ONU alerta que ritmo de combate ao metano segue abaixo do necessário para conter aquecimento global
A ONU revelou que quase 90% dos vazamentos de metano detectados por satélite ainda não receberam resposta efetiva dos governos e das empresas de energia.
O relatório, divulgado em 22 de outubro de 2025, ocorre às vésperas da COP30, marcada para novembro em Belém (PA), e reforça que o planeta está longe de conter o avanço do metano, um dos gases mais potentes do efeito estufa.
Monitoramento global expõe falhas na ação das companhias
De acordo com o Observatório Internacional de Emissões de Metano, apoiado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP), apenas 12% dos 3.500 alertas de vazamentos de 2024 e 2025 foram resolvidos.
O índice é maior que o 1% registrado em 2023, porém ainda está muito aquém da urgência climática, segundo o relatório.
O observatório opera 17 satélites que rastreiam plumas de metano em regiões de extração de petróleo, gás e carvão, enviando dados em tempo real a autoridades e empresas.
Mesmo assim, muitas companhias ignoram os alertas, demonstrando falta de comprometimento ambiental e transparência.
Além disso, o estudo destaca que a maioria das falhas ocorre por descuido técnico e omissão gerencial.
Metano: o vilão mais rápido do aquecimento global
O metano permanece menos tempo na atmosfera do que o dióxido de carbono (CO₂), mas é 80 vezes mais potente na retenção de calor, conforme o IPCC.
Por isso, especialistas afirmam que reduzir as emissões desse gás é a maneira mais rápida e eficaz de conter o aquecimento global.
Mais de 150 países aderiram ao Compromisso Global do Metano, lançado em 2021, com a meta de diminuir 30% das emissões até 2030.
Contudo, a diretora executiva do UNEP, Inger Andersen, reforçou que as ações continuam lentas, apesar das promessas firmadas em cúpulas anteriores.
Além disso, ela ressaltou que “a janela de tempo para agir está se fechando rapidamente”, o que aumenta a pressão sobre as grandes economias.
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Indústria de petróleo e gás detém maior poder de mudança
O relatório destaca que o setor de petróleo e gás tem o maior potencial de mitigação, já que muitos vazamentos ocorrem por falhas simples de vedação.
Esses problemas, segundo o documento, podem ser resolvidos com baixo custo e rápida execução.
Inger Andersen declarou que “em alguns casos, basta apertar parafusos para evitar toneladas de emissões”, ilustrando a falta de ações básicas.
Além disso, 25 episódios recentes de correção imediata provaram que respostas rápidas trazem impacto significativo, mostrando que o problema é de gestão, e não de tecnologia.
Portanto, a responsabilidade recai sobre as companhias que optam por adiar correções fáceis e de baixo custo.
Investidores e Europa intensificam pressão por transparência
Em outubro de 2025, investidores que administram mais de 4,5 trilhões de euros exigiram que a União Europeia mantenha sua lei de emissões de metano.
A medida visa impedir flexibilizações que possam favorecer importações de gás natural liquefeito (GNL) dos Estados Unidos, em meio a disputas comerciais.
Além disso, os investidores afirmaram que qualquer recuo nas regras ambientais enfraqueceria os compromissos de neutralidade climática até 2050.
Autoridades europeias reagiram prometendo endurecer a fiscalização e elevar multas contra empresas que não apresentarem planos de mitigação.
ONU amplia vigilância e cria sistema global de alerta
O Observatório Internacional de Emissões de Metano pretende expandir o monitoramento para carvão metalúrgico, resíduos urbanos e agricultura.
De acordo com Giulia Ferrini, chefe do observatório, o plano é criar até 2026 um sistema de alerta global interconectado.
Esse sistema permitirá detectar emissões invisíveis, mas devastadoras, antes que se tornem eventos climáticos irreversíveis.
Além disso, a ONU reforça que cada tonelada de metano evitada hoje reduz o risco de catástrofes ambientais amanhã.

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