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China envia navio ao fundo do Pacífico, encontra minerais raros no leito oceânico, retira 90 kg de basalto das profundezas e testa sistema inédito de 10 mil metros que faz uma espécie de “tomografia” da Terra sob o mar

Escrito por Ana Alice
Publicado em 11/06/2026 às 16:54
Atualizado em 11/06/2026 às 16:59
Assista o vídeoChina testa sistema de 10 mil metros no Pacífico e coleta nódulos minerais e 90 kg de rochas em expedição científica no oceano. (Imagem: Ilustrativa)
China testa sistema de 10 mil metros no Pacífico e coleta nódulos minerais e 90 kg de rochas em expedição científica no oceano. (Imagem: Ilustrativa)
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Expedição chinesa ao Pacífico reúne amostras minerais, rochas vulcânicas e teste de tecnologia em grande profundidade, ampliando dados sobre regiões pouco exploradas do oceano e sobre equipamentos voltados à pesquisa geológica submarina.

A China divulgou novos dados de uma expedição científica ao fundo do Oceano Pacífico, onde pesquisadores recolheram nódulos polimetálicos, amostras de rochas e água próxima ao leito marinho, além de testar um sistema eletromagnético projetado para operar em profundidades de até 10 mil metros.

A missão foi realizada pelo navio de pesquisa Haiyang Dizhi-6, também chamado de Ocean Geology-6, que concluiu sua 16ª expedição de levantamento geológico em águas profundas.

A operação reuniu coleta de amostras, mapeamento geológico e teste de equipamentos desenvolvidos para funcionar sob pressão extrema.

Esse tipo de missão busca ampliar o conhecimento sobre a formação do fundo oceânico e sobre as condições físicas de áreas onde a luz solar não chega e a presença humana direta não é viável em atividades rotineiras de pesquisa.

Segundo a agência estatal Xinhua, a expedição partiu em 03 de abril de 2026, durou 52 dias e percorreu quase 13 mil quilômetros.

Os resultados foram apresentados após o retorno do navio a Guangzhou, no sul da China, em junho de 2026, com informações divulgadas pela Administração de Pesquisa Geológica da China e pelo Levantamento Geológico Marinho de Guangzhou.

Amostras coletadas no fundo do Pacífico

Entre os materiais recolhidos estão nódulos polimetálicos, crostas ricas em cobalto, rochas do fundo do mar, sedimentos, água intersticial e amostras de água próxima ao assoalho oceânico.

Esses elementos são usados por pesquisadores para analisar processos geológicos em regiões profundas, especialmente em bacias oceânicas e zonas de rifte no Pacífico Ocidental.

Os nódulos polimetálicos são formações arredondadas que crescem lentamente no fundo do oceano ao longo de milhões de anos.

Em geral, eles podem conter manganês, níquel, cobalto e cobre, metais associados a diferentes cadeias industriais.

De acordo com a Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos, depósitos com esse tipo de composição aparecem principalmente em planícies abissais, em profundidades que costumam variar de 4 mil a 6 mil metros.

Na expedição chinesa, os pesquisadores informaram ter identificado uma área com alta abundância de nódulos polimetálicos.

Também foram recuperados cerca de 90 quilos de basalto, rocha vulcânica comum na crosta oceânica e usada em estudos sobre a origem e a evolução do leito marinho.

Qin Pengbo, vice-diretor do Instituto de Geologia Marinha Aplicada do Levantamento Geológico Marinho de Guangzhou, disse à CGTN que a equipe encontrou nódulos em alta concentração e coletou aproximadamente 90 quilos de amostras de basalto.

Segundo ele, o material pode contribuir para estudos sobre as características da região fonte do manto naquela área e sobre processos ligados à evolução profunda da Terra.

Navio de pesquisa Haiyang Dizhi-6
Navio de pesquisa Haiyang Dizhi-6

Sistema eletromagnético para explorar o oceano profundo

Além da coleta de amostras, a expedição testou um sistema de aquisição eletromagnética de classe 10 mil metros.

Veículos estatais chineses descreveram o equipamento como o primeiro do tipo com capacidade para atuar em toda a profundidade oceânica.

O sistema foi desenvolvido pelo Levantamento Geológico Marinho de Guangzhou e passou por testes de aceitação em alto-mar.

O equipamento operou em uma zona de rifte abissal no Pacífico Ocidental, a 7.737 metros de profundidade, onde obteve dados eletromagnéticos classificados como de alta qualidade pelos pesquisadores envolvidos.

Segundo os relatos publicados pela imprensa estatal chinesa, os indicadores de desempenho atenderam aos critérios previstos para o teste.

Levantamentos eletromagnéticos são usados para analisar, de forma indireta, estruturas abaixo do fundo do mar.

A partir da medição de sinais naturais ou induzidos no ambiente, cientistas conseguem inferir propriedades físicas das rochas, como condutividade elétrica, estrutura e composição.

Essas informações ajudam a mapear formações enterradas, zonas de fratura e processos relacionados à dinâmica da crosta oceânica.

Em profundidades elevadas, a operação desse tipo de instrumento exige resistência à pressão, estabilidade durante a coleta de dados e capacidade de registrar informações com precisão durante o lançamento, a permanência no fundo e a recuperação do equipamento.

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Geologia do oceano profundo e zona hadal

A parte mais profunda do oceano ainda concentra lacunas relevantes para a ciência.

A zona hadal, que começa em torno de 6 mil metros e pode chegar a quase 11 mil metros nas fossas oceânicas, é marcada por frio, escuridão e pressão elevada.

A NOAA, agência dos Estados Unidos dedicada a oceanos e atmosfera, descreve essa faixa como a região mais profunda do oceano.

Áreas desse tipo interessam à geologia porque preservam registros associados a placas tectônicas, vulcanismo, circulação de fluidos, formação da crosta e interação entre o manto terrestre e o fundo marinho.

Amostras coletadas em profundidade podem complementar dados obtidos por satélites, sensores remotos e levantamentos feitos a partir da superfície.

O basalto recolhido na missão pode ser analisado para investigar como determinadas porções da crosta oceânica se formaram e foram alteradas ao longo do tempo.

Sedimentos e fluidos associados ao fundo marinho também podem conter informações sobre mudanças ambientais e processos químicos que atuam em escalas geológicas longas.

Nódulos polimetálicos e pesquisa em áreas extremas

O interesse por nódulos polimetálicos também tem relação com a presença de metais usados em setores como baterias, ligas metálicas e equipamentos eletrônicos.

Ao mesmo tempo, a eventual mineração em águas profundas é discutida em fóruns internacionais por causa de possíveis impactos ambientais e da falta de conhecimento acumulado sobre ecossistemas de grande profundidade.

A expedição chinesa divulgada em junho de 2026 foi apresentada como uma missão científica e tecnológica, não como uma operação comercial de mineração.

As informações disponíveis tratam da coleta de amostras, da obtenção de dados geofísicos e do teste de sensores capazes de operar em áreas profundas do Pacífico.

O Haiyang Dizhi-6 tem sido usado pela China em levantamentos geológicos e geofísicos.

Segundo a imprensa estatal chinesa, o navio entrou em operação em 2009, foi projetado e construído no país e já realizou mais de 80 missões em áreas como o Mar do Sul da China, o Pacífico Ocidental e a região da Península Antártica.

A combinação entre amostras físicas e dados geofísicos também pode apoiar projetos internacionais de perfuração oceânica.

Nesses programas, cientistas extraem testemunhos de sedimentos e rochas abaixo do fundo do mar para estudar a história climática, a evolução das bacias oceânicas e processos que moldam a superfície terrestre.

Mesmo com o avanço de robôs, sensores e navios especializados, o oceano profundo segue exigindo instrumentos adaptados a condições ambientais extremas.

A missão chinesa acrescenta novos dados a esse campo de pesquisa e mostra como a exploração científica do fundo do mar depende tanto da coleta de amostras quanto do desenvolvimento de tecnologias capazes de operar em profundidades próximas ao limite conhecido dos oceanos.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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