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Gigante do etanol de milho investe R$ 552 milhões para capturar CO₂ e enterrá-lo a 1.200 metros no Brasil

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Escrito por Ana Alice Publicado em 02/10/2026 às 22:39 Atualizado em 02/10/2026 às 23:31
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FS investe R$ 552 milhões em projeto que captura CO₂ do etanol de milho e o armazena a 1.200 metros de profundidade em Mato Grosso. - Imagem: Ilustrativa
FS investe R$ 552 milhões em projeto que captura CO₂ do etanol de milho e o armazena a 1.200 metros de profundidade em Mato Grosso. – Imagem: Ilustrativa
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A FS prepara em Mato Grosso um projeto pioneiro para capturar o carbono gerado durante a fabricação de etanol de milho e armazená-lo permanentemente no subsolo, enquanto aguarda as últimas autorizações para iniciar a operação.

Uma das maiores produtoras de etanol de milho do Brasil está perto de colocar em funcionamento um projeto que pretende capturar o dióxido de carbono gerado durante a fabricação do biocombustível e armazená-lo a cerca de 1.200 metros de profundidade.

A FS Fueling Sustainability informou à revista Brasil Energia, em 25 de setembro, que investiu R$ 552 milhões no empreendimento instalado em Lucas do Rio Verde, em Mato Grosso.

A expectativa da companhia é capturar aproximadamente 423 mil toneladas de CO₂ por ano quando a operação estiver em plena atividade.

O projeto utiliza uma tecnologia conhecida como BECCS, sigla em inglês para bioenergia com captura e armazenamento de carbono.

Na prática, o gás gerado durante a fermentação do milho para fabricação de etanol será capturado, tratado, comprimido e injetado em formações geológicas profundas.

A estrutura está praticamente concluída. Em entrevista publicada pelo AgFeed em 1º de outubro, Daniel Lopes, vice-presidente de Novos Negócios e Sustentabilidade da FS, afirmou que o empreendimento estava 99% pronto.

Apesar do avanço das obras, o início efetivo da operação ainda depende das autorizações ambientais e regulatórias necessárias.

CO₂ será armazenado a 1.200 metros de profundidade

O processo começa dentro da própria fábrica de etanol.

Durante a fermentação do milho ocorre a liberação de CO₂ de origem biogênica. Em vez de deixar esse gás seguir para a atmosfera, a FS pretende capturá-lo diretamente durante o processo industrial.

Depois da captura, o dióxido de carbono passa por etapas de desidratação e compressão.

Em seguida, será injetado sob alta pressão em um reservatório geológico localizado aproximadamente 1,2 quilômetro abaixo da superfície.

Segundo informações divulgadas pela companhia, o armazenamento ocorrerá em formações rochosas porosas da Bacia dos Parecis.

Camadas geológicas posicionadas acima desses reservatórios deverão funcionar como barreiras naturais para manter o carbono armazenado no subsolo.

O projeto foi dimensionado para capturar cerca de 423 mil toneladas de CO₂ por ano.

Documentos da FS indicam ainda potencial para armazenar aproximadamente 12 milhões de toneladas ao longo de três décadas de operação.

A tecnologia exige muito mais do que simplesmente perfurar um poço e injetar o gás.

São necessários estudos geológicos, testes de pressão, avaliação dos reservatórios, sistemas de monitoramento e acompanhamento permanente da integridade das formações utilizadas para armazenar o carbono.

Unidade da FS em Lucas do Rio Verde, Mato Grosso, onde a companhia instala o projeto para capturar e armazenar o CO₂ gerado durante a produção de etanol de milho. Crédito: FS / Divulgação.
Unidade da FS em Lucas do Rio Verde, Mato Grosso, onde a companhia instala o projeto para capturar e armazenar o CO₂ gerado durante a produção de etanol de milho. Crédito: FS / Divulgação.

Projeto é pioneiro no Brasil

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social classifica a iniciativa da FS como o primeiro projeto de BECCS do país.

Em dezembro de 2025, o BNDES anunciou a aprovação de R$ 384,3 milhões para apoiar a implantação da estrutura de captura, compressão, injeção e armazenamento de carbono em Lucas do Rio Verde.

A FS também recebeu apoio da Finep para atividades relacionadas à pesquisa e ao desenvolvimento do projeto.

Segundo a Brasil Energia, aproximadamente R$ 180 milhões foram financiados pela instituição dentro do empreendimento.

O investimento de R$ 552 milhões utilizado como referência para o projeto foi divulgado pela Brasil Energia após informações fornecidas pela companhia em setembro.

Uma atualização posterior indicou que o valor final ainda poderá sofrer pequeno ajuste.

Em entrevista publicada em 1º de outubro, Daniel Lopes afirmou que o empreendimento deverá totalizar aproximadamente R$ 560 milhões.

Segundo o executivo, cerca de R$ 450 milhões já haviam sido aportados, enquanto aproximadamente R$ 100 milhões estavam contratados e ainda seriam desembolsados.

Empresa aguarda autorizações para começar a injetar o carbono

A estrutura industrial estar praticamente pronta não significa que a injeção de CO₂ possa começar imediatamente.

A FS ainda depende de duas liberações importantes para colocar o sistema em operação.

Segundo a atualização mais recente da companhia, falta a licença de operação da Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso e a autorização operacional da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis.

O Brasil criou uma base legal específica para captura e armazenamento geológico de carbono com a Lei do Combustível do Futuro, sancionada em outubro de 2024.

A legislação atribuiu à ANP a responsabilidade de autorizar e fiscalizar atividades relacionadas à captura de CO₂ para armazenamento geológico, ao transporte por dutos e à estocagem subterrânea.

Em agosto de 2026, um decreto federal avançou na regulamentação desse mercado e detalhou atribuições da agência.

A ANP ainda desenvolve requisitos técnicos específicos para determinadas etapas das operações comerciais.

Enquanto a regulamentação definitiva é concluída, projetos como o da FS vêm sendo avaliados dentro de mecanismos regulatórios específicos.

Esse cenário ajuda a explicar por que um empreendimento fisicamente quase concluído ainda aguarda autorização para começar a operar.

FS produz 2,6 bilhões de litros de etanol por ano

O tamanho da empresa ajuda a mostrar a dimensão do projeto.

A FS iniciou suas operações em 2017 e se apresenta como a primeira produtora brasileira de etanol que utiliza 100% milho como matéria-prima.

Atualmente, a companhia possui unidades industriais em Lucas do Rio Verde, Sorriso e Primavera do Leste, todas em Mato Grosso.

Juntas, as três plantas têm capacidade para produzir aproximadamente 2,6 bilhões de litros de etanol por ano, além de produtos destinados à nutrição animal, óleo de milho e energia elétrica.

É na unidade de Lucas do Rio Verde, primeira fábrica da empresa, que a estrutura de captura e armazenamento de carbono está sendo instalada.

A companhia pretende utilizar a tecnologia para reduzir de forma significativa a intensidade de carbono do combustível produzido nessa unidade.

Por que a FS fala em etanol com carbono negativo

A lógica do BECCS está diretamente relacionada à origem do carbono utilizado no processo.

O milho absorve CO₂ da atmosfera enquanto cresce. Parte desse carbono é posteriormente liberada durante a fermentação necessária para produzir etanol.

Normalmente, esse gás retornaria para a atmosfera.

No modelo planejado pela FS, uma parcela relevante desse CO₂ biogênico será capturada antes da emissão e armazenada permanentemente em reservatórios geológicos.

Por isso, a companhia trabalha com a perspectiva de produzir um etanol com intensidade de carbono negativa na unidade de Lucas do Rio Verde.

Isso não significa que todas as etapas da cadeia deixem de produzir emissões.

Plantio, transporte, processamento e outras atividades continuam apresentando suas próprias emissões de gases de efeito estufa.

A avaliação considera o balanço completo do ciclo de produção e a quantidade de carbono que poderá ser capturada e armazenada permanentemente pelo sistema.

Colheita de milho na região de Lucas do Rio Verde. A matéria-prima é utilizada pela FS na fabricação de etanol, processo que gera o CO₂ que será capturado pelo projeto BECCS. Crédito: FS / Divulgação
Colheita de milho na região de Lucas do Rio Verde. A matéria-prima é utilizada pela FS na fabricação de etanol, processo que gera o CO₂ que será capturado pelo projeto BECCS. Crédito: FS / Divulgação

Operação pode começar após liberação da ANP e de Mato Grosso

A expectativa inicialmente apresentada pela FS era colocar o sistema em funcionamento em 2026.

No fim de setembro, a Brasil Energia informou que a companhia pretendia concluir a construção naquele mês e iniciar a operação ainda neste ano, condicionada principalmente ao aval regulatório.

A atualização divulgada em 1º de outubro mostra que a parte física está praticamente concluída, mas a definição do cronograma agora depende das licenças restantes.

Depois das autorizações, o CO₂ atualmente gerado durante a fermentação do milho em Lucas do Rio Verde poderá seguir um caminho ainda pouco comum na indústria brasileira.

Em vez de chegar à atmosfera, o gás será capturado, comprimido e enviado para formações rochosas localizadas a cerca de 1.200 metros abaixo do solo.

Para a FS, o projeto reúne duas frentes que começam a ganhar espaço na indústria de biocombustíveis: produzir etanol em grande escala e transformar a captura permanente de carbono em uma atividade capaz de gerar valor econômico.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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