A persistência dos EUA mantêm o maior déficit comercial do mundo está ligada ao papel do dólar como moeda global e ao privilégio de emitir a moeda usada nas transações internacionais, o que permite ao país comprar mais do que vende sem comprometer sua posição econômica imediata
Os Estados Unidos seguem com o maior déficit comercial do planeta, importando mais bens e serviços do que exportam. Em julho de 2025, o saldo negativo da balança comercial americana chegou a US$ 78,3 bilhões, impulsionado pela alta das importações e pelo fortalecimento da demanda interna.
Esse desequilíbrio, que para outros países representaria um sinal de fragilidade, se sustenta porque o dólar americano continua sendo a principal moeda de reserva e de comércio global. A posição dominante da moeda permite aos EUA financiar déficits recorrentes emitindo a própria moeda que o mundo inteiro precisa para fazer negócios.
Como funciona o déficit comercial dos EUA
O déficit comercial ocorre quando as importações de um país superam suas exportações.
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As próximas horas serão de tensão crescente em torno do viés a ser adotado pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom/BC) com relação à taxa básica de juros (Selic), ao cabo da reunião dessa quarta-feira (17). Embora o mercado se apresente ‘dividido’ quanto à decisão do colegiado, a tendência mais forte das últimas semanas é de que a taxa se mantenha inalterada no patamar atual de 14,50% ao ano. Já uma ala minoritária ainda ‘aposta’ em uma queda 0,25 ponto percentual (p.p).
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No caso dos EUA, as compras externas ultrapassam consistentemente as vendas, gerando um saldo negativo que, em 2025, se mantém entre US$ 60 e US$ 80 bilhões por mês.
Em março daquele ano, o recorde chegou a US$ 136 bilhões, segundo o Departamento de Comércio.
A diferença é coberta pela emissão de títulos e pela confiança internacional no dólar.
Outros países aceitam financiar os EUA comprando esses papéis, porque precisam de dólares para suas próprias operações comerciais.
Esse ciclo mantém a engrenagem global girando, mesmo que o déficit americano cresça.
O papel do dólar como moeda de reserva global
O domínio do dólar nasceu após a Segunda Guerra Mundial, com os acordos de Bretton Woods, e se consolidou nas décadas seguintes.
Atualmente, cerca de 46% das reservas internacionais mundiais estão em dólares, segundo dados do FMI para o primeiro semestre de 2025, embora essa participação tenha caído em relação aos 60% registrados em 2015.
Mesmo em queda, o dólar continua sendo a principal referência nas transações internacionais, especialmente em commodities estratégicas como petróleo, gás e grãos.
Para importar esses produtos, países precisam antes adquirir dólares, o que mantém uma demanda permanente pela moeda americana.
O “privilégio exorbitante” dos Estados Unidos
Esse mecanismo é conhecido como “privilégio exorbitante”, expressão cunhada pelo economista francês Valéry Giscard d’Estaing nos anos 1960.
Ela descreve a capacidade dos EUA de emitir sua própria moeda para pagar por importações e financiar dívidas externas.
Enquanto outros países precisam equilibrar suas contas externas, os Estados Unidos podem comprar mais do que produzem sem risco imediato de insolvência, pois o mundo aceita o dólar como pagamento.
Isso sustenta um padrão de consumo elevado, mas também aumenta a dependência global da estabilidade econômica americana.
Riscos de longo prazo e mudanças no cenário global
Apesar do aparente conforto, o modelo apresenta riscos.
A dívida pública americana ultrapassou US$ 36 trilhões em 2025, elevando preocupações sobre a sustentabilidade desse sistema.
A queda gradual da participação do dólar nas reservas internacionais e a busca por alternativas, como o yuan chinês e o ouro, indicam um movimento lento de diversificação monetária.
Alguns países, incluindo o Brasil, têm defendido acordos comerciais bilaterais que reduzam a dependência do dólar, especialmente dentro de blocos como o BRICS.
A perda progressiva de hegemonia cambial poderia, a longo prazo, limitar a capacidade dos EUA de sustentar déficits tão amplos sem consequências inflacionárias ou fiscais.

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