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O pior hotel do mundo: onde pessoas vivem há mais de 20 anos em barcos sujos com colchões molhados e calor sufocante e quartos a R$ 1,50 o dia

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Escrito por Fabio Lucas Carvalho Publicado em 23/11/2025 às 10:16
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Realidade extrema do pior hotel do mundo – com moradores vivendo décadas entre calor, insetos, quartos baratos e esgoto no rio
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Uma investigação revela a rotina extrema no pior hotel do mundo, um conjunto de barcos abandonados onde trabalhadores pobres dividem calor sufocante, colchões molhados, insetos, banheiros que despejam tudo no Buriganga e quartos que custam menos que um café

Imagina um quarto de hotel custando menos que um cafezinho na padaria. Nos barcos abandonados que flutuam sobre o rio Buriganga, no Banglade, essa realidade extrema existe e revela um cenário que muitos identificam como o pior hotel do mundo.

O canal Cata e Davi mostrou quatro embarcações antigas, centenas de pessoas vivem e se hospedam em condições extremamente precárias, onde o preço baixo esconde histórias de pobreza profunda, migração forçada e falta de alternativas.

Barcos antigos transformados em abrigo

Nas décadas de 70 e 80, os rios eram as principais rotas de transporte do Bangladesh. Os launches, enormes barcos de passageiros, cruzavam o país lotados.

Com o tempo, estradas e ônibus assumiram esse papel e muitas embarcações foram abandonadas. Alguns donos decidiram transformar esses barcos deteriorados em hospedagens improvisadas, que rapidamente ficaram conhecidas como o pior hotel do mundo devido às condições oferecidas.

O objetivo inicial era proporcionar abrigo temporário para trabalhadores migrantes vindos do interior em busca de emprego.

Com o passar dos anos, muitos não conseguiram sair dali e transformaram os quartos apertados e quentes em residência fixa. Hoje, o pior hotel do mundo funciona como casa e refúgio de pessoas que não têm condições de pagar por uma moradia convencional em Daca.

Chegada arriscada e check-in improvisado

O acesso ao hotel já demonstra o nível de risco. Em vez de uma recepção tradicional, há uma ponte estreita e escorregadia, como uma corda bamba suspensa sobre o rio mais poluído do mundo. Um passo errado pode levar o visitante diretamente para a água contaminada. Este é o primeiro contato com o lugar que muitos chamam de pior hotel do mundo, onde cada detalhe reforça a precariedade.

A recepção apresenta horários de check-in e check-out, mas o gerente não fica ali. Ele só aparece quando recebe ligação no número escrito na parede. O hóspede precisa telefonar para fazer reserva, entrar ou resolver qualquer problema. O gerente vive em um quarto maior dentro do barco e alterna sua presença entre refeições, banho e pequenas tarefas fora da embarcação.

Hóspedes exclusivamente homens

Uma regra do hotel é a impossibilidade de hospedagem de mulheres sozinhas. A restrição não é detalhada, mas está presente.

No caso filmado pelo canal, a única mulher permitida era uma cinegrafista, autorizada porque estava acompanhada e não ficaria hospedada. O ambiente permanece totalmente masculino, reforçando o perfil social do público do pior hotel do mundo.

O quarto mais barato do planeta

O quarto mais barato custa 40 unidades da moeda local, cerca de R$ 1,50. Funciona como dormitório coletivo em que os hóspedes dormem diretamente sobre a lata do barco, sem colchão ou tapete. Um ventilador fraco e uma lâmpada completam a estrutura.

Pequenas gavetas trancadas por cadeado guardam os poucos pertences. E é desse espaço mínimo que muitos fazem moradia permanente, consolidando a reputação do local como o pior hotel do mundo do ponto de vista humano e estrutural.

Ali vivem homens há 12, 20 ou 25 anos. Trabalhadores que vendem frutas nas ruas, migrantes vindos de regiões agrícolas sem oportunidades e pessoas que sonham com a Europa, mas enfrentam preços altos de visto e frequentes golpes de intermediários. E

sses moradores transformam o pior hotel do mundo em lar porque é a única opção possível dentro da realidade econômica que enfrentam.

Calor extremo, corredores apertados e pouco ar

Os corredores são tão estreitos que pessoas baixas tocam o teto com a mão e pessoas altas não conseguem se mover em pé.

As portas são trancadas por cadeados entregues no check-in. A limpeza varia de acordo com o perfil dos moradores, mas o calor intenso e a umidade tornam todos os espaços similares no desconforto. O ambiente reforça por que muitos enxergam esse lugar como o pior hotel do mundo, especialmente durante a estação das chuvas.

Roupas lavadas no rio poluído e secagem impossível

Na área externa, os moradores estendem roupas. Elas são lavadas com água retirada diretamente do Buriganga. Em dias de chuva, a roupa não seca e permanece úmida por horas. A prática diária de lavar roupas no mesmo rio que recebe esgoto evidencia a precariedade que sustenta o cotidiano do pior hotel do mundo.

Banheiros e água grátis: tudo cai no rio

O hotel oferece água gratuita, mas a procedência é a mesma do rio poluído. Os quartos compartilham banheiros minúsculos, sem descarga. Tudo cai diretamente no Buriganga: fezes, urina, vômito e outros resíduos.

Essa mesma água é usada para banho e lavagem de roupas. O rio é descrito como biologicamente morto, sem vida aquática por causa dos níveis extremos de poluição. Essa realidade reforça por que o local é frequentemente descrito como o pior hotel do mundo.

Cápsulas de lata e quartos intermediários

Outra categoria de hospedagem é formada por cápsulas empilhadas, semelhantes a hotéis japoneses, mas feitas de metal puro. O cubículo oferece alguma privacidade, mas em condições extremamente rudimentares.

Há também um quarto intermediário, que custa menos de R$ 5 e oferece tapete, travesseiro sujo, ventilador e uma pequena janela. Mesmo assim, tudo segue muito distante de padrões mínimos de conforto, mantendo a imagem do pior hotel do mundo.

Moradores desse nível sobrevivem vendendo balões, pássaros de brinquedo ou pacotes de amendoim, lucrando valores mínimos por unidade. Muitos precisam vender dezenas de produtos por dia apenas para pagar a noite de hospedagem.

A suíte presidencial

O quarto mais caro, a suit presidencial, custa menos de 1 dólar. Mesmo assim, está longe de oferecer conforto. Há baratas, insetos, colchão molhado e calor intenso.

O morador conta que já viveu ilegalmente em Dubai, foi deportado e agora tenta ir para a Europa enquanto sobrevive no barco. A precariedade permanece e reforça a posição do local como o pior hotel do mundo.

Humanidade em meio ao caos

Apesar de tudo, os moradores são descritos como extremamente simpáticos, acolhedores e gentis. Chamam visitantes para conhecer seus quartos, oferecem comida e ajudam no que podem.

Essa humanidade contrasta com a dureza da vida no barco e se torna uma das poucas luzes dentro do que muitos consideram o pior hotel do mundo.

Em meio a calor sufocante, camas de lata, colchões úmidos, baratas, esgoto a céu aberto e sonhos esmagados pela pobreza, essas pessoas constroem laços, dividem sorrisos e mantêm a esperança. Sobre um rio morto, eles enfrentam a vida dia após dia dentro daquele que, para muitos, é o pior hotel do mundo, mas que, para eles, é a única possibilidade de seguir adiante.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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