O Exército Brasileiro realizou na quarta-feira (27) o Simpósio de Sistemas Não Tripulados da Força Terrestre, em Brasília, onde sete empresas apresentaram drones de ataque, bombardeio e vigilância ao Alto Comando. O Exército Brasileiro já habilitou 37 empresas, sendo 33 nacionais de nove estados, na disputa por contratos de drones armados e munições remotamente pilotadas, e a próxima fase de testes acontecerá no Arsenal de Guerra do Rio de Janeiro. O primeiro Batalhão de Drones será criado em Taubaté, com sistemas que custam cerca de 90 milhões de dólares cada.
O Exército Brasileiro acaba de mostrar ao público uma fração do arsenal de drones que pretende incorporar nos próximos anos. No Simpósio de Sistemas Não Tripulados da Força Terrestre, realizado em Brasília, sete empresas apresentaram ao Alto Comando drones e tecnologias terrestres de ataque, bombardeio e vigilância. O evento é parte de um processo maior: o Exército Brasileiro já habilitou 37 empresas, sendo 33 nacionais de nove estados, que competem para fornecer drones armados e munições remotamente pilotadas à Força, com a próxima fase de validação prevista para o Arsenal de Guerra do Rio de Janeiro nos próximos meses.
O comandante do Exército Brasileiro, general Tomás Paiva, usou o simpósio para declarar que “percebemos ameaças na América do Sul” e defender que a Força precisa “empregar cada vez mais tecnologia” para proteger as fronteiras. O chefe do Estado-Maior, general Francisco Montenegro, viajou à Turquia em abril para estudar como o país opera seus drones 24 horas por dia em uma rede complexa que cobre todo o território turco. A referência turca é significativa: a Turquia é uma das maiores potências globais em desenvolvimento e emprego militar de drones, e o Batalhão de Drones que o Exército Brasileiro criará em Taubaté seguirá modelo semelhante.
Os drones que o Exército Brasileiro quer comprar
Segundo informações do Ministério da Defesa, o plano do Exército Brasileiro envolve desenvolver e adquirir quatro sistemas de três drones das categorias 2 e 3, os mais poderosos em alcance e capacidade de carga. A estimativa feita por generais é que cada sistema custe cerca de 90 milhões de dólares, valor que inclui as aeronaves, estações de controle em solo, sensores embarcados e logística de manutenção.
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Os drones apresentados no simpósio incluem sistemas como o TAS, da Taurus Armas, um quadricóptero equipado com armamento tático nos calibres 5,56 mm, 7,62 mm e 9 mm, apresentado inicialmente na LAAD Defence em 2025 e reapresentado no World Defense Show 2026 na Arábia Saudita. Outras empresas como Mac Jee e Aero.ID já demonstraram drones de reconhecimento e ataque ao Exército Brasileiro em apresentações anteriores no Arsenal de Guerra do Rio.
O primeiro Batalhão de Drones do Exército Brasileiro

A Política de Transformação da Força Terrestre, aprovada em abril de 2026, determina que todos os escalões do Exército Brasileiro passem a operar sistemas não tripulados. O primeiro Batalhão de Drones será criado em Taubaté, São Paulo, com uma subunidade no Rio de Janeiro focada em drones de menor alcance para vigilância.
O batalhão funcionará como centro de instrução, formando especialistas em toda a Força. Drones menores das categorias 0, 1 e 2 serão distribuídos diretamente entre brigadas, companhias e pelotões, ampliando capacidades de reconhecimento, vigilância e ataque em tempo real. O Exército Brasileiro pretende manter 20% do efetivo militar no mais alto grau de prontidão, e a presença de drones em todos os níveis operacionais é parte dessa meta.
As 37 empresas que disputam os contratos
Das 37 empresas habilitadas na fase de requisição de informações, 33 são brasileiras provenientes de nove estados. O Exército Brasileiro está investindo na Base Industrial de Defesa nacional para reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros, e os drones armados e munições remotamente pilotadas se tornaram prioridade porque alteram a forma de localizar, seguir e atingir alvos com mais rapidez.
A próxima fase do processo acontecerá no Arsenal de Guerra do Rio de Janeiro, onde as empresas deverão apresentar protótipos e demonstrações operacionais. O Arsenal do Rio já recebeu apresentações anteriores de drones nacionais e será o centro de validação tecnológica. O edital com regras de participação, prazos e disposições está disponível no site da Diretoria de Fabricação do Exército Brasileiro. A combinação entre demanda da Força e participação da indústria pode estimular conhecimento técnico e amadurecimento de fornecedores nacionais em tecnologias que hoje dominam o campo de batalha mundial.
O que muda na doutrina de combate do Exército Brasileiro
A Política de Transformação reconhece que o espaço de batalha se tornou “mais transparente e letal com a proliferação de sensores, sistemas não tripulados e fogos de precisão”. O Exército Brasileiro passa a tratar guerras como conflitos multidomínio que envolvem operações simultâneas nos ambientes terrestre, aéreo, marítimo, espacial, cibernético e informacional, e os drones são o elo que conecta todos esses domínios.
O plano prevê investimentos até 2040, com prioridade em inteligência artificial, sistemas autônomos, guerra eletrônica e operações de precisão de longo alcance. Para o Exército Brasileiro, os conflitos recentes no Leste Europeu e no Oriente Médio demonstraram que drones deixaram de ser apoio e passaram a ocupar papel central no combate, e a Força não pode ficar para trás nessa transformação.
Você sabia que o Exército Brasileiro está criando um batalhão de drones e que 37 empresas disputam contratos de sistemas armados? Acha que o Brasil precisa investir mais em drones militares ou há prioridades maiores? Conta nos comentários.

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