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Países cobertos por dunas compram areia no exterior porque a do deserto não serve para concreto nem vidro, Emirados importaram seis milhões de toneladas, ONU alerta para crise global, crime ambiental e um recurso tão vital quanto invisível hoje real

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 25/01/2026 às 17:05
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Areia se torna crise global: Emirados Árabes no deserto importam milhões, ONU alerta escassez e avanço do crime ambiental ligado a esse recurso vital.
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Areia parece abundante na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes, mas a areia eólica das dunas é fina e arredondada, ruim para vidro e concreto. Em 2023, os Emirados importaram mais de seis milhões de toneladas. A ONU alerta: são 50 bilhões por ano e já há crime internacional hoje

A areia virou um paradoxo geopolítico e industrial no Golfo: Arábia Saudita e Emirados Árabes, países associados ao deserto, importam toneladas e toneladas do material que, à primeira vista, deveria sobrar. Em 2023, os Emirados Árabes, sozinhos, compraram mais de seis milhões de toneladas, mesmo assentados sobre enormes extensões de dunas.

O pano de fundo é maior do que uma curiosidade logística. A areia se tornou o segundo recurso mais explorado do planeta, atrás apenas da água, e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente calcula que o mundo usa 50 bilhões de toneladas por ano de areia e cascalho. A escassez e o valor do insumo já alimentam redes criminosas de tráfico internacional, sinal de que o mercado entrou em zona de pressão estrutural.

Por que a areia do deserto não serve do jeito que a indústria precisa

Areia se torna crise global: Emirados Árabes no deserto importam milhões, ONU alerta escassez e avanço do crime ambiental ligado a esse recurso vital.

A chave está no tipo de material. A areia chamada de eólica, acumulada pelo vento em dunas, tende a ser muito fina, muito uniforme e muito arredondada. Essas características atrapalham a fabricação de vidro e concreto, além de outros produtos industriais, porque o desempenho do material depende de textura, distribuição de grãos e comportamento na mistura.

Na prática, não é que a areia eólica seja impossível de usar. Ela pode até entrar em processos industriais, mas exige ajustes que encarecem a produção: controlar granulometria, lidar com impurezas, administrar o excesso de finos e equilibrar minuciosamente as etapas de fabricação. Quando o custo de adaptação sobe, a conta fecha do outro lado: fica mais barato importar uma areia mais adequada a processos padronizados.

O tamanho do consumo e o alerta da ONU para uma crise global

Areia se torna crise global: Emirados Árabes no deserto importam milhões, ONU alerta escassez e avanço do crime ambiental ligado a esse recurso vital.

O consumo global ajuda a explicar por que o tema deixou de ser detalhe técnico. A escala de uso anual, estimada em 50 bilhões de toneladas de areia e cascalho, pressiona cadeias de suprimento e expõe um recurso que costuma ser tratado como invisível, apesar de vital para obras, manufatura e infraestrutura.

Nesse cenário, a areia entra em disputa silenciosa: países compram, empresas buscam especificações rígidas e surgem tensões ligadas a extração e comércio. O alerta da ONU aparece como síntese desse quadro: a escassez já é concreta o suficiente para criar crime ambiental organizado e redes que operam além de fronteiras.

Quais areias entram nas importações do Golfo e por que isso importa

Areia se torna crise global: Emirados Árabes no deserto importam milhões, ONU alerta escassez e avanço do crime ambiental ligado a esse recurso vital.

Há muitos tipos de areia e a diferenciação é decisiva. O material distingue a areia natural identificada como HS 250590 e as areias silicosas e de quartzo registradas como HS 250510. Os países do Golfo importam sobretudo a segunda categoria, associada a aplicações industriais mais exigentes.

Os Emirados Árabes ilustram o contraste em valores: gastam cerca de meio milhão por ano em areia natural e 87 milhões em areias silicosas e de quartzo. O recado implícito é que não basta ter areia em volume. É preciso ter a areia certa, com granulometria, pureza, umidade, finos, contaminantes e constância no fornecimento compatíveis com padrões industriais.

Essa exigência técnica se conecta diretamente aos usos citados como críticos: vidro, fundição, filtração e indústria química. Em todos esses segmentos, a qualidade do insumo define rendimento, custo e confiabilidade do produto final.

Quando importar areia vira estratégia para evitar dano ambiental interno

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O caso do Golfo não se limita à incapacidade da areia do deserto para certos usos. Os países também importam areia natural, inclusive quando poderiam usar parte do que está disponível localmente. O ponto é governança e externalidades: evitar a drenagem de areia de costas e desertos pode ser visto como forma de reduzir impactos negativos.

A ONU destaca que extrair areia em grande escala pode alterar meios de subsistência e aumentar vulnerabilidades. Entre os efeitos citados estão impactos sobre pesca, riscos à agricultura por salinização, danos ao turismo costeiro e maior exposição a tempestades. Em alguns casos, comprar de outros países, como Omã, funciona como saída para deslocar parte do custo ambiental e social para fora das fronteiras, ainda que isso crie outros dilemas.

Do caso da Sardenha ao mercado clandestino: o sintoma de uma disputa maior

A tensão em torno da areia já produziu episódios que viralizam e ajudam a revelar o tamanho do problema. No verão de 2019, ficou famosa a história de um casal detido na Sardenha por esconder 40 quilos de areia no porta-malas. O episódio virou anedota pública, mas aponta para uma realidade maior: a pressão sobre o recurso cresce, e a extração irregular ganha espaço.

Somado ao alerta sobre redes criminosas internacionais, o quadro sugere que a areia deixou de ser apenas insumo barato e abundante. Ela passa a ser tratada como ativo estratégico, com efeito direto em custos industriais, política ambiental e estabilidade de cadeias produtivas.

Qual é o ponto mais preocupante para você nessa crise da areia: a dependência industrial, o crime ambiental ou o impacto nas costas e comunidades locais?

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Paulo Victor
Paulo Victor
27/01/2026 20:14

No dia em que a areia importada estiver escassa vai compensar tratar a areia do deserto.

Se a areia do deserto ainda nao esta sendo tratada e porque a areia importada ainda e mais barata e por consequência, abundante.

Anderson Teixeira Apolinario
Anderson Teixeira Apolinario
27/01/2026 07:10

Bom dia eu acredito que geológicamente falando existe um equilíbrio de peso no planeta que vai entrar em desequilíbrio ” é só pensar em uma balança antiga o se usava o contrapeso” parece besteira mas se parar pra pensar faz um grande sentimento….

Paulo Victor
Paulo Victor
Em resposta a  Anderson Teixeira Apolinario
27/01/2026 20:15

Seu raciocínio esta correto. Mas as grandezas envolvidas sao muito menores que as necessárias para causar algum disturbio

André Elias Seilert
André Elias Seilert
26/01/2026 19:25

Acho correto, visto que é um recurso abundante em superfície. A areia pode ser transformada em fibras psra construção e inúmeras estruturas.. a exploração de ferro, calcário e outros minérios profundos estão “cansando” a terra, pois são materiais essências que regulam processos internos. Se o diabo mora no centro da terra.. acho uma solução viável explorar recursos superficiais e não profundos. Obrigado.

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Bruno Teles

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