Impulsionado pelo luto, ele passou mais de duas décadas quebrando uma montanha sozinho, armado apenas com um martelo e um cinzel, para criar um caminho para sua aldeia.
A história de Dashrath Manjhi, conhecido como o “homem da montanha” da Índia, é um testemunho de determinação e luto. Na aldeia de Gehlour, em Bihar, conforme detalhado por sua principal fonte biográfica, Manjhi iniciou uma tarefa aparentemente impossível em 1960: abrir um caminho através de um cume rochoso. O que o motivou não foi a glória, mas uma tragédia pessoal devastadora.
A sua esposa, Falguni Devi, morreu em 1959 por não conseguir acesso médico a tempo, barrada pela montanha que exigia um desvio de quilômetros. Em resposta, Manjhi passou os 22 anos seguintes, de 1960 a 1982, trabalhando sozinho. Com apenas um martelo e um cinzel, ele esculpiu uma passagem de 110 metros de comprimento, 9,1 metros de largura e 7,7 metros de profundidade na rocha sólida, um feito documentado pela sua biografia.
A tragédia que forjou uma lenda
A vida na aldeia de Gehlour, no distrito de Gaya, era definida pelo isolamento. Conforme a Fonte Biográfica, um cume rochoso separava a comunidade de serviços essenciais como hospitais em cidades vizinhas. Para os moradores, essa barreira geográfica era uma sentença de dificuldades, forçando viagens que, segundo a mesma fonte, poderiam variar de 55 km a 70 km para acessar cuidados básicos.
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Dashrath Manjhi não era apenas um trabalhador rural pobre; ele pertencia à casta Musahar (Dalit), um dos grupos mais marginalizados da Índia, como aponta uma Análise Acadêmica sobre seu feito. Esse contexto é crucial: a montanha era uma barreira física, mas a sua casta era uma barreira social que o tornava invisível para o governo. A negligência do Estado em construir uma estrada para Dalits era a verdadeira causa raiz do isolamento.
Em 1959, a tragédia bateu à porta. Falguni Devi, esposa de Manjhi, sofreu uma queda grave. A impossibilidade de levá-la a um médico a tempo, devido à distância imposta pela montanha, selou o seu destino. A sua morte, conforme relatado pela Fonte Biográfica, não foi um mero acidente, mas o resultado direto de uma geografia impiedosa e da apatia social.
22 anos de martelo e cinzel
Em 1960, movido pela dor e raiva, Manjhi fez um voto: ele quebraria a montanha. Seu objetivo era garantir que ninguém mais em sua aldeia sofresse a mesma perda. Para financiar sua missão, ele vendeu seus únicos bens, três cabras, para comprar um martelo e um cinzel, de acordo com a Fonte Biográfica.
O trabalho, que durou de 1960 a 1982, foi recebido inicialmente com escárnio. Os aldeões o chamavam de louco, mas Manjhi disse que isso apenas “reforçou” sua determinação. Dia após dia, por 22 anos, ele golpeou a pedra. Com o tempo, o ridículo se transformou em respeito, e alguns aldeões passaram a ajudá-lo com comida e ferramentas.
Ao final, ele criou o caminho hoje conhecido como “Dashrath Manjhi Path“. O impacto dessa passagem na distância é notável, embora as fontes biográficas mostrem uma discrepância: uma narrativa, mais burocrática, diz que a estrada reduziu o trajeto entre os blocos de Atri e Wazirganj de 55 km para 15 km. A outra, mais lendária e popularizada, afirma uma redução de 70 km para apenas 1 km. A segunda versão, embora talvez menos precisa, captura a verdade simbólica do feito sobre-humano de Manjhi.
O “Shah Jahan do homem pobre” e o símbolo Dalit
A imprensa e cineastas, como destacado por Artigos de Notícias (Times of India, ThePrint), apelidaram Manjhi de “o Shah Jahan do homem pobre”. A comparação é poética: ambos levaram 22 anos para criar um monumento às suas esposas falecidas. No entanto, como apontam as reportagens, o paradoxo é profundo. Shah Jahan usou a riqueza de um império para construir o Taj Mahal, um monumento de beleza. Manjhi, sem nada, usou apenas seu corpo para construir um monumento de pura utilidade: uma estrada.
A obra de Manjhi transcende o romance; é um ato político. Como aponta a Análise Acadêmica, sendo um Dalit, sua luta contra a montanha tornou-se um símbolo de resistência contra o opressor sistema de castas. A montanha era uma metáfora para a barreira social que separava sua comunidade Dalit da “nova Índia” com hospitais e empregos.
A Análise Acadêmica argumenta que Manjhi interveio na iconografia Dalit. A própria palavra “Dalit” significa “quebrado” ou “esmagado”. Manjhi, um homem que o sistema tentou esmagar, recusou-se a ser quebrado; em vez disso, ele se tornou o “quebrador”, esmagando a montanha que representava a opressão de castas.
O legado irônico: fama mundial, pobreza local
A história ganhou fama global, especialmente após o filme biográfico de 2015, “Manjhi – The Mountain Man”, conforme citado nos Artigos de Notícias. O governo de Bihar, que por décadas ignorou Manjhi, eventualmente concedeu-lhe um funeral de estado após sua morte em 2007 e pavimentou o caminho que ele abriu, segundo a Fonte Biográfica.
No entanto, o legado para sua família é trágico. Reportagens do Times of India e ThePrint são claras: décadas após o feito e anos após o sucesso do filme, a família de Dashrath Manjhi continua a viver em extrema pobreza, sentindo-se explorada.
O filho de Manjhi, Bhagirath, afirmou publicamente que os cineastas fizeram promessas financeiras que nunca foram cumpridas, apesar dos lucros do filme, segundo os Artigos de Notícias. A família que deu ao mundo uma história inspiradora de resiliência continua presa no mesmo ciclo de pobreza e negligência que o “homem da montanha” lutou tão desesperadamente para quebrar.
A saga de Dashrath Manjhi é um paradoxo. Ele provou que um único indivíduo, movido pelo amor e pela fúria, pode literalmente mover montanhas. No entanto, seu legado também expõe uma verdade amarga: a fama cultural nem sempre se traduz em justiça social.
A história de Manjhi é de triunfo ou de exploração? O que mais chocou você nessa saga de 22 anos: a determinação dele ou a ironia de como sua família terminou? Queremos saber sua opinião real sobre este legado. Deixe seu comentário.

