1. Início
  2. Setor Offshore
  3. O gás que sai do próprio FPSO pode virar eletricidade com eficiência de quase 70%: MODEC e Eld Energy avançam com tecnologia que usa células a combustível e terá de provar desempenho nos testes no mar
Faça um comentário 5 min de leitura

O gás que sai do próprio FPSO pode virar eletricidade com eficiência de quase 70%: MODEC e Eld Energy avançam com tecnologia que usa células a combustível e terá de provar desempenho nos testes no mar

Imagem de perfil do autor Caio Aviz
Escrito por Caio Aviz Publicado em 03/10/2026 às 00:09 Atualizado em 03/10/2026 às 00:50
Google News
Ilustração de módulo de células a combustível com logotipo da MODEC, tubulações e estrutura amarela no convés de um FPSO ao pôr do sol.
MODEC e Eld Energy desenvolvem tecnologia para gerar eletricidade com gás do próprio FPSO, buscando eficiência próxima de 70%. Imagem ilustrativa.
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

Projeto prevê aproveitar o gás produzido a bordo e integrar a geração elétrica à captura de carbono. Após avaliações técnicas, o próximo passo depende da validação do protótipo antes da instalação em um FPSO.

O gás que acompanha a produção de petróleo está no centro de um projeto da MODEC e da Eld Energy para gerar eletricidade em plataformas. As empresas desenvolvem um sistema com células a combustível de óxido sólido e estimam que sua eficiência global poderá chegar a aproximadamente 70%.

Em setembro, o projeto avançou nas avaliações necessárias para sair do desenvolvimento e chegar aos testes no mar. Em comunicado publicado em 15 de setembro, a MODEC anunciou a conclusão das etapas de viabilidade tecnológica e verificação de conceito junto à classificadora ABS. O equipamento previsto para essa experiência é um módulo de 40 kW, alimentado pelo gás produzido no próprio FPSO.

O número que chama atenção, porém, ainda precisa ser confirmado na prática. Os 70% são uma meta, ligada à recuperação de combustível e à integração com captura de carbono. Em publicação de 21 de setembro, a ABS reforçou que esse é o rendimento buscado pelas empresas.

O que acontece com o gás dentro desse sistema

As células a combustível de óxido sólido, chamadas de SOFC, convertem a energia química do combustível diretamente em eletricidade. Elas funcionam em temperaturas elevadas e podem receber diferentes combustíveis, uma característica que interessa às empresas envolvidas no projeto offshore.

Ilustração do módulo de células a combustível de 40 kW em estrutura amarela sobre o convés de um FPSO.
Ilustração conceitual mostra o módulo de 40 kW previsto para testes com gás produzido em um FPSO. Crédito: Divulgação/MODEC.

Para os FPSOs, unidades flutuantes que produzem, armazenam e transferem petróleo, a proposta é usar o gás disponível na própria operação. O projeto também prevê aproveitar gás rico em hidrogênio recuperado de um sistema integrado de captura de carbono.

É dessa combinação que vem a expectativa de maior rendimento. A recuperação de combustível faz parte do caminho para alcançar a eficiência anunciada, enquanto a integração com a captura de carbono busca reduzir as emissões.

Por isso, o percentual de 70% precisa ser lido como uma previsão para o sistema integrado. As etapas concluídas até aqui ainda não demonstram esse desempenho em operação comercial no mar.

A prova no mar começa com um módulo menor

A MODEC pretende instalar o Eld Power Module de 40 kW em um FPSO que já esteja em operação. A experiência permitirá acompanhar o equipamento usando gás real de produção, nas condições encontradas a bordo.

Representantes da MODEC, Eld Energy e ABS reunidos com certificado durante a Gastech 2026.
Representantes da MODEC, da Eld Energy e da ABS apresentam o reconhecimento das etapas de qualificação durante a Gastech 2026, em Bangkok. Crédito: Divulgação/MODEC.

A instalação, no entanto, depende da conclusão da validação do protótipo e das análises de engenharia da ABS. Até aqui, o trabalho incluiu avaliações de risco HAZID, HAZOP e FMEA, além da revisão independente da classificadora.

Os dados obtidos nessa campanha deverão orientar os próximos passos. As empresas planejam ampliar a potência para 120 kW e, posteriormente, desenvolver sistemas na faixa de vários megawatts. O módulo menor será, assim, uma etapa de aprendizado antes da expansão. www.modec.com

A versão de maior potência também avançou em setembro

Dois dias depois do anúncio envolvendo a ABS, a MODEC divulgou outro avanço. Em comunicado de 17 de setembro, informou que a Eld Energy recebeu uma aprovação em princípio da DNV para o módulo de 120 kW.

Imagem conceitual do módulo de células a combustível de 120 kW, com gabinete preto e identificação ELD.
Imagem conceitual do Eld Power Module de 120 kW, cujo conceito recebeu aprovação em princípio da DNV para aplicação offshore. Crédito: Divulgação/MODEC.

A avaliação reconhece a viabilidade técnica do conceito e seu potencial de atender às normas do setor offshore. Ela também aponta o que ainda precisa ser resolvido para seguir com a qualificação e a implementação.

Na prática, essa aprovação permite avançar no desenvolvimento, mas ainda há verificações pela frente. A ampliação do sistema e sua integração à operação de um FPSO continuam sujeitas às próximas etapas técnicas.

Nesse módulo, MODEC e Eld Energy trabalham para incorporar a captura de carbono à geração elétrica. Segundo as empresas, a integração busca aproveitar melhor o combustível e reduzir emissões. A DNV acompanhará as etapas restantes de qualificação, incluindo as incertezas que surgirem com o aumento de escala.

Representantes reunidos em Tóquio na assinatura do acordo entre MODEC e Eld Energy, com bandeiras do Japão e da Noruega.
Registro da assinatura, em Tóquio, do memorando entre MODEC e Eld Energy para desenvolver geração elétrica de 1,2 MW integrada à captura de carbono. Crédito: Divulgação/MODEC.

Projeto prevê testes de uma unidade de 1,2 MW em terra

O plano de desenvolvimento vai além dos primeiros módulos. Em 4 de junho, MODEC e Eld Energy anunciaram um memorando de entendimento para uma unidade de 1,2 MW, também integrada à captura de carbono.

A previsão apresentada pelas empresas é começar os testes em terra em 2029 e, depois, realizar uma demonstração de longa duração. Esse cronograma pertence à unidade maior e não deve ser confundido com o teste offshore do módulo de 40 kW.

O acordo prevê que a Eld Energy lidere o projeto, a compra dos equipamentos e a construção do sistema de geração, além dos testes e da validação. A MODEC deverá desenvolver a instalação de captura de carbono e cuidar da integração para uso em FPSOs.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Caio Aviz

Escrevo sobre o mercado offshore, petróleo e gás, vagas de emprego, energias renováveis, mineração, economia, inovação e curiosidades, tecnologia, geopolítica, governo, entre outros temas. Buscando sempre atualizações diárias e assuntos relevantes, exponho um conteúdo rico, considerável e significativo. Para sugestões de pauta e feedbacks, faça contato no e-mail: avizzcaio12@gmail.com.

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x