises de paleomagnetismo em rochas antigas. A causa principal é a pressão entre as placas tectônicas da Eurásia e da África, que comprimem a região e forçam Portugal e Espanha a realizarem um torque lateral lento que acumula energia nas falhas geológicas.

O cenário de longo prazo é o que mais chama atenção. Se a rotação da Península Ibérica continuar no ritmo atual, o Estreito de Gibraltar tende a se fechar completamente, transformando o Mar Mediterrâneo em um gigantesco lago salgado isolado do Oceano Atlântico. Esse evento teria impactos climáticos e biológicos profundos em todo o planeta, desde a alteração de correntes oceânicas até a extinção de espécies marinhas que dependem do fluxo de água entre os dois corpos d’água. Estamos falando de um processo que leva milhões de anos, mas que já está acontecendo e já é mensurável.

Por que a Península Ibérica está girando no sentido horário

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Segundo informações do Canal Geovisuales, a principal causa da rotação da Península Ibérica é a disputa de forças entre duas das maiores placas tectônicas do planeta. A placa da Eurásia, que sustenta a maior parte da Europa e da Ásia, e a placa Africana, que empurra o continente africano para o norte, comprimem a região ibérica como um torno, gerando tensões que não se distribuem de forma uniforme. A borda sul da Península Ibérica é empurrada para o norte pela placa Africana, enquanto o norte permanece ancorado ao continente europeu.

O resultado dessa pressão desigual é um torque que força a Península Ibérica a girar. Estudos da Universidade de Granada mostram que o bloco ibérico atua como uma peça solta sendo empurrada por engrenagens gigantescas, uma analogia que os geólogos usam para explicar como uma massa de terra pode se mover em rotação sem se desconectar completamente da placa em que está inserida. O movimento é imperceptível no cotidiano humano, mas se acumula ao longo de milhões de anos em deslocamentos que redesenham costas, abrem ou fecham estreitos e criam cordilheiras.

As provas científicas de que a Península Ibérica está se movendo

As evidências acumuladas ao longo de décadas de monitoramento não deixam margem para dúvida. Rochas antigas coletadas na Península Ibérica contêm orientações magnéticas que comprovam a rotação ao longo de milhões de anos, um método chamado paleomagnetismo que analisa como os minerais magnéticos se alinharam ao campo magnético da Terra no momento em que a rocha se formou. Quando essas orientações são comparadas ao longo do tempo, elas revelam que a posição da Península Ibérica mudou significativamente.

Dados modernos confirmam o que as rochas antigas indicam. Estações de GPS de precisão medem o deslocamento real da Península Ibérica a poucos milímetros por ano, e modelos de computador criados com dados de satélites de radar confirmam a trajetória do movimento. As tensões se concentram especialmente no sul da Espanha e no sudoeste de Portugal, regiões historicamente sensíveis a terremotos e abalos sísmicos de grande magnitude, como o terremoto de Lisboa de 1755, um dos mais devastadores da história europeia.

O que acontece se o Estreito de Gibraltar se fechar

O cenário mais dramático da rotação da Península Ibérica é o fechamento do Estreito de Gibraltar, a passagem de apenas 14 quilômetros de largura que conecta o Mar Mediterrâneo ao Oceano Atlântico. Se a Península Ibérica continuar girando e a placa Africana seguir empurrando para o norte, as duas massas de terra eventualmente se encontrarão, eliminando a passagem de água que mantém o Mediterrâneo como um mar aberto e conectado.

Sem a entrada constante de água do Atlântico, o Mediterrâneo começaria a evaporar mais rápido do que recebe água de rios e chuvas, transformando-se gradualmente em um lago salgado que encolheria ao longo de milhares de anos. Esse processo não é ficção geológica: já aconteceu antes. Há cerca de 5,96 milhões de anos, o Mediterrâneo se dessecou quase completamente em um evento conhecido como Crise de Salinidade do Messiniano, deixando depósitos de sal com quilômetros de espessura no fundo do que hoje é um mar. A rotação da Península Ibérica pode repetir esse episódio no futuro geológico distante.

O risco sísmico que a rotação da Península Ibérica gera hoje

Os efeitos da rotação da Península Ibérica não são apenas de longo prazo. A compressão contínua entre as placas acumula energia nas falhas geológicas que cortam o sul da Espanha e o sudoeste de Portugal, e essa energia é liberada periodicamente na forma de terremotos. A região do Estreito de Gibraltar e o Golfo de Cádiz são áreas de risco sísmico elevado justamente por estarem na zona de contato entre as forças que fazem a Península Ibérica girar.

Para governos e engenheiros, esse risco tem implicações práticas. As simulações criadas com dados de satélites de radar ajudam no planejamento de infraestruturas críticas, como pontes, usinas e edifícios, posicionando-as longe das zonas de maior atrito tectônico na Península Ibérica. A geologia moderna transformou o que era apenas teoria em um sistema real de alerta precoce que permite antecipar o comportamento da crosta terrestre com precisão crescente. Para quem vive no sul da Espanha ou em Portugal, saber que a Península Ibérica está girando não é curiosidade acadêmica, é informação de segurança.

O que a rotação da Península Ibérica ensina sobre o planeta que habitamos

A história da Península Ibérica em movimento é, no fundo, a história de um planeta que nunca para. A superfície terrestre está em constante rearranjo, e processos que parecem estáticos em escala humana revelam transformações colossais em escala geológica. Continentes se abrem, oceanos se fecham, montanhas surgem e estreitos desaparecem em ciclos que duram milhões de anos, mas que começam com deslocamentos de milímetros que a ciência moderna consegue medir.

Para a Península Ibérica, o futuro geológico já está escrito nas forças que hoje a comprimem e a giram. O Estreito de Gibraltar pode se fechar, o Mediterrâneo pode se tornar um lago, e o mapa da Europa pode ficar irreconhecível, mas tudo isso acontecerá em escalas de tempo que ultrapassam qualquer planejamento humano. O que a ciência nos dá hoje é a capacidade de entender esse processo, monitorá-lo e usar esse conhecimento para proteger as pessoas que vivem sobre um chão que, milímetro a milímetro, nunca para de se mover.

A Península Ibérica está girando e pode fechar o Estreito de Gibraltar, transformando o Mediterrâneo em um lago. Você sabia que o chão debaixo da Europa está se movendo? Essa perspectiva muda como você vê o planeta? Deixe sua opinião nos comentários.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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