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O megaprojeto de 8,7 km de extensão, construído sob uma formação geológica instável, que levou 23 anos para ficar pronto, enfrentou escândalo químico com substância tóxica e teve custo 11 vezes maior que o previsto; conheça o Túnel de Hallandsås.

Publicado em 02/03/2026 às 16:04
O Túnel de Hallandsås é um megaprojeto ferroviário na Suécia que levou 23 anos para ser concluído, enfrentou escândalos ambientais e mudou a logística entre países da Europa.
O Túnel de Hallandsås é um megaprojeto ferroviário na Suécia que levou 23 anos para ser concluído, enfrentou escândalos ambientais e mudou a logística entre países da Europa. Fonte: IA.
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O Túnel de Hallandsås é um megaprojeto ferroviário na Suécia que levou 23 anos para ser concluído, enfrentou escândalos ambientais e mudou a logística entre países da Europa.

O Túnel de Hallandsås é um megaprojeto ferroviário localizado no sudoeste da Suécia, concebido para eliminar um dos maiores gargalos da malha ferroviária escandinava.

A obra conecta os lados norte e sul da formação geológica de Hallandsås, permitindo tráfego mais rápido, seguro e contínuo entre importantes centros urbanos da Europa.

Idealizado ainda no início da década de 1990, o túnel começou a ser construído em 1992 e só foi inaugurado em dezembro de 2015.

Ao longo desse período, enfrentou falhas técnicas, infiltrações de água, colapsos operacionais, escândalos ambientais e um estouro de orçamento que o transformou em um símbolo de riscos associados a grandes obras de infraestrutura.

Onde fica o Túnel de Hallandsås e quem se beneficia diretamente?

O Túnel de Hallandsås está situado entre as cidades de Ängelholm e Halmstad, integrando a chamada Linha da Costa Oeste, uma das mais importantes rotas ferroviárias da Suécia.

Essa linha conecta Gotemburgo, no oeste sueco, a Malmö, no sul do país, e segue até Copenhague, na Dinamarca.

O Túnel de Hallandsås é um megaprojeto ferroviário na Suécia que levou 23 anos para ser concluído, enfrentou escândalos ambientais e mudou a logística entre países da Europa.
Fonte: Sweden Underground.

Com sua entrada em operação, o megaprojeto passou a beneficiar passageiros, empresas de logística e o transporte internacional de cargas.

Além disso, o túnel é considerado uma peça-chave para futuros planos de alta velocidade ligando Oslo a Hamburgo, atravessando importantes capitais escandinavas.

Por que a construção do Túnel de Hallandsås era considerada essencial?

Antes da existência do Túnel de Hallandsås, o trecho ferroviário sobre a crista da formação geológica era íngreme, sinuoso e limitado a apenas uma via.

Essa configuração impedia a ampliação da capacidade, gerava atrasos frequentes e obrigava trens de carga a realizar longos desvios.

Além disso, havia 13 passagens de nível, uma estação de via única em Båstad e um ponto crítico em Grevie, onde os trens precisavam se cruzar.

Qualquer atraso mínimo se propagava por toda a linha. Portanto, o megaprojeto surgiu como solução definitiva para eliminar esse estrangulamento logístico.

Como o Túnel de Hallandsås mudou o tempo e a capacidade do transporte ferroviário?

Com a conclusão do Túnel de Hallandsås, os ganhos operacionais foram imediatos. Os trens de passageiros passaram a economizar entre 10 e 15 minutos no trajeto.

A capacidade da linha saltou de apenas quatro trens por hora para até 24 em ambos os sentidos.

Na prática, isso permitiu mais frequência, maior pontualidade e melhor integração entre serviços regionais, nacionais e internacionais.

O megaprojeto também abriu espaço para o crescimento do transporte ferroviário de cargas, reduzindo a dependência de rotas rodoviárias.

As falhas iniciais que transformaram o Túnel de Hallandsås em um problema nacional

Apesar da importância estratégica, o início da obra do Túnel de Hallandsås foi marcado por erros graves de planejamento.

A complexidade geológica da região foi subestimada, especialmente a presença de água subterrânea em grandes volumes.

O Túnel de Hallandsås é um megaprojeto ferroviário na Suécia que levou 23 anos para ser concluído, enfrentou escândalos ambientais e mudou a logística entre países da Europa.
Fonte: Skanska.

A perfuratriz original, projetada para avançar cerca de 100 metros por semana, quebrou após escavar apenas 18 metros.

A rocha era tão macia que impedia o equipamento de se apoiar adequadamente. Como resultado, a empreiteira tentou métodos tradicionais, mas passou a enfrentar vazamentos constantes.

O escândalo ambiental que paralisou o megaprojeto por oito anos

O ponto mais crítico da história do Túnel de Hallandsås ocorreu em 1997, quando veio à tona o uso de um selante químico chamado Rhoca-Gil.

O produto continha acrilamida, uma substância altamente tóxica, mutagênica e potencialmente cancerígena.

Sem informar trabalhadores ou moradores da região, a empreiteira utilizou o composto para tentar conter infiltrações.

Pouco tempo depois, peixes morreram, gado adoeceu e operários começaram a apresentar sintomas graves. A imprensa local investigou o caso, e testes confirmaram altos níveis de contaminação.

Consequências legais, políticas e sociais do Túnel de Hallandsås

Diante da crise, a área foi declarada zona de alto risco ambiental, e a venda de produtos agrícolas locais foi proibida. O megaprojeto foi interrompido no final de 1997, com menos da metade do túnel perfurado.

Empresas envolvidas, como a Skanska, além de fabricantes do produto químico e autoridades ferroviárias, foram indiciadas criminalmente.

Executivos de alto escalão renunciaram, e o Túnel de Hallandsås passou a ser debatido em nível nacional como exemplo de falha institucional.

A retomada do Túnel de Hallandsås e a mudança de estratégia técnica

Após anos de estudos, remediação ambiental e debates políticos, o Parlamento Sueco autorizou a retomada do Túnel de Hallandsås em 2005. Dessa vez, a abordagem foi completamente diferente.

O consórcio Skanska-Vinci assumiu a execução, utilizando uma tuneladora moderna chamada “Åsa”.

A máquina perfurava e, ao mesmo tempo, instalava revestimentos de concreto pré-moldado, garantindo maior segurança estrutural.

Como o congelamento da rocha viabilizou o megaprojeto

Uma das soluções mais inovadoras do Túnel de Hallandsås foi o congelamento do solo. Antes da tuneladora avançar, um túnel piloto era perfurado, e a rocha ao redor era congelada a −40 °C.

Esse processo solidificava o terreno saturado de água, permitindo o avanço controlado da máquina.

Essa técnica foi fundamental, especialmente nos trechos mais instáveis, onde a pressão da água representava alto risco.

Em áreas críticas, foram usados revestimentos mais espessos e prazos adicionais para garantir a segurança.

A conclusão definitiva e a inauguração do Túnel de Hallandsås

O avanço final do primeiro túnel ocorreu em agosto de 2010. O segundo túnel foi concluído em setembro de 2013, seguido pela perfuração de 19 passagens transversais de emergência, finalizadas em 2014.

A cerimônia oficial de abertura aconteceu em 8 de dezembro de 2015, e o Túnel de Hallandsås entrou em operação plena cinco dias depois. Assim, um megaprojeto iniciado em 1992 finalmente se tornava realidade após 23 anos.

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Fonte: Skanska

O custo final do Túnel de Hallandsås

Inicialmente orçado em 1 bilhão de coroas suecas, o Túnel de Hallandsås terminou com um custo total de 11,3 bilhões de SEK.

Hoje, o megaprojeto é visto não apenas como uma solução logística essencial, mas como um marco que redefiniu padrões ambientais e técnicos em projetos de infraestrutura na Europa.

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Andriely Medeiros de Araújo

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