Em Tramandaí a prefeitura interditou o Mirante Beira-Mar e empilhou areia para conter a água; em Atlântida Sul, guaritas de guarda-vidas chegaram a ficar submersas. A Marinha colocou toda a costa, de Mostardas a Florianópolis, sob aviso de ondas de até 3 metros, e ainda há uma massa de ar polar chegando junto.
O mar avançou com força sobre o Litoral do Rio Grande do Sul em 21 de maio de 2026, uma quinta-feira, derrubando parte de um muro de contenção em Tramandaí, levando passarelas de madeira em Atlântida Sul e invadindo ruas na Praia do Cassino. O estrago foi provocado por uma forte ressaca, associada à atuação de um ciclone extratropical no oceano, segundo a Climatempo, que deixou o mar agitado e a maré alta ao longo de toda a costa gaúcha.
A força das ondas mudou a paisagem da orla, derrubou estruturas e interditou pontos turísticos em cidades das regiões Norte e Sul do estado. Diante do cenário, a Marinha do Brasil emitiu um aviso de ressaca válido até a manhã desta sexta-feira, 22 de maio, alertando para ondas de até 3 metros de altura no trecho entre Mostardas, no Rio Grande do Sul, e Florianópolis, em Santa Catarina. O avanço do mar assustou moradores e exigiu ações emergenciais das prefeituras locais.
O estrago do mar em Tramandaí e no Litoral Norte

Por medida de segurança, a prefeitura interditou o Mirante Beira-Mar, um dos pontos turísticos mais conhecidos da cidade. A Secretaria de Obras isolou o trecho danificado e utilizou areia para criar uma barreira improvisada, na tentativa de conter um novo avanço do mar sobre a estrutura urbana enquanto a maré seguia alta.
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O quadro se repetiu em outras praias da região. Na orla de Atlântida Sul, distrito de Osório, a ressaca provocou danos significativos: parte do calçadão cedeu na área dos quiosques com o impacto das ondas, passarelas de madeira para pedestres foram parcialmente levadas pela água e guaritas de guarda-vidas chegaram a ficar submersas. Segundo a prefeitura de Osório, um levantamento completo dos prejuízos só poderá ser feito quando a maré baixar e o mar recuar da orla.
De Torres ao Cassino: o avanço do mar pela costa

Em Torres, no extremo norte do estado, as ondas intensas e a maré alta alteraram a paisagem, fazendo com que o mar avançasse sobre a faixa de areia e reduzisse o espaço das praias. A cena de ondas chegando perto de estruturas e dunas se tornou comum ao longo do dia, registrada por moradores e turistas que acompanharam o fenômeno.
No Litoral Sul, na Praia do Cassino, em Rio Grande, considerada uma das maiores praias do mundo em extensão, moradores se assustaram com o avanço da água sobre as ruas próximas à orla. Apesar do susto provocado pela invasão do mar, o município não registrou danos estruturais graves, diferentemente do que ocorreu no Litoral Norte. A diferença de impacto entre as regiões está ligada à geografia de cada trecho da costa e à intensidade local das ondas.
O que é o ciclone extratropical que agitou o mar
Segundo a Climatempo, todo esse cenário é resultado da atuação de um ciclone extratropical no oceano. Esse tipo de fenômeno é um sistema de baixa pressão atmosférica, geralmente associado à passagem de uma frente fria, que gera áreas extensas de ventos fortes sobre o mar. Quando esses ventos persistem sobre a superfície da água, transferem energia para o oceano e formam ondas maiores que o normal, que se propagam até a costa na forma de ressaca.
É importante entender que o ciclone extratropical não precisa estar sobre o litoral para causar estragos. Mesmo se deslocando em alto-mar, longe da costa, ele consegue gerar a agitação marítima que atinge as praias. Foi exatamente isso que ocorreu no Rio Grande do Sul, onde o sistema no oceano provocou a ressaca que derrubou muros e invadiu ruas, sem que houvesse necessariamente tempestade sobre as cidades atingidas pelo avanço do mar.
O alerta da Marinha e a frente fria que vem junto
A Diretoria de Hidrografia e Navegação da Marinha do Brasil emitiu avisos de mau tempo para diferentes trechos do litoral brasileiro, prevendo ondas de até 3 metros de altura. Além do trecho entre Mostardas e Florianópolis, que cobre toda a costa gaúcha e o sul catarinense, houve alerta também para o litoral entre Ilhabela, em São Paulo, e Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro, mostrando que o fenômeno afeta boa parte do litoral Sul e Sudeste do país.
Junto com a agitação do mar, uma nova massa de ar polar começou a avançar sobre o Brasil na mesma quinta-feira, derrubando as temperaturas em vários estados e ampliando o risco de geadas na Região Sul. Ou seja, além do estrago provocado pelo mar na orla, a população gaúcha enfrentou a chegada de frio intenso, em um período de instabilidade climática que combinou ressaca, vento forte e queda acentuada das temperaturas em poucos dias.
Por que o litoral gaúcho sofre tanto com a ressaca
O Litoral do Rio Grande do Sul é particularmente vulnerável aos avanços do mar por causa de sua geografia. Trata-se de uma costa baixa, arenosa e relativamente plana, sem muitas formações rochosas naturais que funcionem como barreira contra as ondas. Isso faz com que estruturas urbanas construídas próximas à orla, como calçadões, quiosques e muros de contenção, fiquem expostas à força da água durante episódios de ressaca como o desta semana.
A erosão costeira é um problema recorrente na região, agravado por eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes. Cada ressaca forte tende a comer parte da faixa de areia e a pressionar as construções da orla, exigindo investimentos constantes em recuperação e contenção. Episódios como o de Tramandaí, em que o muro precisou ser reforçado com areia às pressas, ilustram o desafio permanente de conviver com o avanço do mar nessa parte do litoral brasileiro.
O avanço do mar sobre o Litoral do Rio Grande do Sul é mais um capítulo da relação tensa entre as cidades costeiras e a força do oceano. Os estragos em Tramandaí, Atlântida Sul, Torres e Cassino mostram como uma ressaca provocada por um ciclone extratropical, mesmo distante em alto-mar, pode causar prejuízos reais e mudar a paisagem da orla em poucas horas. Com a maré ainda alta e o frio chegando, o momento é de atenção e de acompanhar os alertas oficiais.
Você mora no Litoral do Rio Grande do Sul ou já presenciou uma ressaca forte com o mar avançando sobre as ruas? Acha que as cidades costeiras estão preparadas para enfrentar esses eventos cada vez mais frequentes? Deixe seu comentário, conte como está a situação na sua praia e compartilhe a matéria com quem vive no litoral ou acompanha o tempo e o clima na Região Sul.

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