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O Reino Unido está jogando blocos de concreto de seis toneladas no fundo do Mar do Norte e o motivo é o oposto do que você imagina porque cada bloco carrega 4 mil ostras capazes de filtrar milhões de litros de água por dia

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 04/04/2026 às 10:53
Atualizado em 04/04/2026 às 11:12
O Reino Unido joga blocos de concreto de seis toneladas no fundo do Mar do Norte. Cada bloco carrega 4 mil ostras que filtram milhões de litros de água por dia.
O Reino Unido joga blocos de concreto de seis toneladas no fundo do Mar do Norte. Cada bloco carrega 4 mil ostras que filtram milhões de litros de água por dia.
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Vinte blocos de concreto especiais, cada um pesando seis toneladas e carregando 4 mil ostras nativas, foram lançados ao fundo do Mar do Norte na costa de Tyne and Wear, no Reino Unido. O projeto liderado pela Sociedade Zoológica de Londres visa restaurar recifes de ostras perdidos há mais de um século.

Quando enormes blocos de concreto são despejados no fundo do mar, a primeira reação costuma ser de estranhamento ou indignação. Mas ao largo da costa do Reino Unido, essa ação aparentemente destrutiva se tornou a ponta de lança de um dos projetos de restauração ecológica mais ambiciosos da Europa. Vinte blocos de concreto fabricados com tecnologia especial foram lançados recentemente na costa de Tyne and Wear, no Mar do Norte. Cada um pesa seis toneladas, mede um metro e meio de altura e carrega 4 mil ostras nativas europeias em sua superfície. O objetivo é trazer de volta à vida os recifes de ostras que o Mar do Norte perdeu há mais de um século.

O projeto é liderado pela Sociedade Zoológica de Londres (ZSL), pelo programa Wild Oysters e pela organização Groundwork. Os blocos de concreto foram desenvolvidos pela empresa ARC Marine sob o nome de Reef Cubes e fabricados com um material especial chamado Marine Crete. A superfície de cada bloco foi projetada com texturas ásperas e poros artificiais que imitam as superfícies marinhas naturais, transformando cada cubo numa âncora perfeita para a vida marinha. As 4 mil ostras instaladas em cada estrutura foram colocadas com a ajuda de 190 voluntários locais.

Por que os blocos de concreto pesam seis toneladas: a lição das tempestades

O Reino Unido joga blocos de concreto de seis toneladas no fundo do Mar do Norte. Cada bloco carrega 4 mil ostras que filtram milhões de litros de água por dia.

O peso de seis toneladas de cada bloco de concreto não é exagero. É uma necessidade imposta pelo clima britânico. Nas fases iniciais do projeto, a equipe enfrentou tempestades devastadoras que destruíram completamente todas as tentativas anteriores de restauração.

As correntes violentas e as ondas do Mar do Norte arrastavam estruturas mais leves, tornando impossível o estabelecimento de qualquer colônia de ostras no fundo do oceano.

A solução foi projetar blocos de concreto maciços o suficiente para resistir às condições extremas do Mar do Norte. Com seis toneladas cada, os Reef Cubes não se movem nem um centímetro mesmo sob as piores tempestades.

Essa robustez garante que as ostras tenham tempo de se fixar, crescer e começar a filtrar a água sem que seu novo lar seja destruído pela força da natureza. A engenharia por trás de cada bloco de concreto é tão importante quanto a biologia das ostras que ele carrega.

O poder de filtragem das ostras: 200 litros de água por dia por animal

O Reino Unido joga blocos de concreto de seis toneladas no fundo do Mar do Norte. Cada bloco carrega 4 mil ostras que filtram milhões de litros de água por dia.

As ostras não foram escolhidas apenas por seu valor gastronômico. Elas são consideradas as grandes purificadoras do oceano. Uma única ostra adulta pode filtrar até 200 litros de água por dia. Enquanto se alimentam, as ostras removem poluentes, nitrogênio e nutrientes em excesso da água, melhorando radicalmente a qualidade das águas costeiras.

Esse processo de filtragem natural permite que a luz solar penetre mais profundamente no oceano, o que estimula o crescimento da flora marinha.

Com 4 mil ostras em cada um dos 20 blocos de concreto, o projeto coloca 80 mil ostras nativas no fundo do Mar do Norte de uma só vez. Se cada ostra filtrar 200 litros por dia, o conjunto pode processar até 16 milhões de litros de água diariamente.

Esse volume de filtragem transforma os blocos de concreto em verdadeiras estações de tratamento biológico instaladas no leito oceânico, limpando a água e restaurando condições que favorecem todo o ecossistema ao redor.

O que são os Reef Cubes e por que o material Marine Crete faz diferença

Os blocos de concreto utilizados nesse projeto não são peças comuns de construção civil. São chamados de Reef Cubes e foram desenvolvidos pela ARC Marine com um material específico chamado Marine Crete, projetado para ser ecologicamente correto e compatível com o ambiente marinho.

A superfície dos blocos de concreto foi texturizada com rugosidades complexas e poros artificiais que reproduzem fielmente as condições de uma rocha natural subaquática.

Essa textura não é decorativa. Ela é o fator que permite que ostras, crustáceos e peixes se fixem na estrutura e encontrem refúgio. Um bloco de concreto liso seria ignorado pela fauna marinha.

Os Reef Cubes funcionam simultaneamente como novo lar para animais do fundo do mar e como instrumento de limpeza ambiental, já que as ostras fixadas em sua superfície filtram poluentes e melhoram a qualidade da água ao redor. O design de cada bloco de concreto é, portanto, tão importante quanto o material de que é feito.

Da Escócia a Norfolk: os próximos passos para o maior recife restaurado da Europa

O projeto com blocos de concreto na costa de Tyne and Wear não é um caso isolado. Na Escócia, a técnica de utilizar milhares de toneladas de concreto no fundo do mar já foi testada com grande sucesso.

Os resultados comprovaram que os recifes artificiais atraem fauna, melhoram a qualidade da água e criam condições para a regeneração natural do ecossistema. Esse sucesso abriu caminho para que outros projetos ampliem a ideia a proporções ainda maiores.

Em Norfolk, iniciativas como a Oyster Heaven e a Norfolk Seaweed já planejam a instalação de 40 mil recifes de argila até o final de 2026. O objetivo é abrigar 4 milhões de ostras juvenis, o que tornaria o projeto o maior recife restaurado de toda a Europa.

O que começou com 20 blocos de concreto jogados no Mar do Norte está se transformando numa estratégia continental de restauração marinha. A técnica de despejar estruturas no oceano deixou de ser sinônimo de destruição e se tornou uma das ferramentas mais promissoras da bioengenharia moderna.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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