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Os data centers de IA podem consumir 9,3 trilhões de litros de água por ano, alerta a ONU

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 30/06/2026 às 20:30 Atualizado em 30/06/2026 às 20:34
Data centers de IA podem consumir 9,3 trilhões de litros de água por ano até 2030, alerta estudo da ONU. Entenda a conta oculta da inteligência artificial.
Data centers de IA podem consumir 9,3 trilhões de litros de água por ano até 2030, alerta estudo da ONU. Entenda a conta oculta da inteligência artificial.
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Um estudo das Nações Unidas revela a conta escondida da inteligência artificial: além da energia, a corrida pela IA vai beber água e ocupar terra numa escala difícil de imaginar

A inteligência artificial tem um custo que quase ninguém vê quando digita um comando no celular. Por trás de cada resposta de um chatbot existe uma estrutura física gigantesca de data centers que consomem energia e, principalmente, muita água para se manter resfriados. E esse consumo está prestes a explodir.

Um novo estudo das Nações Unidas projeta que os data centers de IA podem chegar a consumir 9,3 trilhões de litros de água por ano até 2030, um volume capaz de atender às necessidades domésticas básicas de 1,3 bilhão de pessoas. A revolução da IA, descobriu-se, é muito mais sedenta do que se imaginava.

9,3 trilhões de litros de água por ano

O número que abre o relatório é assustador. Segundo a ONU News, com base em estudo do Instituto de Água, Meio Ambiente e Saúde da Universidade das Nações Unidas, o consumo de água dos centros de dados movidos a IA pode atingir 9,3 trilhões de litros anuais até o fim da década.

Esse volume não é abstrato. A própria ONU compara: daria para suprir as necessidades domésticas de água de 1,3 bilhão de pessoas, o equivalente a toda a população da África Subsaariana, por um ano inteiro. Comparar o consumo de máquinas com a sede de um continente inteiro é o que torna o dado tão chocante, e mostra que a IA entrou na disputa por um recurso cada vez mais escasso.

Por que a inteligência artificial bebe tanta água

A pergunta natural é: para que serve toda essa água? A resposta está no calor. Os servidores que rodam os modelos de IA esquentam muito, e a forma mais comum de resfriá-los é com água, que circula e evapora para baixar a temperatura dos equipamentos.

Quanto mais potente o modelo e mais gente o usa, mais servidores ligados, mais calor e mais água evaporada. Cada conversa com um chatbot tem, lá na ponta, um pouco de água virando vapor para resfriar máquinas, e a soma de bilhões de usos diários transforma um gasto invisível em um problema ambiental concreto.

Treinar uma única IA bebeu 1 bilhão de litros

Fileiras de servidores em um data center geram calor intenso e dependem de água para resfriamento.
Fileiras de servidores em um data center geram calor intenso e dependem de água para resfriamento.

Um exemplo do estudo dá a dimensão do gasto. Conforme a ONU News, apenas o treinamento de um grande modelo, o ChatGPT-5, consumiu cerca de 100 gigawatts-hora de eletricidade, 1 bilhão de litros de água e ocupou 1,5 quilômetro quadrado, área equivalente a 215 campos de futebol.

E isso é só o treino de um modelo. Depois de pronto, ele segue consumindo recursos a cada uso. Gastar 1 bilhão de litros de água apenas para ensinar uma máquina a conversar é o tipo de número que reposiciona o debate sobre IA, tirando o foco só da energia e colocando a água no centro da discussão.

O que mais surpreendeu os cientistas

A descoberta mais incômoda do estudo é contraintuitiva. A principal autora, a doutora Miriam Aczel, resumiu o achado em uma frase citada pela Revista Movimento: as escolhas que parecem mais ecológicas do ponto de vista do carbono muitas vezes acabam sendo piores para a água ou o solo.

Isso significa que olhar só para as emissões de gás carbônico engana. Uma solução que reduz carbono pode, ao mesmo tempo, gastar mais água ou ocupar mais terra. Resolver um problema ambiental criando outro é a armadilha que o estudo expõe, e o recado é que a pegada da IA precisa ser medida em várias frentes, não apenas no carbono.

Os data centers vão consumir 945 TWh até 2030

A água é só metade da conta. A ONU News aponta que a demanda de eletricidade dos data centers deve saltar de 448 terawatts-hora em 2025 para 945 terawatts-hora até 2030, quase o triplo do consumo somado de Paquistão, Bangladesh e Nigéria, países que juntos têm mais de 650 milhões de habitantes.

Se os data centers fossem um país, já estariam entre os maiores consumidores de energia do planeta. Esse consumo de energia pressiona redes, encarece a conta de luz e compete por geração limpa. Quando a infraestrutura de uma tecnologia consome mais que nações inteiras, o impacto deixa de ser detalhe técnico e vira questão de política energética, com efeitos sobre toda a sociedade.

Não é só carbono: água, solo e lixo eletrônico

O avanço da inteligência artificial cobra um preço ambiental que vai além da energia, atingindo água e uso do solo.
O avanço da inteligência artificial cobra um preço ambiental que vai além da energia, atingindo água e uso do solo.

O estudo soma vários impactos esquecidos. Além da água e da energia, a expansão da IA deve gerar enormes emissões e ocupar muito território. A pegada hídrica anda lado a lado com o uso do solo e com a montanha de lixo eletrônico que esses equipamentos produzem quando ficam obsoletos.

Tudo isso costuma ficar fora do debate, que tende a focar apenas no carbono. Medir só uma parte do estrago é o que faz a IA parecer mais limpa do que realmente é, e o trabalho da Universidade da ONU serve justamente para abrir os olhos sobre o custo total dessa infraestrutura, antes que ela cresça ainda mais.

Por que isso importa para o Brasil

O alerta é especialmente relevante para o Brasil, que vem oferecendo incentivos para atrair grandes data centers ao país, de olho em empregos e investimentos. A vantagem da energia limpa e abundante é real, mas a outra ponta da conta, o consumo de água, raramente entra na propaganda desses projetos.

Em um país que já convive com crises hídricas em várias regiões, instalar estruturas que bebem bilhões de litros exige planejamento. Atrair tecnologia sem olhar para o impacto na água pode trocar um problema de hoje por outro amanhã, e é esse equilíbrio que o estudo da ONU ajuda a colocar na mesa de decisão.

A conta oculta da revolução da IA

O retrato que o estudo pinta é o de uma tecnologia poderosa, mas com um custo ambiental que vinha passando despercebido. A inteligência artificial vai mudar a economia e o trabalho, isso é certo, mas o preço disso inclui água, energia e terra em volumes que só agora começam a ser dimensionados com seriedade.

A pergunta que fica é se o mundo vai conseguir crescer em IA sem secar rios e sobrecarregar redes elétricas. Você imaginava que cada conversa com um robô de inteligência artificial ajuda a evaporar, lá longe, uma parte da água que poderia abastecer cidades?

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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