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O “donut voador” da França: empresa testa dirigível em forma de rosquinha gigante com 400 m³ de hélio, 12 motores elétricos e cabine pendurada para criar uma aeronave silenciosa que parece saída da ficção científica

Escrito por Ana Alice
Publicado em 21/05/2026 às 19:05
Atualizado em 21/05/2026 às 19:08
Dirigível elétrico em forma de donut usa hélio e propulsores para voos lentos, silenciosos e inspeções de baixo consumo. (Imagem: Ilustrativa)
Dirigível elétrico em forma de donut usa hélio e propulsores para voos lentos, silenciosos e inspeções de baixo consumo. (Imagem: Ilustrativa)
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Projeto francês aposta em um dirigível elétrico em forma de donut, com hélio, propulsores orientáveis e cabine suspensa, para unir baixa velocidade, controle preciso e consumo reduzido em voos de curta duração.

Um dirigível elétrico francês em forma de donut, com cabine suspensa para duas pessoas, foi desenvolvido para voos lentos, silenciosos e de baixo consumo em atividades como inspeções, intervenções em estruturas, observação e experiências turísticas.

Chamado Aéronde, o projeto usa hélio para sustentação, propulsores elétricos para manobra e um formato circular pensado para reduzir limitações comuns em aeronaves mais sensíveis ao vento, segundo a fabricante.

A aeronave chama atenção pelo desenho incomum: um anel branco de 15 metros de diâmetro, com uma nacele aberta presa abaixo da estrutura.

A semelhança com um donut é assumida pela própria empresa, que apresenta o formato toroidal como parte central da solução técnica, e não apenas como identidade visual.

O projeto foi desenvolvido pela startup francesa Aéronde, fundada por Jérôme Delamare, professor-pesquisador ligado ao G2Elab, laboratório de engenharia elétrica de Grenoble.

A iniciativa recebeu reconhecimento no concurso francês de inovação i-Lab 2022-2023, promovido pelo Ministério do Ensino Superior e da Pesquisa da França, de acordo com o G2Elab.

A ciência por trás do dirigível em forma de donut

O Aéronde é apresentado pela empresa como um aeróstato elétrico de decolagem e pouso vertical, movido por baterias e sustentado por hélio.

Em vez de depender de asas, rotores de grande porte ou alta velocidade para permanecer no ar, ele usa um gás mais leve que o ar para compensar parte do peso da estrutura.

Dentro do anel, há 400 m³ de hélio, volume que gera pouco mais de 400 kg de sustentação, segundo a Aéronde.

A carga útil informada é de 200 kg, o que permite levar duas pessoas e equipamentos dentro da proposta de voos curtos e missões localizadas.

O formato toroidal, nome técnico da geometria em anel, foi adotado por razões operacionais.

A fabricante afirma que essa configuração reduz o efeito “cata-vento” observado em dirigíveis tradicionais, facilita a entrada e a saída de hangares independentemente da direção do vento, simplifica a fabricação do envelope e permite guardar o aeróstato em estruturas mais baixas.

Essa combinação posiciona o Aéronde em uma categoria diferente da de aviões e helicópteros convencionais.

A aeronave não foi projetada para competir em velocidade ou alcance, mas para operar em deslocamentos controlados, com baixo consumo energético e capacidade de manter posição em trabalhos próximos a estruturas.

Propulsores elétricos e controle em baixa velocidade

A movimentação do Aéronde é feita por três propulsores orientáveis, cada um equipado com quatro motores elétricos.

Ao todo, são 12 motores alimentados por baterias de íons de lítio, o que permite deslocamentos em diferentes direções e manutenção de posição estática durante atividades de trabalho aéreo.

Os dados técnicos publicados pela fabricante indicam autonomia em torno de quatro horas, velocidade econômica de aproximadamente 20 km/h e consumo de cerca de 1,2 kWh por hora em condições padrão de uso.

O aérOnde possui um tempo de voo de cinco horas. Imagem: Reprodução/aérOnde
O aérOnde possui um tempo de voo de cinco horas. Imagem: Reprodução/aérOnde

A página técnica também informa que o conjunto de baterias tem capacidade total de 8 kWh.

Em divulgação anterior registrada pelo G2Elab, o projeto havia sido descrito com consumo total de 1 kWh por hora de voo e comparação com um helicóptero do tipo Écureuil B3, que consome cerca de 180 litros de querosene por hora.

Na página atual da Aéronde, a comparação aparece com consumo de aproximadamente 200 litros de querosene por hora para um helicóptero usado em trabalho aéreo.

A diferença entre os números decorre das fontes e dos momentos de divulgação.

Para evitar extrapolação, os dados mais recentes publicados pela própria empresa devem ser usados como referência principal, enquanto os valores anteriores permanecem atribuídos ao material institucional do G2Elab.

Dirigíveis elétricos e emissões na aviação

A busca por alternativas de menor consumo energético na aviação aparece em um contexto de pressão sobre as emissões do setor.

A Our World in Data estima que a aviação responda por cerca de 2,5% das emissões globais de CO₂, além de ter efeitos climáticos adicionais associados a fatores que não se limitam ao dióxido de carbono.

Aeróstatos e dirigíveis não substituem aviões em rotas de longa distância nem helicópteros em todas as operações.

Ainda assim, podem atender nichos em que baixa velocidade, permanência no ar, silêncio operacional e consumo reduzido são características relevantes, como inspeção de estruturas, monitoramento agrícola, eventos, telecomunicações temporárias e resposta a situações de emergência, aplicações citadas pela Aéronde.

A principal diferença está no tipo de missão.

Para observar uma área, acompanhar uma linha elétrica, apoiar uma operação localizada ou posicionar técnicos e equipamentos em determinada altura, a velocidade deixa de ser o fator central.

Nesses casos, segundo a fabricante, a estabilidade e o controle em ponto fixo são aspectos mais importantes do desempenho.

Cabine suspensa e operação do Aéronde

A nacele, estrutura onde ficam piloto e passageiro ou operador, acomoda duas pessoas e equipamentos.

Ela funciona como cockpit e fica suspensa sob o anel de hélio, em uma configuração aberta que favorece a visão ao redor durante o voo e durante atividades próximas ao solo ou a estruturas elevadas.

Imagem: Reprodução/aérOnde
Imagem: Reprodução/aérOnde

A Aéronde informa que a aeronave se enquadra na classe 5 da regulamentação francesa de ultraleves, voltada a aeróstatos ultraleves.

Para pilotá-la, é necessário ter licença apropriada, além de treinamento complementar oferecido pela empresa.

No campo da segurança, a fabricante afirma que o envelope opera com pressão interna baixa, de cerca de 4 milibares.

De acordo com a empresa, essa característica faz com que o hélio escape lentamente em caso de perfurações, e a aeronave também foi demonstrada em voo com apenas um dos três propulsores em funcionamento.

A página técnica informa ainda que o Aéronde pode operar sob condições meteorológicas compatíveis com a aviação geral, incluindo chuva, baixa visibilidade, vento de 15 km/h e temperaturas abaixo de zero.

Em texto institucional do G2Elab, a resistência a rajadas de até 70 km/h aparece como expectativa associada aos propulsores orientáveis.

Voos turísticos e disponibilidade na França

Além das aplicações profissionais, a Aéronde apresenta a aeronave como experiência turística.

A página voltada a passageiros descreve voos de 20 minutos no aeródromo de Grenoble-Le Versoud, na França, com preço de €200 por voo e limite de 95 kg para o passageiro.

A mesma página informa, porém, que os voos estão atualmente suspensos para permitir a construção de novos modelos.

Por isso, a experiência deve ser tratada como uma oferta divulgada pela empresa, mas não como uma operação regular disponível no momento da consulta.

O site da fabricante não informa preço de compra, aluguel ou operação comercial fora das experiências e aplicações apresentadas.

Também não há, nas páginas consultadas, dado público suficiente para afirmar se a aeronave já está disponível para clientes fora da França.

O Aéronde mostra como conceitos associados a dirigíveis podem ser adaptados a usos específicos, com eletrificação, geometria toroidal e controle por propulsores orientáveis.

Nesse caso, o desenho circular, a cabine suspensa e a baixa velocidade formam uma solução voltada a missões em que deslocamento preciso, permanência no ar e consumo reduzido aparecem como prioridades técnicas declaradas pela fabricante.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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