Alta do petróleo impulsiona crescimento acelerado, enquanto riscos econômicos e sociais começam a surgir no cenário interno
A guerra no Oriente Médio, com impactos diretos sobre o estreito de Ormuz, passou a redesenhar o mapa energético global.
Nesse contexto, um país vizinho do Brasil surgiu como um dos principais beneficiados fora da região do conflito.
Ao mesmo tempo, o país vive um boom econômico sem precedentes, impulsionado pela disparada do petróleo.
-
Submarino nuclear chinês disparou míssil estratégico no Pacífico com ogiva simulada, atingiu área designada e reacendeu tensão regional, dias depois de Pequim avisar países vizinhos e em meio a exercícios navais com a Rússia perto de Qingdao, enquanto Nova Zelândia e Papua Nova Guiné alertam para presença militar chinesa persistente
-
Funeral do aiatolá Ali Khamenei reúne entre 15 e 20 milhões de pessoas em Teerã com gritos de vingança contra Trump, quatro meses após sua morte em ataque conjunto de Israel e Estados Unidos
-
EUA cravam presença definitiva em Jerusalém com nova embaixada permanente e reacendem debate internacional sobre a capital de Israel
-
O mundo possui quase 12 mil ogivas nucleares, e a maior parte delas está concentrada nos arsenais dos Estados Unidos e da Rússia; veja os números da China, França e Reino Unido
Desde 2019, quando iniciou a exploração offshore, a economia foi multiplicada por cinco, tornando-se a que mais cresce no mundo.
Agora, com o barril próximo de US$ 100 em 2026, acima da média de US$ 69 registrada em 2025, os ganhos foram ampliados pela instabilidade global.
Crescimento acelerado impulsiona receitas recordes
Com a escalada dos preços do petróleo, a arrecadação aumentou de forma significativa.
Desde o início do conflito envolvendo o Irã, em 2026, a receita semanal saltou de cerca de US$ 370 milhões para mais de US$ 620 milhões.
Além disso, o principal polo produtivo está concentrado no bloco Stabroek, operado por consórcio liderado pela ExxonMobil.
A produção deve alcançar 940 mil barris por dia ainda em 2026, com expansão acelerada.
Caso os preços se mantenham elevados, os campos petrolíferos podem gerar até US$ 33 bilhões no ano, cerca de 75% acima das projeções anteriores.
Enquanto isso, a Europa, pressionada pela crise energética, paga prêmios mais altos pelo petróleo, ampliando os ganhos do país.
Expansão de projetos acelera produção
Paralelamente, as grandes petroleiras avançam com novos investimentos.
Atualmente, quatro projetos já operam, cada um apoiado por plataformas FPSO avaliadas em cerca de US$ 2 bilhões.
Além disso, um quinto projeto deve entrar em operação antes do previsto, enquanto outros seguem em construção.
Entre eles, há iniciativas voltadas também ao gás natural.
À medida que os custos iniciais forem amortizados, até o fim de 2026, a participação do governo deve subir de 14,5% para mais de 50%.
Dependência do petróleo preocupa especialistas
Apesar da bonança, a dependência do petróleo cresce de forma acelerada.
Atualmente, o setor representa cerca de 50% do orçamento público e 75% do PIB.
Esse nível supera, inclusive, o de países tradicionalmente dependentes, como a Líbia.
Diante disso, especialistas alertam para a chamada “maldição dos recursos naturais”.
Enquanto o petróleo gera riqueza, outros setores sofrem com o aumento dos custos de energia.
Embora o governo tenha zerado impostos sobre combustíveis, operadores privados já repassam aumentos.
Inflação e impactos sociais se intensificam
Além disso, os efeitos já são sentidos pela população.
Desde 2021, os preços de alimentos e moradia subiram cerca de 75%, pressionando o custo de vida.
Ao mesmo tempo, o setor petrolífero atrai mão de obra qualificada, reduzindo profissionais em outras áreas.
Paralelamente, surgem sinais de pressão institucional, com riscos de desperdício e tensões com a imprensa.
Projetos de infraestrutura também enfrentam atrasos e aumento de custos.
Um exemplo é o projeto de gás natural, que já custa seis vezes mais que o previsto e segue atrasado.
Governo tenta equilibrar crescimento e estabilidade
Mesmo diante dos desafios, o governo busca manter o equilíbrio econômico.
Para isso, investimentos em infraestrutura foram iniciados, incluindo uma rodovia até o Brasil e uma ponte sobre o rio Demerara.
Segundo organismos internacionais, indicadores como inflação central e déficit fiscal permanecem relativamente sob controle.
Ainda assim, economistas recomendam cautela na gestão dos recursos.
Entre as medidas sugeridas, destaca-se o fortalecimento do fundo soberano para evitar gastos excessivos.
Desafio da riqueza rápida coloca país à prova
Por fim, o país se tornou um exemplo claro de como choques geopolíticos criam vencedores inesperados.
Ao mesmo tempo, evidencia os desafios clássicos de economias dependentes de recursos naturais.
Diante disso, o principal desafio será evitar a expansão descontrolada dos gastos públicos.
Assim, o país precisará garantir que a riqueza do petróleo não comprometa o desenvolvimento de outros setores.
Diante desse cenário, esse país vizinho do Brasil conseguirá transformar sua riqueza em crescimento sustentável ou cairá na armadilha da dependência do petróleo?
