Projeto prevê aproveitar o gás produzido a bordo e integrar a geração elétrica à captura de carbono. Após avaliações técnicas, o próximo passo depende da validação do protótipo antes da instalação em um FPSO.
O gás que acompanha a produção de petróleo está no centro de um projeto da MODEC e da Eld Energy para gerar eletricidade em plataformas. As empresas desenvolvem um sistema com células a combustível de óxido sólido e estimam que sua eficiência global poderá chegar a aproximadamente 70%.
Em setembro, o projeto avançou nas avaliações necessárias para sair do desenvolvimento e chegar aos testes no mar. Em comunicado publicado em 15 de setembro, a MODEC anunciou a conclusão das etapas de viabilidade tecnológica e verificação de conceito junto à classificadora ABS. O equipamento previsto para essa experiência é um módulo de 40 kW, alimentado pelo gás produzido no próprio FPSO.
O número que chama atenção, porém, ainda precisa ser confirmado na prática. Os 70% são uma meta, ligada à recuperação de combustível e à integração com captura de carbono. Em publicação de 21 de setembro, a ABS reforçou que esse é o rendimento buscado pelas empresas.
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O que acontece com o gás dentro desse sistema
As células a combustível de óxido sólido, chamadas de SOFC, convertem a energia química do combustível diretamente em eletricidade. Elas funcionam em temperaturas elevadas e podem receber diferentes combustíveis, uma característica que interessa às empresas envolvidas no projeto offshore.

Para os FPSOs, unidades flutuantes que produzem, armazenam e transferem petróleo, a proposta é usar o gás disponível na própria operação. O projeto também prevê aproveitar gás rico em hidrogênio recuperado de um sistema integrado de captura de carbono.
É dessa combinação que vem a expectativa de maior rendimento. A recuperação de combustível faz parte do caminho para alcançar a eficiência anunciada, enquanto a integração com a captura de carbono busca reduzir as emissões.
Por isso, o percentual de 70% precisa ser lido como uma previsão para o sistema integrado. As etapas concluídas até aqui ainda não demonstram esse desempenho em operação comercial no mar.
A prova no mar começa com um módulo menor
A MODEC pretende instalar o Eld Power Module de 40 kW em um FPSO que já esteja em operação. A experiência permitirá acompanhar o equipamento usando gás real de produção, nas condições encontradas a bordo.

A instalação, no entanto, depende da conclusão da validação do protótipo e das análises de engenharia da ABS. Até aqui, o trabalho incluiu avaliações de risco HAZID, HAZOP e FMEA, além da revisão independente da classificadora.
Os dados obtidos nessa campanha deverão orientar os próximos passos. As empresas planejam ampliar a potência para 120 kW e, posteriormente, desenvolver sistemas na faixa de vários megawatts. O módulo menor será, assim, uma etapa de aprendizado antes da expansão. www.modec.com
A versão de maior potência também avançou em setembro
Dois dias depois do anúncio envolvendo a ABS, a MODEC divulgou outro avanço. Em comunicado de 17 de setembro, informou que a Eld Energy recebeu uma aprovação em princípio da DNV para o módulo de 120 kW.

A avaliação reconhece a viabilidade técnica do conceito e seu potencial de atender às normas do setor offshore. Ela também aponta o que ainda precisa ser resolvido para seguir com a qualificação e a implementação.
Na prática, essa aprovação permite avançar no desenvolvimento, mas ainda há verificações pela frente. A ampliação do sistema e sua integração à operação de um FPSO continuam sujeitas às próximas etapas técnicas.
Nesse módulo, MODEC e Eld Energy trabalham para incorporar a captura de carbono à geração elétrica. Segundo as empresas, a integração busca aproveitar melhor o combustível e reduzir emissões. A DNV acompanhará as etapas restantes de qualificação, incluindo as incertezas que surgirem com o aumento de escala.

Projeto prevê testes de uma unidade de 1,2 MW em terra
O plano de desenvolvimento vai além dos primeiros módulos. Em 4 de junho, MODEC e Eld Energy anunciaram um memorando de entendimento para uma unidade de 1,2 MW, também integrada à captura de carbono.
A previsão apresentada pelas empresas é começar os testes em terra em 2029 e, depois, realizar uma demonstração de longa duração. Esse cronograma pertence à unidade maior e não deve ser confundido com o teste offshore do módulo de 40 kW.
O acordo prevê que a Eld Energy lidere o projeto, a compra dos equipamentos e a construção do sistema de geração, além dos testes e da validação. A MODEC deverá desenvolver a instalação de captura de carbono e cuidar da integração para uso em FPSOs.
