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O que é NAND e por que o boom da inteligência artificial levou o mercado a faturar US$ 46 bilhões em 2026, criando escassez global de memória e acelerando uma nova corrida tecnológica entre gigantes da indústria 

Escrito por Hilton Libório
Publicado em 04/06/2026 às 19:48
Atualizado em 04/06/2026 às 19:53
Assista o vídeoChip de memória NAND em uma placa eletrônica ao lado de uma representação holográfica de inteligência artificial, simbolizando o crescimento da demanda por armazenamento de dados impulsionado por tecnologias avançadas de IA.
Memória NAND ganha protagonismo com avanço da inteligência artificial e expansão dos data centers
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Entenda como a NAND se tornou peça-chave da IA, impulsionando a demanda por memória, gerando escassez global e transformando o mercado tecnológico. 

A indústria de NAND vive um momento histórico impulsionado pelo avanço da inteligência artificial. Segundo dados divulgados pela Counterpoint Research no dia 2 de junho, a receita global do setor atingiu US$ 46 bilhões no primeiro trimestre de 2026, um valor que já supera todo o faturamento anual registrado em 2023.

O crescimento está diretamente ligado à expansão da IA, especialmente da chamada IA Agêntica, que exige enormes capacidades de armazenamento para processar e guardar petabytes de informações. Enquanto os data centers recebem investimentos bilionários, o mercado enfrenta uma crescente escassez de chips de memória, pressionando preços e acelerando uma nova corrida tecnológica entre fabricantes globais.

O que é NAND e por que essa memória se tornou essencial na era digital

A NAND é um tipo de memória flash não volátil utilizada para armazenar dados permanentemente em diversos dispositivos eletrônicos. Diferentemente da RAM, ela mantém as informações mesmo após o desligamento do equipamento.

Atualmente, essa tecnologia está presente em praticamente todos os setores da economia digital:

  • SSDs para computadores e servidores;
  • Smartphones e tablets;
  • Data centers;
  • Serviços de computação em nuvem;
  • Sistemas avançados de inteligência artificial.

Com a explosão da geração de dados, a NAND passou de um componente comum para uma infraestrutura estratégica da transformação digital.

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Como a inteligência artificial multiplicou a demanda por armazenamento

O crescimento da IA mudou completamente a dinâmica do mercado de semicondutores.

Modelos de inteligência artificial precisam armazenar quantidades gigantescas de dados para treinamento, inferência e operação contínua. Quanto mais sofisticado o sistema, maior é a necessidade de armazenamento.

A Counterpoint destaca que apenas o segmento empresarial respondeu por 43% de toda a receita global de NAND durante o primeiro trimestre de 2026. A expectativa é que essa participação ultrapasse 60% até o final do ano.

Entre os fatores que explicam essa expansão estão:

  • Crescimento dos data centers;
  • Popularização da IA generativa;
  • Avanço da IA Agêntica;
  • Expansão dos serviços em nuvem;
  • Necessidade de armazenar múltiplos petabytes de dados.

Na prática, a inteligência artificial está transformando a memória em um dos ativos mais valiosos da indústria tecnológica.

Escassez de memória já afeta preços e disponibilidade de componentes

O forte aumento da demanda criou um cenário de escassez que afeta diferentes setores da tecnologia.

Grande parte da produção de NAND está sendo direcionada para servidores e data centers voltados à IA, reduzindo a oferta disponível para computadores, notebooks e outros equipamentos eletrônicos.

Esse desequilíbrio gera consequências importantes:

  • Alta nos preços de SSDs;
  • Aumento dos custos de fabricação;
  • Menor disponibilidade de componentes;
  • Pressão sobre fabricantes de PCs.

A atual escassez também evidencia como a cadeia global de semicondutores ainda enfrenta dificuldades para acompanhar o ritmo de crescimento da inteligência artificial.

Receita de US$ 46 bilhões coloca a NAND em um novo patamar

Os US$ 46 bilhões registrados no primeiro trimestre de 2026 representam um marco sem precedentes para a indústria.

O valor é particularmente relevante porque supera toda a receita anual do setor em 2023, demonstrando a velocidade com que a demanda mudou em apenas alguns anos.

Analistas apontam que o chamado hiperciclo da IA está provocando uma transformação estrutural no mercado. Se antes smartphones e computadores eram os principais motores de crescimento, agora são os data centers dedicados à inteligência artificial que impulsionam os investimentos.

A tendência é que a procura por memória continue elevada nos próximos anos, acompanhando a expansão das aplicações de IA em diferentes segmentos da economia.

Samsung lidera o mercado, mas fabricantes chinesas ganham espaço

A disputa pelo mercado global de NAND também está ficando mais intensa.

A Samsung manteve a liderança mundial no segmento de SSDs, com participação de 29%. Na sequência aparecem SK Hynix, com 18%, além de Kioxia, Micron e Sandisk, que registraram receitas próximas entre 13% e 14%.

O grande destaque do período foi a chinesa YMTC.

Segundo o levantamento da Counterpoint, a empresa alcançou 13% de participação global no primeiro trimestre de 2026, registrando um crescimento anual de impressionantes 246%.

O avanço da fabricante mostra que a corrida tecnológica impulsionada pela inteligência artificial está abrindo espaço para novos protagonistas no setor de semicondutores.

A nova corrida global por NAND e infraestrutura de IA

A crescente demanda por NAND está desencadeando uma nova disputa tecnológica internacional.

Empresas e governos investem bilhões de dólares para ampliar a capacidade produtiva e garantir acesso aos componentes necessários para sustentar a revolução da IA.

Nesse cenário, a YMTC busca abrir capital na China por meio de um IPO, seguindo uma estratégia semelhante à adotada pela CXMT, fabricante ligada ao mercado de DRAM.

As duas companhias participam de um programa de expansão industrial que prevê a construção de grandes instalações de produção para ampliar significativamente a capacidade de wafers.

O objetivo é simples: aproveitar o crescimento da inteligência artificial e reduzir os riscos provocados pela atual escassez de componentes.

Enquanto os data centers crescem, o mercado de PCs encolhe

O sucesso da NAND contrasta com a realidade enfrentada pelo setor de computadores pessoais.

Dados da IDC apontam que as remessas globais de PCs caíram 11,3% em 2026. As projeções indicam aproximadamente 260 milhões de unidades comercializadas, abaixo das cerca de 290 milhões registradas anteriormente.

O aumento dos preços de memória e outros componentes é apontado como um dos fatores que dificultam a recuperação do segmento.

Mesmo diante desse cenário, fabricantes continuam apostando em novos produtos.

A Apple lançou o MacBook Neo, enquanto equipamentos equipados com a plataforma Intel Wildcat Lake começam a chegar ao mercado em modelos como o Dell XPS 13. Já a Qualcomm trabalha no desenvolvimento da série Snapdragon C, direcionada para consumidores que buscam opções mais acessíveis.

Por que a escassez pode continuar até o final da década

Embora novas fábricas estejam sendo construídas em várias regiões do mundo, especialistas acreditam que o alívio mais significativo só deve ocorrer entre 2029 e 2030.

Projetos de produção de semicondutores exigem investimentos bilionários, equipamentos altamente complexos e anos de implementação.

Até lá, a tendência é que grande parte dos chips de NAND e memória continue sendo direcionada aos data centers ligados à IA, mantendo a pressão sobre preços e estoques.

O resultado é um mercado cada vez mais dependente da expansão da capacidade produtiva global.

O futuro da memória NAND na revolução da inteligência artificial

Os números de 2026 mostram que a NAND deixou de ser apenas um componente tecnológico para se tornar uma peça estratégica da economia digital.

O crescimento da inteligência artificial, o faturamento recorde de US$ 46 bilhões, a participação crescente do segmento empresarial e a forte escassez global demonstram que o armazenamento de dados será um dos pilares da próxima fase da transformação tecnológica.

À medida que novas aplicações de IA surgem e exigem volumes cada vez maiores de dados, a demanda por memória continuará avançando. Empresas capazes de ampliar sua produção e inovar nesse segmento terão papel decisivo na disputa pelo futuro da computação, dos data centers e da infraestrutura digital mundial.

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Hilton Libório

Hilton Fonseca Liborio é redator, com experiência em produção de conteúdo digital e habilidade em SEO. Atua na criação de textos otimizados para diferentes públicos e plataformas, buscando unir qualidade, relevância e resultados. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras, Energias Renováveis, Mineração e outros temas.

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