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O lugar nos EUA para onde aviões vão para morrer — o cemitério de aeronaves no deserto seco de Mojave

Publicado em 03/11/2025 às 22:05
Aeroporto, Cemitério de aeronaves, Aviões
Imagem: Wikimedea Commons / Doutor Searls
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No interior da Califórnia, o Southern California Logistics Airport impressiona ao reunir centenas de aeronaves inativas, que são preservadas, reparadas ou desmontadas sob o clima seco do deserto de Mojave

A cerca de 140 quilômetros de Los Angeles, a pacata Victorville abriga um dos lugares mais curiosos do mundo da aviação: o Southern California Logistics Airport (SCLA). O aeroporto ganhou fama internacional por funcionar como um verdadeiro cemitério de aviões, atraindo turistas e curiosos. Ali, aeronaves em fim de vida são desmontadas, recicladas ou aguardam novos destinos lucrativos.

Essa estrutura impressiona pela capacidade: até 12 jatos podem ser desmontados ao mesmo tempo. Mas o local vai além de um desmanche.

Em tempos de baixa demanda, como ocorreu durante a pandemia, o espaço serve de abrigo temporário para aviões de grandes companhias. Eles permanecem ali, bem cuidados, até poderem voltar a voar.

Clima seco e localização estratégica

A escolha de Victorville não é casual. Situada próxima ao deserto de Mojave, a cidade oferece clima extremamente seco — condição perfeita para evitar a corrosão das fuselagens.

Além disso, o SCLA opera como um centro completo de serviços de aviação, oferecendo reparos e manutenção.

Empresas como Delta Air Lines e FedEx utilizam o local com frequência. Muitas vezes, seus aviões permanecem estacionados aguardando manutenção ou reativação.

O terreno, que um dia foi a George Air Force Base da Força Aérea dos Estados Unidos, mantém hoje centenas de jatos alinhados sob o sol californiano.

500 aviões guardados sob o sol

O SCLA possui duas pistas capazes de receber modelos de todos os tamanhos, de Boeing a Airbus — inclusive o imponente A380.

O espaço para armazenamento pode abrigar mais de 500 aeronaves, e essa capacidade quase foi totalmente utilizada durante a pandemia, quando cerca de 450 aviões ficaram estacionados simultaneamente.

O aeroporto já testemunhou outros momentos críticos da aviação. Após os atentados de 11 de setembro de 2001, por exemplo, centenas de aviões foram retirados de operação e levados para o pátio de Victorville, que mais uma vez serviu como refúgio em tempos turbulentos.

Manutenção constante e técnicas “antienvelhecimento”

Manter tantos aviões parados exige cuidados constantes. Os motores são ligados periodicamente, sistemas hidráulicos e de direção passam por testes, e os trens de pouso recebem lubrificação regular.

Dentro das cabines, o controle de umidade evita deterioração, enquanto superfícies sensíveis são limpas com frequência.

As aberturas de ar e sistemas vulneráveis são selados para impedir a entrada de animais, e muitas janelas são cobertas para proteger componentes eletrônicos e plásticos da luz solar intensa.

Uma versão australiana

No hemisfério oposto, a Austrália também abriga um local semelhante: o Asia Pacific Aircraft Storage (APAS), em Alice Springs.

O depósito, localizado em área desértica, recebeu aeronaves imobilizadas durante a pandemia, entre elas modelos da Cathay Pacific e da Singapore Airlines.

Assim como o SCLA, o APAS utiliza o clima seco e práticas de manutenção rigorosas para preservar seus “hóspedes” metálicos até que retornem aos céus — ou sejam desmontados definitivamente.

Com informações de UOL.

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Romário Pereira de Carvalho

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