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O país menos visitado do mundo fica no meio do Pacífico, recebe só 9.500 turistas por ano e ainda detém o recorde impossível de estar nos quatro hemisférios

Publicado em 23/04/2026 às 15:28
Atualizado em 23/04/2026 às 15:52
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Imagem: Reprodução
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Kiribati, arquipélago no Pacífico, recebe só 9.500 turistas por ano, abrange os quatro hemisférios e enfrenta risco crescente de desaparecimento com o avanço do mar

Kiribati é o país menos visitado do mundo e o único presente nos quatro hemisférios. Com cerca de 9.500 turistas por ano e território ameaçado pelo avanço do mar, o arquipélago reúne isolamento e risco de desaparecimento.

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Kiribati reúne recordes raros

No meio do Oceano Pacífico, infinito e misterioso, fica Kiribati, um arquipélago pouco conhecido que concentra dois recordes curiosos.

O primeiro é turístico. O país recebe apenas cerca de 9.500 visitantes por ano, número muito baixo diante de outros destinos da região.

O segundo é geográfico. Kiribati é o único Estado do planeta com presença simultânea nos hemisférios norte, sul, leste e oeste.

O país é formado por 32 ilhas de coral. Muitas delas têm praias imaculadas, águas turquesa e paisagens praticamente intocadas, mas seguem fora das rotas turísticas conhecidas.

Embora a área terrestre não ultrapasse 811 km², o domínio marítimo alcança cerca de 3,5 milhões de km², o que lhe dá uma das maiores áreas oceânicas do mundo.

As ilhas estão divididas em três grupos: Gilbert, Phoenix e La Línea. Em seu território também está Kiritimati, descrito como o maior atol do mundo.

Viagem longa, acesso difícil e turismo controlado

A dificuldade para chegar ajuda a explicar o baixo fluxo turístico. A viagem pode durar mais de 24 horas de avião, com escalas por cidades como Los Angeles, Havaí ou Singapura.

O país não conta com rotas marítimas comerciais nem balsas internacionais. Além disso, dispõe de apenas dois aeroportos internacionais, o que limita o acesso.

As autoridades seguiram um modelo de turismo controlado. A prioridade é conservar o ambiente natural e preservar os ecossistemas das ilhas.

Quem chega encontra um modo de vida fortemente ligado à tradição. Em muitas áreas, a população vive da pesca, do cultivo de coco e da fruta-pão.

Na capital, a maioria dos moradores vive em casas tradicionais. Ao mesmo tempo, começam a aparecer sinais de modernidade, como internet, veículos e pequenos negócios.

Apesar da imagem de paraíso, Kiribati enfrenta isolamento, infraestrutura limitada e os efeitos crescentes das mudanças cliamtáticas, que agravam as dificuldades nas ilhas.

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População pequena e pressão crescente em Tarawa

Apenas cerca de 20 ilhas são habitadas. No total, aproximadamente 140.000 pessoas vivem no país, e a maior parte enfrenta condições muito precárias.

A situação mais crítica está em Tarawa do Sul, faixa estreita onde mora quase metade da população. O crescimento urbano descontrolado ampliou a densidade e a pressão sobre os recursos naturais.

Nesse trecho do país, a superlotação se soma à falta de serviços básicos. A concentração populacional provoca sobrecarga na estrutura disponível e agrava problemas já existentes.

A escassez de água potável aparece entre os desafios mais urgentes. Muitos poços estão contaminados por água salgada e resíduos, o que piora as condições de vida e saúde.

Organizações como a Médicos Sem Fronteiras atuam no atendimento de necessidades, na saúde materno-infantil, em meio a limitações no acesso a serviços médicos.

O país também convive com altas taxas de tuberculose, hanseníase e diabetes. O acesso à assistência de saúde permanece muito limitado para uma parte importante da população.

Segunda Guerra deixou marcas no arquipélago

Além do presente de isolamento e dificuldades, Kiribati teve papel relevante na história do século 20 durante a Segunda Guerra Mundial.

Na ilha de Tarawa ocorreu uma das batalhas mais sangrentas da frente do Pacífico. No ilhéu de Betio, quase 6.000 pessoas morreram no confronto que terminou com vitória das forças aliadas.

Esse passado hoje convive com acordos internacionais que ajudam a sustentar a economia local, incluindo iniciativas ligadas à pesca sustentável e ao comércio com a União Europeia.

Kiribati afunda com avanço do mar

O dado mais preocupante sobre Kiribati está ligado à altitude de seus atóis. A maior parte deles se eleva a apenas seis metros acima do nível do mar.

Em alguns casos, como Tarawa, essa elevação não passa de três metros. Isso torna o país um dos mais vulneráveis do mundo diante da subida do oceano.

Estimativas recentes apontam que 81% da população já sofreu diretamente os efeitos desse avanço, com situações que vão de inundações à perda de terras habitáveis.

O mar também provoca salinização da água doce, degradação dos solos e dificuldades cada vez maiores para manter agricultura e pesca, atividades essenciais no arquipélago.

A crise ambiental se soma à superlotacão, à escassez de recursos e à precariedade dos serviços. O resultado é um quadro cada vez mais difícil para a população.

As projeções indicam que, até 2030, o país precisará de pelo menos 50% mais alimentos. Essa necessidade cresce em um cenário onde os recursos disponíveis já são escassos.

Entre isolamento, baixa visitação, pressão urbana e avanço do mar, Kiribati reúne vulnerabilidade extrema e um risco iminente de desaparecimento que já afeta hoje a vida cotidiana da população.

Com informações de Tempo.

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Romário Pereira de Carvalho

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