1. Início
  2. / Economia
  3. / O comércio global bateu recorde e ultrapassou US$ 35 trilhões em 2025, mas um terço do crescimento veio de um único setor que não existia em escala há cinco anos, e os países que mais lucraram não foram Estados Unidos nem China, mas Taiwan, Coreia do Sul e Sudeste Asiático, que se tornaram o coração da cadeia da revolução da IA
Tempo de leitura 6 min de leitura Comentários 0 comentários

O comércio global bateu recorde e ultrapassou US$ 35 trilhões em 2025, mas um terço do crescimento veio de um único setor que não existia em escala há cinco anos, e os países que mais lucraram não foram Estados Unidos nem China, mas Taiwan, Coreia do Sul e Sudeste Asiático, que se tornaram o coração da cadeia da revolução da IA

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 07/04/2026 às 18:27
Atualizado em 07/04/2026 às 18:32
Assista o vídeoComércio global supera US$ 35 trilhões em 2025, mas um terço do crescimento veio da IA e beneficiou Taiwan, Coreia do Sul e Sudeste Asiático.
Comércio global supera US$ 35 trilhões em 2025, mas um terço do crescimento veio da IA e beneficiou Taiwan, Coreia do Sul e Sudeste Asiático.
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo

Comércio global supera US$ 35 trilhões em 2025, mas um terço do crescimento veio da IA e beneficiou Taiwan, Coreia do Sul e Sudeste Asiático.

Em 2025, o comércio global de bens cresceu 7% e ultrapassou US$ 35 trilhões pela primeira vez na história, segundo a UNCTAD. Deveria ser uma boa notícia para todos. Mas quando o McKinsey Global Institute abriu os números para identificar a origem desse crescimento, o resultado surpreendeu: aproximadamente um terço de todo o aumento no comércio mundial foi impulsionado por um único segmento — semicondutores, servidores e equipamentos de rede voltados para data centers de inteligência artificial.

De acordo com o relatório da McKinsey de março de 2026 e análises da Euronews, o comércio relacionado à infraestrutura de IA cresceu quase 40% em apenas um ano. O dado revela uma mudança estrutural: o comércio global deixou de ser puxado majoritariamente por bens tradicionais e passou a depender de uma cadeia altamente concentrada e tecnologicamente intensiva.

Setor de chips e infraestrutura de IA explode após 2022 e cria nova dinâmica no comércio global

Em 2020, o comércio global de equipamentos para data centers de inteligência artificial era uma fração do que representa hoje. O lançamento do ChatGPT em novembro de 2022 marcou um ponto de inflexão na demanda por processamento computacional avançado.

Em apenas três anos, a necessidade por chips de IA, servidores de alta performance e infraestrutura de rede cresceu em uma velocidade que nenhum modelo econômico tradicional previu.

O mercado global de semicondutores atingiu US$ 772 bilhões em 2025, registrando crescimento de 22,5% em relação ao ano anterior. A projeção para 2026 indica um salto para US$ 975 bilhões, aproximando-se rapidamente da marca simbólica de US$ 1 trilhão.

Comércio global supera US$ 35 trilhões em 2025, mas um terço do crescimento veio da IA e beneficiou Taiwan, Coreia do Sul e Sudeste Asiático.
Foto: Fabricação de semicondutor

Segundo a Deloitte, os chips voltados à IA generativa devem gerar cerca de US$ 500 bilhões em receita em 2026, o que representa aproximadamente metade de todas as vendas globais de semicondutores.

Apesar disso, esses chips correspondem a menos de 0,2% do volume total de unidades vendidas, revelando uma concentração de valor sem precedentes na história da indústria.

Estados Unidos lideram demanda global por data centers de IA, mas dependem da Ásia para hardware

Os Estados Unidos foram responsáveis por aproximadamente metade da nova capacidade de data centers adicionada no mundo em 2025, segundo a McKinsey.

O número de data centers hyperscale atingiu 1.136 unidades globalmente, com crescimento constante no tamanho médio dessas instalações.

Empresas como Amazon, Microsoft, Google e Meta planejaram investimentos de capital de US$ 310 bilhões em 2025, um aumento significativo em relação aos US$ 210 bilhões registrados em 2024.

Essa expansão impulsionou um aumento de 66% nas importações americanas de equipamentos de inteligência artificial em apenas um ano.

No entanto, os Estados Unidos produzem uma parcela reduzida desse hardware. Os chips avançados são fabricados em Taiwan, os componentes de memória vêm da Coreia do Sul e a montagem ocorre majoritariamente no Sudeste Asiático.

Taiwan domina produção global de semicondutores e concentra tecnologia mais avançada do planeta

Taiwan se consolidou como o principal polo mundial de produção de semicondutores. A TSMC detém mais de 60% do mercado global de fundição de chips.

Em 2025, a receita trimestral da empresa alcançou NT$ 839 bilhões, equivalente a US$ 25,5 bilhões, representando crescimento de 41,6% em relação ao ano anterior.

Os nós tecnológicos mais avançados, como 3nm e 5nm, responderam por 58% da receita da companhia. Segundo a SEMI, os investimentos em equipamentos semicondutores em Taiwan cresceram 134% nos primeiros sete meses de 2025, o maior avanço global.

A ilha mantém uma vantagem tecnológica estimada entre dois e três anos em relação a outros países no desenvolvimento de chips voltados à inteligência artificial.

Coreia do Sul controla mercado global de memória e se torna peça crítica na expansão da IA

Enquanto Taiwan domina a lógica dos chips, a Coreia do Sul lidera a produção de memória, considerada o principal gargalo da inteligência artificial.

Samsung e SK Hynix produzem cerca de 75% de toda a DRAM global. A Samsung registrou receita de 26,7 trilhões de won na divisão de semicondutores no terceiro trimestre de 2025, impulsionada pela produção em massa de memória HBM3E.

A SK Hynix alcançou faturamento de US$ 17,5 bilhões no mesmo período. Ambas já avançam no desenvolvimento de HBM4, com produção em massa prevista para o final de 2025 e capacidade já comprometida para 2026.

Sudeste Asiático cresce como novo hub industrial após redirecionamento do comércio global

A guerra tarifária entre Estados Unidos e China provocou uma queda de 30% no comércio bilateral, resultando em aproximadamente US$ 130 bilhões em exportações chinesas redirecionadas.

Países do Sudeste Asiático, como Vietnã, Tailândia e Malásia, absorveram grande parte dessa demanda. As exportações da ASEAN cresceram cerca de 14% em 2025, consolidando a região como novo polo industrial global.

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

Investimentos relevantes incluem US$ 23,2 bilhões da Samsung no Vietnã e US$ 1,6 bilhão da Amkor Technologies em infraestrutura local.

Europa sofre pressão dupla com tarifas dos EUA e concorrência de produtos chineses

A Europa enfrenta um cenário descrito pela McKinsey como “dupla compressão”. De um lado, tarifas americanas elevam o custo das exportações europeias. Do outro, produtos chineses mais baratos aumentam a concorrência interna.

As exportações de veículos elétricos chineses para a Europa cresceram 50%, ultrapassando 800 mil unidades.

A Alemanha registrou, pela primeira vez, mais importações de veículos chineses do que exportações para a China. O superávit industrial da União Europeia sofreu redução de US$ 40 bilhões.

China mantém superávit recorde ao se tornar fornecedora global de insumos industriais

Apesar das restrições comerciais e queda nas exportações para os Estados Unidos, a China atingiu superávit comercial recorde em 2025.

O país redirecionou exportações para mercados emergentes e reduziu preços médios em cerca de 8% para manter competitividade.

A transformação mais relevante foi estrutural: a China passou a exportar máquinas, componentes industriais e capacidade produtiva, consolidando-se como “fábrica das fábricas”.

Brasil amplia exportações de commodities e se mantém fora da cadeia de valor da IA

O Brasil expandiu exportações para a China em 2025, especialmente de soja, minério de ferro, petróleo e carne.

Segundo a McKinsey, o país apresenta uma das maiores distâncias comerciais do mundo, refletindo a dependência da China como parceiro estratégico.

Apesar disso, o Brasil permanece fora da cadeia de valor de semicondutores e inteligência artificial, atuando majoritariamente como fornecedor de matérias-primas.

Mercado global de semicondutores se aproxima de US$ 1 trilhão e expõe risco geopolítico em Taiwan

A projeção para 2026 indica que o mercado global de semicondutores atingirá US$ 975 bilhões, com expectativa de ultrapassar US$ 1 trilhão antes do fim da década.

Os dez maiores fabricantes de chips possuem valor de mercado combinado de US$ 9,5 trilhões. Grande parte dessa produção está concentrada em Taiwan, uma ilha com 36 mil km² localizada em uma das regiões geopolíticas mais sensíveis do planeta.

Os Estados Unidos ampliaram restrições à exportação de chips avançados e equipamentos para a China entre 2024 e 2025. A China respondeu restringindo exportações de materiais estratégicos como gálio, germânio e ímãs de terras raras.

Esse cenário criou uma divisão no comércio global, com fluxos definidos por alinhamento geopolítico e não apenas por eficiência econômica.

A SEMI projeta vendas globais de equipamentos semicondutores de US$ 133 bilhões em 2025, US$ 145 bilhões em 2026 e US$ 156 bilhões em 2027.

Países como Índia e Japão implementaram programas agressivos de incentivo à produção local. O objetivo é reduzir dependência externa e garantir autonomia tecnológica em um cenário de crescente tensão internacional.

Agora queremos saber: quem realmente controla o futuro da economia global dominada pela inteligência artificial?

Em apenas cinco anos, o mapa do comércio global passou por uma transformação profunda. O crescimento deixou de ser puxado por setores tradicionais e passou a depender de uma cadeia altamente concentrada em tecnologia.

Na sua visão, essa nova configuração torna o mundo mais eficiente ou mais vulnerável?

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
Ir para o vídeo em destaque
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x