1. Início
  2. / Agronegócio
  3. / Enquanto o mundo discute geopolítica, a China silenciosamente fecha um acordo com seu vizinho cazaque para garantir o abastecimento de grãos durante qualquer crise alimentar global, mais de 3.600 empresas cazaques já podem exportar diretamente para o mercado chinês
Tempo de leitura 5 min de leitura Comentários 1 comentário

Enquanto o mundo discute geopolítica, a China silenciosamente fecha um acordo com seu vizinho cazaque para garantir o abastecimento de grãos durante qualquer crise alimentar global, mais de 3.600 empresas cazaques já podem exportar diretamente para o mercado chinês

Publicado em 25/05/2026 às 01:43
Atualizado em 25/05/2026 às 01:52
China e Cazaquistão criam plataforma conjunta de comércio de grãos. Exportações cazaques crescem 82% e plataforma amplia acesso ao mercado chinês.
China e Cazaquistão criam plataforma conjunta de comércio de grãos. Exportações cazaques crescem 82% e plataforma amplia acesso ao mercado chinês.
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
36 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo

A China e o Cazaquistão acordaram a criação de uma plataforma conjunta de comércio de grãos que funcionará com base na Plataforma Nacional On-line de Comércio de Grãos da China. O comércio de produtos agrícolas entre os dois países cresceu 36,8% em 2025 e atingiu 1,97 bilhão de dólares. Segundo informações do TV Brics, nos três primeiros meses de 2026, as exportações cazaques para a China avançaram 82,4% e alcançaram 550 milhões de dólares. A plataforma faz parte do Plano de Ação da China e dos países da Ásia Central, ligado à Iniciativa Cinturão e Rota.

A China está montando silenciosamente uma rede de abastecimento de grãos com seu vizinho Cazaquistão que vai muito além de uma simples relação comercial. O vice-ministro da Agricultura do Cazaquistão, Ermek Kenzhekhanuly, e Liu Huanxin, chefe da Administração Estatal de Alimentos e Reservas Estratégicas da China, anunciaram a criação de uma plataforma conjunta de comércio de grãos que permitirá que empresas dos dois países negociem soja, oleaginosas e produtos do setor de óleos por meio de acordos diretos e negociações competitivas. O comércio agrícola entre os dois países atingiu 1,97 bilhão de dólares em 2025, crescimento de 36,8% em relação ao ano anterior, e as exportações cazaques para a China nos três primeiros meses de 2026 já avançaram 82,4%, chegando a 550 milhões de dólares.

Liu Huanxin afirmou que “o Cazaquistão é um parceiro importante da China na garantia da segurança alimentar e no desenvolvimento de cadeias sustentáveis de abastecimento de produtos agrícolas”. A plataforma será desenvolvida com base na atual Plataforma Nacional On-line de Comércio de Grãos da China, infraestrutura digital que já opera internamente e que agora será ampliada para incluir fornecedores cazaques. O acordo é parte do Plano de Ação da China e dos países da Ásia Central, integrado à Iniciativa Cinturão e Rota.

O que a plataforma conjunta vai fazer na prática

imagem ilustrativa
imagem ilustrativa

A plataforma de comércio de grãos permitirá que empresas cazaques e chinesas realizem operações comerciais por dois mecanismos: negociações competitivas, semelhantes a leilões, e acordos diretos entre compradores e vendedores. O foco principal será soja, oleaginosas e produtos do setor de óleos e gorduras, categorias em que o Cazaquistão tem produção excedente e a China tem demanda crescente.

Durante as negociações, as partes trataram da criação de centros logísticos e portos secos na fronteira entre os dois países, além do intercâmbio de tecnologias de armazenamento e processamento. A infraestrutura logística é essencial porque o Cazaquistão é um país sem acesso ao mar, e o escoamento de grãos para a China depende de corredores terrestres eficientes. A plataforma digital elimina intermediários e reduz custos de transação, tornando as exportações cazaques mais competitivas no mercado da China.

Os números que mostram a velocidade do avanço

Os indicadores comerciais entre os dois países mostram uma aceleração que chama atenção. Em 2025, o comércio de produtos agrícolas cresceu 36,8% e atingiu 1,97 bilhão de dólares. As exportações do complexo agroindustrial cazaque para a China somaram 1,43 bilhão de dólares no mesmo ano, alta de 35,3%. Os principais produtos enviados foram rações, óleos vegetais, sementes de linho e girassol, além de óleo de colza.

Nos três primeiros meses de 2026, a aceleração ficou ainda mais evidente: as exportações cazaques para a China cresceram 82,4% e alcançaram 550 milhões de dólares. O volume total do comércio agrícola no trimestre atingiu 697 milhões de dólares, alta de 61,7%. Se esse ritmo se mantiver ao longo do ano, o comércio bilateral pode ultrapassar 2,7 bilhões de dólares em 2026.

Por que a China busca grãos na Ásia Central

A estratégia da China de diversificar fornecedores de grãos não é nova, mas ganhou urgência nos últimos anos. A guerra comercial com os Estados Unidos, as tensões com a Austrália e o risco de interrupções nas rotas marítimas do Estreito de Malaca fizeram Pequim buscar fontes terrestres de alimentos que não dependam de navios e portos para chegar ao mercado chinês.

O Cazaquistão oferece exatamente isso: compartilha mais de 1.700 quilômetros de fronteira com a China, possui terras agrícolas vastas e produção excedente de grãos e oleaginosas. A conexão terrestre direta elimina a vulnerabilidade de rotas marítimas e garante que, em caso de crise alimentar global ou bloqueio naval, a China mantenha acesso a suprimentos essenciais. A plataforma de comércio de grãos formaliza essa relação e a transforma em infraestrutura permanente.

O que o acordo significa para a segurança alimentar global

A criação da plataforma conjunta posiciona a China como compradora estrutural de grãos da Ásia Central, o que pode afetar o mercado global. Contratos de longo prazo para fornecimento de grãos e oleaginosas, combinados com centros logísticos na fronteira, significam que uma parcela crescente da produção cazaque será direcionada para a China em vez de competir no mercado aberto.

Para exportadores como Brasil, Estados Unidos e Argentina, que também fornecem soja e oleaginosas para a China, o acordo cazaque representa um concorrente adicional que opera com vantagem logística de proximidade terrestre. A plataforma é mais uma peça na estratégia da China de construir redundância alimentar: múltiplos fornecedores, múltiplas rotas e múltiplas plataformas, garantindo que nenhuma crise externa possa comprometer o abastecimento de 1,4 bilhão de pessoas.

Você sabia que a China está construindo uma plataforma de comércio de grãos com o Cazaquistão para não depender de rotas marítimas? Acha que isso pode afetar as exportações do Brasil? Conta nos comentários.

Inscreva-se
Notificar de
guest
1 Comentário
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Ira
Ira
28/05/2026 10:31

O mundo não percebe mas a China está comprando tudo para estocar no caso de um caos global, enquanto que a maioria se não 100% dos paises exportadores não estão pensando numa catastrofe e so vendendo, ganância por dinheiro e não estão estocando.Moral da história?Se vier o fim do mundo(uma crise global, pandemia, fome)estaremos todos perdidos e a China rindo na nossa cara.

Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
1
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x