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Peixes somem e microrganismos tomam conta: a 301 metros no fundo do mar, o Buraco do Dragão revela um mundo sem oxigênio no Mar do Sul da China

Publicado em 14/06/2026 às 15:21
Atualizado em 14/06/2026 às 15:23
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Imagem: Ilustração artística
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Com cerca de 301 metros de profundidade, o Buraco do Dragão intriga cientistas por reunir águas rasas com vida marinha, camadas profundas sem oxigênio e microrganismos adaptados a condições extremas

Com cerca de 301 metros de profundidade, o Buraco do Dragão, no Mar do Sul da China, chama atenção por esconder uma coluna d’água que muda drasticamente com a profundidade: perto da superfície há luz e vida marinha, mas abaixo de cerca de 100 metros o oxigênio praticamente desaparece.

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Buraco azul nas Ilhas Paracel concentra profundidade e isolamento

O Buraco do Dragão, também chamado de Yongle Blue Hole, fica na região das Ilhas Paracel, no Mar do Sul da China.

A formação é descrita como um sumidouro submarino profundo, cercado por paredes calcárias e marcado por uma entrada de azul intenso.

A aparência, porém, mostra apenas a parte mais visível do fenômeno. O interesse científico está na mudança brusca entre a faixa superior, iluminada e com peixes, e as camadas profundas, onde a água se torna quase sem oxigênio.

As medições associadas ao Buraco do Dragão indicam profundidade próxima de 301 metros. O Guinness World Records registra que o Dragon Hole já foi citado como antigo detentor de recorde, antes da confirmação de formações ainda mais profundas.

Mesmo sem manter esse posto, a escala da estrutura continua relevante. O buraco azul combina grande profundidade, isolamento e mudanças químicas intensas em uma área relativamente pequena do oceano.

Buraco azul profundo impressiona
Imagem: Reprodução / Video do Youtube

Oxigênio some abaixo de cerca de 100 metros

Na parte superior, até aproximadamente 80 metros, a água ainda recebe luz e tem oxigênio suficiente para sustentar peixes, microalgas e organismos comuns em ambientes de recifes tropicais.

Essa camada inicial pode dar a impressão de um ambiente marinho comum, visualmente claro e com vida. A mudança acontece na descida, quando o oxigênio dissolvido começa a cair rapidamente.

Entre 80 e 100 metros, o Buraco do Dragão entra em uma faixa de transição. A partir de cerca de 100 metros, o interior passa a ser descrito como anóxico, com perda quase total de oxigênio.

Essa condição torna as camadas profundas hostis para peixes e outros animais marinhos comuns. No fundo, a vida passa a depender principalmente de microrganismos capazes de sobreviver sem oxigênio livre.

Buraco azul profundo impressiona
Reprodução / Video do Youtube

Camadas explicam contraste entre vida e ambiente extremo

A estratificação da água ajuda a entender por que o mesmo buraco azul reúne ambientes tão diferentes. A formação pode ser dividida em três faixas principais, conforme luz, oxigênio e condições químicas mudam.

A zona oxigenada vai de 0 a cerca de 80 metros. É a parte mais iluminada, com presença de vida marinha comum e condições mais próximas das águas rasas.

A zona de transição fica entre 80 e 100 metros. Nesse trecho, o oxigênio cai de forma acentuada, preparando a passagem para as camadas mais isoladas.

A zona anóxica profunda se estende de aproximadamente 100 metros até os 301 metros. Ali, a água sem oxigênio e os compostos químicos extremos passam a dominar o ambiente.

Buraco azul profundo impressiona
Imagem: Reprodução / Video do Youtube

Microrganismos dominam onde peixes não resistem

Nas camadas profundas do Buraco do Dragão, peixes e organismos mais complexos não conseguem sobreviver. Ainda assim, o ambiente não é vazio. A vida microscópica encontra caminhos alternativos para existir.

Entre os organismos associados a esse tipo de ambiente estão bactérias anaeróbicas e archaea. Esses microrganismos são adaptados a condições extremas e podem usar reações químicas que não dependem do oxigênio livre.

Também são citados metabolismos baseados em enxofre e metano, comuns em ambientes severos. Essas comunidades microbianas isoladas interessam à ciência por ajudarem a estudar adaptação, evolução e limites da vida.

A ausência de oxigênio também reduz a decomposição de materiais que afundam no interior da formação.

Com menor ação de bactérias aeróbicas, sedimentos e estruturas orgânicas podem permanecer preservados por mais tempo.

Por isso, o Buraco do Dragão também é importante para estudos sobre paleoclima, variações antigas do nível do mar e mudanças ambientais registradas no fundo marinho. Seu interior funciona como um arquivo natural da história oceânica.

A relevância do Buraco do Dragão não está apenas na profundidade. O que torna essa formação importante é a combinação entre isolamento, química extrema e vida microscópica resistente, em um ambiente que mostra o que ocorre quando o oxigênio desaparece das camadas profundas.

Esta matéria foi elaborada com base em informações da página sobre o Dragon Hole e do Guinness World Records, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.

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Romário Pereira de Carvalho

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