A União Europeia avança com o projeto Polar Connect, um cabo submarino de fibra ótica que cruzará o Ártico para conectar a Escandinávia à Ásia sem passar pelo Mar Vermelho. Hoje, cerca de 90% do tráfego de internet da Europa passa por essa região, que sofreu múltiplas interrupções por mísseis, navios e tensões geopolíticas. Segundo informações divulgadas pelo canal Olhar Digital, o custo do cabo submarino é estimado em 2 bilhões de euros, com previsão de operação até 2030. O projeto enfrenta desafios inéditos, incluindo gelo que pode raspar e romper os cabos em profundidades de até 4 mil metros.
A Europa está prestes a construir um cabo submarino sob as condições mais extremas do planeta para resolver um problema que ficou impossível de ignorar. O projeto Polar Connect prevê a instalação de fibra ótica no fundo do Oceano Ártico, conectando a Escandinávia ao continente asiático por uma rota que evita completamente o Oriente Médio. Atualmente, cerca de 90% do tráfego de internet da Europa passa pelo Mar Vermelho, região que sofreu pelo menos sete rompimentos de cabos nos últimos dois anos causados por mísseis lançados pelo grupo Houthi, âncoras arrastadas por navios de carga e acidentes em zonas de conflito.
O cabo submarino Polar Connect é uma resposta direta a essa vulnerabilidade. Em 2024, um míssil atingiu um navio de carga no estreito de Bab el-Mandeb, e a embarcação arrastou sua âncora, rompendo três cabos de uma vez. Em setembro de 2025, outros quatro cabos foram danificados por um navio comercial na mesma região. Os recentes ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã inviabilizaram rotas terrestres alternativas que estavam sendo planejadas para contornar o Golfo Pérsico. A Europa concluiu que precisa de um caminho que nenhum conflito no Oriente Médio possa atingir.
O que é o projeto Polar Connect e quanto custa
O Polar Connect é um cabo submarino de fibra ótica que cruzará o Oceano Ártico pelo Polo Norte, conectando a Escandinávia diretamente à Ásia. O custo total do projeto é estimado em 2 bilhões de euros, e o objetivo é que a infraestrutura esteja operacional até 2030. O cabo promete aumentar a resiliência da rede europeia e reduzir a latência na transmissão de dados entre os dois continentes.
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O projeto faz parte de uma estratégia mais ampla da União Europeia para garantir o que os formuladores de política chamam de “soberania de dados”: a capacidade de controlar a infraestrutura física por onde as informações trafegam. Enquanto o cabo submarino pelo Mar Vermelho está sujeito a ataques militares e acidentes navais, a rota ártica passa por águas internacionais sob jurisdição de países aliados da Europa, como Noruega e Islândia.
Os desafios de instalar um cabo submarino sob o gelo
A instalação do cabo submarino no Ártico enfrenta desafios técnicos que nenhum projeto anterior precisou resolver. O gelo marinho pode raspar o fundo do oceano em profundidades rasas e danificar cabos que estejam expostos, e os reparos só podem ser realizados durante o curto verão ártico, quando a cobertura de gelo diminui o suficiente para permitir a operação de navios especializados.
A experiência anterior com cabos no Ártico não é animadora. A empresa Quintillion ativou um trecho de cabo submarino na costa norte do Alasca, mas a estrutura foi rompida pelo gelo marinho em junho de 2023. Em janeiro de 2025, um iceberg atingiu novamente a linha, deixando o sistema inoperante por oito meses porque não existem navios de reparo adaptados como quebra-gelos. O restante da rota planejada pela Quintillion nunca foi implantado. A dúvida central sobre o Polar Connect é se a Europa conseguirá superar os mesmos obstáculos que paralisaram projetos menores.
Por que 90% da internet europeia passa pelo Mar Vermelho
A concentração do tráfego de dados no Mar Vermelho é resultado de decisões de infraestrutura tomadas nas décadas de 1990 e 2000, quando a rota pelo Canal de Suez era considerada segura e eficiente. Os cabos submarinos que conectam a Europa à Ásia foram instalados seguindo as rotas de navegação comercial existentes, passando pelo Mediterrâneo, Canal de Suez, Mar Vermelho e Oceano Índico.
Essa concentração nunca foi um problema até que a instabilidade no Iêmen e no Golfo Pérsico transformou a região em zona de risco permanente. Os Houthis, grupo armado que controla parte do Iêmen, começaram a atacar navios comerciais no estreito de Bab el-Mandeb em 2023, e os danos colaterais à infraestrutura submarina se tornaram rotineiros. Para a Europa, cada cabo submarino rompido significa redução de capacidade, aumento de latência e risco de interrupções em serviços que vão de operações bancárias a videoconferências.
O que o Polar Connect muda para a internet global
Se o cabo submarino for concluído até 2030, a Europa terá pela primeira vez uma rota de dados para a Ásia que não depende de nenhuma zona de conflito ativa. A redundância oferecida pela rota ártica significa que, mesmo que todos os cabos do Mar Vermelho sejam rompidos simultaneamente, a internet europeia continuará funcionando por meio do Polo Norte.
A rota ártica também oferece vantagem em latência para conexões entre o norte da Europa e o leste da Ásia, porque o caminho pelo Polo Norte é geometricamente mais curto do que a rota pelo Canal de Suez. Porém, os custos de manutenção em ambiente polar são significativamente maiores do que em águas tropicais, e a viabilidade econômica de longo prazo depende de a Europa conseguir desenvolver navios de reparo capazes de operar em condições de gelo.
Você sabia que 90% da internet da Europa passa por uma zona de guerra? Acha que vale investir 2 bilhões de euros para colocar um cabo submarino debaixo do gelo do Polo Norte? Conta nos comentários.

