A China e o Cazaquistão acordaram a criação de uma plataforma conjunta de comércio de grãos que funcionará com base na Plataforma Nacional On-line de Comércio de Grãos da China. O comércio de produtos agrícolas entre os dois países cresceu 36,8% em 2025 e atingiu 1,97 bilhão de dólares. Segundo informações do TV Brics, nos três primeiros meses de 2026, as exportações cazaques para a China avançaram 82,4% e alcançaram 550 milhões de dólares. A plataforma faz parte do Plano de Ação da China e dos países da Ásia Central, ligado à Iniciativa Cinturão e Rota.
A China está montando silenciosamente uma rede de abastecimento de grãos com seu vizinho Cazaquistão que vai muito além de uma simples relação comercial. O vice-ministro da Agricultura do Cazaquistão, Ermek Kenzhekhanuly, e Liu Huanxin, chefe da Administração Estatal de Alimentos e Reservas Estratégicas da China, anunciaram a criação de uma plataforma conjunta de comércio de grãos que permitirá que empresas dos dois países negociem soja, oleaginosas e produtos do setor de óleos por meio de acordos diretos e negociações competitivas. O comércio agrícola entre os dois países atingiu 1,97 bilhão de dólares em 2025, crescimento de 36,8% em relação ao ano anterior, e as exportações cazaques para a China nos três primeiros meses de 2026 já avançaram 82,4%, chegando a 550 milhões de dólares.
Liu Huanxin afirmou que “o Cazaquistão é um parceiro importante da China na garantia da segurança alimentar e no desenvolvimento de cadeias sustentáveis de abastecimento de produtos agrícolas”. A plataforma será desenvolvida com base na atual Plataforma Nacional On-line de Comércio de Grãos da China, infraestrutura digital que já opera internamente e que agora será ampliada para incluir fornecedores cazaques. O acordo é parte do Plano de Ação da China e dos países da Ásia Central, integrado à Iniciativa Cinturão e Rota.
O que a plataforma conjunta vai fazer na prática

A plataforma de comércio de grãos permitirá que empresas cazaques e chinesas realizem operações comerciais por dois mecanismos: negociações competitivas, semelhantes a leilões, e acordos diretos entre compradores e vendedores. O foco principal será soja, oleaginosas e produtos do setor de óleos e gorduras, categorias em que o Cazaquistão tem produção excedente e a China tem demanda crescente.
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Durante as negociações, as partes trataram da criação de centros logísticos e portos secos na fronteira entre os dois países, além do intercâmbio de tecnologias de armazenamento e processamento. A infraestrutura logística é essencial porque o Cazaquistão é um país sem acesso ao mar, e o escoamento de grãos para a China depende de corredores terrestres eficientes. A plataforma digital elimina intermediários e reduz custos de transação, tornando as exportações cazaques mais competitivas no mercado da China.
Os números que mostram a velocidade do avanço
Os indicadores comerciais entre os dois países mostram uma aceleração que chama atenção. Em 2025, o comércio de produtos agrícolas cresceu 36,8% e atingiu 1,97 bilhão de dólares. As exportações do complexo agroindustrial cazaque para a China somaram 1,43 bilhão de dólares no mesmo ano, alta de 35,3%. Os principais produtos enviados foram rações, óleos vegetais, sementes de linho e girassol, além de óleo de colza.
Nos três primeiros meses de 2026, a aceleração ficou ainda mais evidente: as exportações cazaques para a China cresceram 82,4% e alcançaram 550 milhões de dólares. O volume total do comércio agrícola no trimestre atingiu 697 milhões de dólares, alta de 61,7%. Se esse ritmo se mantiver ao longo do ano, o comércio bilateral pode ultrapassar 2,7 bilhões de dólares em 2026.
Por que a China busca grãos na Ásia Central
A estratégia da China de diversificar fornecedores de grãos não é nova, mas ganhou urgência nos últimos anos. A guerra comercial com os Estados Unidos, as tensões com a Austrália e o risco de interrupções nas rotas marítimas do Estreito de Malaca fizeram Pequim buscar fontes terrestres de alimentos que não dependam de navios e portos para chegar ao mercado chinês.
O Cazaquistão oferece exatamente isso: compartilha mais de 1.700 quilômetros de fronteira com a China, possui terras agrícolas vastas e produção excedente de grãos e oleaginosas. A conexão terrestre direta elimina a vulnerabilidade de rotas marítimas e garante que, em caso de crise alimentar global ou bloqueio naval, a China mantenha acesso a suprimentos essenciais. A plataforma de comércio de grãos formaliza essa relação e a transforma em infraestrutura permanente.
O que o acordo significa para a segurança alimentar global
A criação da plataforma conjunta posiciona a China como compradora estrutural de grãos da Ásia Central, o que pode afetar o mercado global. Contratos de longo prazo para fornecimento de grãos e oleaginosas, combinados com centros logísticos na fronteira, significam que uma parcela crescente da produção cazaque será direcionada para a China em vez de competir no mercado aberto.
Para exportadores como Brasil, Estados Unidos e Argentina, que também fornecem soja e oleaginosas para a China, o acordo cazaque representa um concorrente adicional que opera com vantagem logística de proximidade terrestre. A plataforma é mais uma peça na estratégia da China de construir redundância alimentar: múltiplos fornecedores, múltiplas rotas e múltiplas plataformas, garantindo que nenhuma crise externa possa comprometer o abastecimento de 1,4 bilhão de pessoas.
Você sabia que a China está construindo uma plataforma de comércio de grãos com o Cazaquistão para não depender de rotas marítimas? Acha que isso pode afetar as exportações do Brasil? Conta nos comentários.

O mundo não percebe mas a China está comprando tudo para estocar no caso de um caos global, enquanto que a maioria se não 100% dos paises exportadores não estão pensando numa catastrofe e so vendendo, ganância por dinheiro e não estão estocando.Moral da história?Se vier o fim do mundo(uma crise global, pandemia, fome)estaremos todos perdidos e a China rindo na nossa cara.