Denúncia dentro de hospital público expõe conflito entre liberdade religiosa e respeito à diversidade em Feira de Santana
A repercussão de um caso envolvendo religião, direitos individuais e convivência social ganhou força nos últimos dias na Bahia. Um pastor bastante conhecido nas redes sociais, com cerca de 234 mil seguidores, passou a ser investigado por suspeita de injúria com conotação homofóbica após um episódio ocorrido dentro de uma unidade hospitalar pública.
A informação foi divulgada por “g1”, conforme reportagem recente com base em dados da Polícia Civil, que detalha os primeiros desdobramentos do caso. O episódio aconteceu no Hospital Geral Clériston Andrade (HGCA), localizado em Feira de Santana, considerada a segunda maior cidade do estado.
De acordo com a Polícia Civil (PC), a 1ª Delegacia Territorial (DT) instaurou um inquérito na segunda-feira (20), após um jovem de 20 anos relatar que foi alvo de ofensas homofóbicas. O suspeito, identificado como Moisés Neri dos Santos, de 55 anos, estaria realizando uma pregação religiosa dentro da unidade no momento da ocorrência.
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O que aconteceu dentro do hospital e como começou a investigação
Segundo informações apuradas, o episódio teve início enquanto o pastor realizava uma pregação religiosa no interior do hospital. Ainda conforme relato da defesa, representada pelo advogado Armênio Seixas, a equipe jurídica foi acionada para acompanhar a situação após a denúncia.
Ao chegar ao local, o advogado encontrou o jovem já acompanhado por policiais, enquanto o pastor aguardava no posto policial da unidade. Posteriormente, todos os envolvidos foram conduzidos até a delegacia do bairro Sobradinho para prestar esclarecimentos formais.
Durante o depoimento, a vítima afirmou ter se sentido profundamente ofendida após o pastor supostamente declarar que “a homossexualidade seria abominável aos olhos de Deus”. Essa fala, segundo o jovem, foi interpretada como direcionada e discriminatória, o que motivou o registro da ocorrência.
Além disso, uma testemunha também foi ouvida, reforçando a necessidade de aprofundamento das investigações. A Polícia Civil segue realizando oitivas para esclarecer todos os detalhes e circunstâncias do caso.
Defesa nega crime e caso levanta debate nacional
Por outro lado, a defesa do pastor nega qualquer prática criminosa. O advogado afirmou que Moisés Neri dos Santos não direcionou ofensas a nenhuma pessoa específica e que, caso tenha feito alguma declaração, ela teria sido baseada exclusivamente em ensinamentos bíblicos, de forma genérica e sem intenção de atingir indivíduos.
Ainda assim, após os depoimentos, todos os envolvidos foram liberados, e o caso segue agora para análise do Judiciário. “Vamos aguardar o decorrer da investigação e o encaminhamento adequado para que possamos atuar também nessa esfera”, declarou o advogado.
Enquanto isso, o episódio rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais, principalmente porque o pastor já possui histórico de viralização com pregações em espaços públicos e privados da cidade. Além disso, ele também já tentou carreira política, tendo sido candidato a vereador em Feira de Santana pelo partido Avante em 2024 e a deputado estadual pelo Patriota em 2022, embora não tenha sido eleito em nenhuma das ocasiões.
Paralelamente, a direção do Hospital Geral Clériston Andrade informou que tem conhecimento do caso, porém, até o momento, optou por não se pronunciar oficialmente.
Diante desse cenário, o caso reacende um debate sensível e cada vez mais presente no Brasil: o limite entre liberdade religiosa e discurso de ódio. Especialistas apontam que situações como essa exigem análise cuidadosa, principalmente quando envolvem ambientes públicos e possíveis violações de direitos.
