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Ao lado do Brasil, país vizinho avalia túnel submarino de 3,7 km em uma das regiões mais extremas da América, obra estimada inicialmente em US$ 1,5 bilhão que pode acabar com a dependência de balsas rumo à Terra do Fogo

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 02/06/2026 às 19:46
Atualizado em 02/06/2026 às 22:13
Chile estuda túnel submarino de 3,7 km no Estreito de Magalhães para substituir balsas e ligar a Terra do Fogo.
Chile estuda túnel submarino de 3,7 km no Estreito de Magalhães para substituir balsas e ligar a Terra do Fogo.
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Projeto incluído no plano chileno para 2025–2035 prevê um túnel submarino de 3,7 km no Estreito de Magalhães, em obra estimada inicialmente em US$ 1,5 bilhão, para reduzir a dependência de balsas, enfrentar atrasos causados pelo clima extremo e melhorar a conexão com a Terra do Fogo

O extremo sul da América do Sul voltou a discutir uma obra capaz de mudar a conexão terrestre com a Ilha Grande da Terra do Fogo. O Governo Regional de Magallanes e da Antártica Chilena incluiu em seu Plano de Desenvolvimento de Zonas Extremas 2025–2035 a meta de construir um túnel no setor de Primera Angostura, o trecho mais estreito do Estreito de Magalhães, entre o continente e a ilha.

A proposta aparece em documento oficial aprovado pelo Conselho Regional de Magallanes em 30 de junho de 2025. No anexo de investimentos do plano, a iniciativa é identificada como “Construcción alternativa conectividad sector Primera Angostura – Bahía Azul, Provincia de Magallanes y Tierra del Fuego”. O mesmo documento estabelece como meta a construção de um túnel em Primera Angostura até 2035.

Embora tenha impacto direto para a Argentina, sobretudo para o tráfego que segue em direção à Terra do Fogo argentina, a proposta mais concreta registrada até agora é chilena.

O traçado citado nas fontes verificadas fica no setor de Punta Delgada, no continente chileno, e Bahía Azul, na Ilha Grande da Terra do Fogo, também em território chileno.

Por isso, a obra não pode ser descrita como um túnel construído diretamente entre Santa Cruz e a Terra do Fogo argentina, embora beneficie essa rota.

construção de túnel
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Travessia atual depende de balsas e do clima extremo

Hoje, quem viaja por terra até a Terra do Fogo depende do sistema de balsas que cruza o Estreito de Magalhães em Primera Angostura. A travessia é curta, com cerca de 30 minutos, mas fica sujeita às condições climáticas da região, marcada por ventos fortes, frio intenso e tempestades.

Cancelamentos, filas e atrasos afetam tanto passageiros quanto caminhões que transportam mercadorias para abastecimento da ilha. Esse é um dos principais argumentos usados para defender uma ligação fixa no extremo sul chileno.

O diagnóstico aparece no próprio plano regional chileno. Na seção dedicada à comuna de Primavera, o documento afirma que a localidade tem “conectividade terrestre deficiente” porque depende do cruze por Punta Delgada, serviço oferecido por uma empresa, com horários e frequências próprios. A solução indicada é a construção de um túnel subterrâneo para facilitar a conectividade com o continente.

construção de túnel
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Projeto ganhou força com estimativa de 3,7 km

A proposta ganhou nova repercussão em 2026 após reportagem do jornal chileno Diario Financiero, publicada em 1º de junho, informar que a obra teria 3,7 quilômetros de extensão. A reportagem citou o governador regional de Magallanes, Jorge Flies, ao afirmar que a viabilidade da construção aumentou à medida que caíram as estimativas de custo e cresceram os argumentos econômicos e sociais a favor da ligação fixa.

Estimativas anteriores colocavam o investimento necessário na casa de US$ 1,5 bilhão, valor repetido em reportagens argentinas e chilenas desde 2024. No entanto, a reportagem do Diario Financiero informou que análises recentes de especialistas internacionais teriam reduzido o custo potencial para cerca de US$ 500 milhões, um terço da estimativa inicial.

Essa possível redução de custo abriria espaço para estudar modelos de financiamento privado por concessão. Mesmo assim, esse valor ainda deve ser tratado como estimativa preliminar, já que não há orçamento executivo nem licitação aberta.

Especialistas europeus analisaram viabilidade técnica

O projeto também passou a ser comparado, em reportagens regionais, a túneis submarinos construídos na Noruega. Em agosto de 2025, veículos da Patagônia argentina noticiaram que especialistas noruegueses avaliaram a viabilidade de uma solução subterrânea no setor de Punta Delgada e Bahía Azul, justamente por se tratar da passagem mais estreita do Estreito de Magalhães.

A Noruega é frequentemente citada como referência porque possui experiência em túneis rodoviários submarinos em áreas frias e de geografia complexa. Essa comparação, no entanto, não significa que a obra chilena já tenha projeto final aprovado. Ela indica apenas que há base técnica internacional sendo observada para avaliar se uma estrutura desse tipo poderia funcionar na Patagônia austral.

Obra ainda não tem licitação, financiamento nem acordo formal

Apesar do entusiasmo político, a obra ainda está longe de sair do papel. O próprio Plano de Desenvolvimento de Zonas Extremas indica que o estudo de prefactibilidade deverá avaliar diferentes alternativas para resolver os problemas de conectividade. Em outra observação registrada no documento, há menção de que o túnel poderia ser avaliado também na Segunda Angostura, hipótese que o aproximaria de Porvenir, outra localidade relevante da ilha.

A checagem publicada pelo jornal argentino Crítica Sur em 22 de maio de 2026 reforça esse ponto. O veículo informou que não há, até o momento, licitação aberta, financiamento aprovado, cronograma de obras nem acordo binacional formal entre Argentina e Chile para executar o túnel.

A proposta existe, está registrada em planejamento regional chileno e voltou ao debate público, mas não deve ser tratada como uma obra confirmada. O estágio atual é de estudo, articulação política e avaliação de alternativas técnicas.

Ligação fixa teria impacto estratégico para a Terra do Fogo

A ligação fixa é considerada estratégica por motivos logísticos, econômicos e sociais. Um túnel reduziria a dependência das balsas, daria previsibilidade ao transporte de cargas e poderia melhorar o abastecimento de produtos essenciais na Terra do Fogo.

Também facilitaria o deslocamento de moradores, turistas e trabalhadores que hoje precisam organizar a viagem de acordo com os horários do ferry e com as condições do tempo. Em uma região de baixa densidade populacional, grandes distâncias e clima severo, a previsibilidade no transporte é um fator decisivo para serviços, comércio e circulação de pessoas.

Para a Argentina, o interesse é evidente. O acesso rodoviário ao setor argentino da Terra do Fogo, incluindo Ushuaia e Río Grande, passa por território chileno. Uma travessia permanente em Primera Angostura poderia reduzir incertezas logísticas em uma rota usada por caminhões, ônibus e veículos particulares.

Ainda assim, qualquer uso estratégico pela Argentina dependeria de coordenação bilateral, regras de fronteira, alfândega, manutenção e eventual participação financeira. Até agora, as fontes verificadas apontam para um projeto liderado pelo lado chileno, com impacto regional sobre a conectividade argentina.

Proposta pode virar uma das maiores obras da Patagônia austral

O projeto está em uma fase intermediária entre a ideia histórica e a obra executável. Há registro em um plano oficial chileno vigente entre 2025 e 2035, há meta de longo prazo, há estimativas técnicas em debate e há interesse político regional.

O que ainda falta é transformar essa proposta em estudos definitivos, engenharia detalhada, licenciamento, acordo institucional e modelo de financiamento. Sem essas etapas, não há como afirmar que o túnel será construído, nem quando as obras poderiam começar.

Até que esse processo avance, o túnel sob o Estreito de Magalhães deve ser tratado como uma proposta de infraestrutura em avaliação, e não como uma construção já aprovada. Se sair do papel, poderá se tornar uma das obras mais importantes da conectividade austral, substituindo a travessia por balsa por uma ligação permanente entre o continente e a Terra do Fogo.

Fontes

Este artigo foi elaborado com base no Plano de Desenvolvimento de Zonas Extremas de Magallanes 2025–2035, aprovado pelo Conselho Regional de Magallanes em 30 de junho de 2025; em reportagem do Diario Financiero publicada em 1º de junho de 2026. Também teve checagem do jornal argentino Crítica Sur publicada em 22 de maio de 2026;

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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